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França 1917-1918

A 17 de Janeiro de 1917 foi publicado no Diário do Governo, o Decreto n.º 2 938, ordenando a concentração de um corpo expedicionário destinado a combater em França. Dado o significativo interesse que o mesmo tem para o estudo da intervenção dos portugueses em França reproduz-se o mesmo na íntegra:


MINISTÉRIO DA GUERRA - Repartição do Gabinete,  Decreto n.º 2.938/1917


Atendendo ao que me representou o Ministro da Guerra e usando das autorizações concedidas pelas leis n.º 373, de 2 de Setembro de 1915, e n.º 491, de 12 de Março de 1916: hei por bem, ouvido o Conselho de Ministros, decretar o seguinte:


Art.º 1º Proceder-se há desde já à concentração de um corpo expedicionário destinado a combater em França contra a Alemanha, ao lado dos exércitos das nações aliadas.


Art.º 2.º Assumirá o comando do corpo expedicionário português o general Fernando Tamagnini de Abreu e Silva, que terá a competência que pelas leis e regulamentos em vigor é conferida ao comandante em chefe do exército em operações e usará como distintivo do seu pôsto e função, além das três estrelas de prata, o escudo da República.


Art.º 3.º Exercerá as funções de chefe do estado maior do corpo expedicionário português o major de artilharia e do serviço do estado maior Roberto da Cunha Baptista.


Art.º 4.º Serão expedidas com a maior urgência pela Secretaria da Guerra as ordens e instruções que ainda sejam necessárias para a organização, mobilização, concentração e transporte do corpo expedicionário português.


Art.º 5.º Êste decreto entra imediatamnente em execução.


Os Ministros de todas as Repartições assim o tenham entendido e façam executar. Paços do Govêrno da República, 17 de Janeiro de 1917.---BERNARDINO MACHADO--António José de Almeida—Brás Mousinho de Albuquerque—Luís de Mesquita Carvalho—Afonso Costa—José Mendes Ribeiro Norton de Matos—Vítor Hugo de Azevedo Coutinho—Augusto Luís Vieira Soares—Francisco José Fernandes Costa—Joaquim Pedro Martins—António Maria Silva." (Reproduzido na revista do Clube Filatélico de Portugal, n.º 413, artigo de Armando Bordalo Sanches).


Janeiro de 1917 marca o início da presença de Portugal no teatro de guerra europeu, com um corpo expedicionário sob o comando do General Tamagnini de Abreu e Silva. Este sob a denominação de Corpo Expedicionário Português (CEP) foi composto inicialmente por uma Divisão e posteriormente dotado de uma segunda Divisão, tendo ultrapassado em número de efectivos mais de 55.000 homens.


Quando o CEP chegou a França passou por um período inicial de adaptação em campos de treinos ingleses, tal como acontecia com qualquer outro corpo militar que se juntasse às tropas inglesas na Flandres. Parte do treino militar do CEP tinha sido executado em Tancos, sob a supervisão do Ministro da Guerra Norton de Matos, mas tornava-se absolutamente necessário que as tropas e o comando das unidades se adaptasse ao tipo de guerra que iam encontrar na trincheiras da Flandres.


Em Março de 1917 começaram as primeiras unidades do CEP a chegar à frente de combate e no final do mês já se encontrava instalada uma Brigada da 1ª Divisão a ocupar o sector de Ferme du Bois. A 10 de Julho já se encontrava completamente instalada na linha da frente, a 1ª Divisão com duas Brigadas na linha da frente,  sector de Ferme du Bois e sector Neuve Chapelle.


A 6 de Novembro de 1917 o Corpo Expedicionário Português assumiu a responsabilidade do comando da zona portuguesa como Corpo de Exército, sob o comando do General Tamagnini, subordinado directamente ao Comando do 1º Exército Britânico do General Horne. A 2ª Divisão do CEP terminou o seu posicionamento na linha da frente no dia 26 de Novembro de 1917, sector de Flaurbaix e sector de Fauquissart.


Desde 6 de Novembro a 6 de Abril, o CEP assumiu a responsabilidade dos seus sectores. Foi um longo período de combate nas trincheiras, onde a dureza da vida e a permanência sem substituição para descanso, veio a impor problemas de moral e disciplina às tropas.

 

Em Março de 1918, os alemães fizeram a sua última, e desesperada, ofensiva, “Ofensiva da Primavera” e na segunda fase desta operação, a 9 de Abril (Operação Georgette), com o apoio de milhares de homens experientes que tinham vindo da frente russa atacaram os sectores portugueses. Sabiam que o tempo estava contra eles e que a chegada de tropas americanas à Europa  seria um factor de desequilibro e de derrota.


Tal como já tinham executado em ataques anteriores, os alemães focaram o ataque sobre uma zona de de ligação entre tropas inglesas, aproveitando a situação de estar ocupada por tropas de outra nacionalidade, aproveitando a dificuldade de comunicação e coordenação dos comandos. Foi neste contexto que a ofensiva alemã caiu sobre o CEP. Só não fica explicado como é que as tropas alemãs sabiam da ordem inglesa para o CEP se retirar da frente de combate no dia 9 de Abril.

Operação Georgette

A operação Georgette iniciou-se com uma «avassaladora tempestade de artilharia», incluindo o mortífero gás, que quase anulou a capacidade de combate das primeiras linhas. As comunicações foram cortadas, a confusão instalou-se, e pelas 8 e 45 a infantaria alemã recebeu ordens para avançar pela terra de ninguém em direcção às primeiras trincheiras aliadas, protegida pelo «nevoeiro espesso e primitivo», na expressão do escritor e historiador Jaime Cortesão, que se encontrava na linha da frente.


O rápido avanço das numerosas divisões alemãs de infantaria comandadas pelo general Ferdinand von Quast esmagou a resistência das primeiras linhas portuguesas e britânicas e impediu qualquer resistência eficaz. Dezenas de milhares de soldados alemães saltaram dos abrigos e, numa extensão de 20 km, concentram o ataque nos pontos considerados mais fracos, os «pontos de ligação», as «soldaduras» da 2ª Divisão portuguesa com as divisões britânicas. As brechas abertas nas linhas defensivas, a ausência de reservas substanciais na retaguarda e com possibilidade de acudir à frente de batalha, dificultaram muito a defesa e quase permitiram a vitória alemã.


O balanço deste primeiro embate foi pesado. Luís Alves de Fraga, professor universitário e autor de estudos sobre o tema, fornece um balanço preciso das baixas portuguesas na batalha de La Lys: 30 oficiais e 584 sargentos e praças mortos, enquanto são feitos prisioneiros (incluindo muitos feridos) 270 oficiais e 6.315 sargentos e soldados. Metade dos efectivos portugueses colocados na primeira linha de trincheiras foi morto ou feito prisioneiro. Quanto ao número de feridos não existe um número exacto, pelo facto de terem sido recolhidos pelos dois exércitos em presença.


O assalto alemão encontrou em vários pontos uma resistência até à última bala, tendo muitos portugueses se rendido quando mais nada havia a fazer. Os combates duraram até dia 12 de Abril e os alemães por muito que tivessem avançado não conseguiram furaram as linhas. Foi uma defesa com muitos sacrifícios.


No final dos combates CEP ficou desfeito. Foram meses de indecisão, trabalhos secundários ao serviço do exército da Grã-Bretanha. Só em Agosto de 1918, se iniciou um verdadeiro esforço de reorganização, sob o comando do General Garcia do Rosado, com a intenção de recriar unidades de combate que representassem Portugal com brio e honra.


Em Outubro de 1918, três Batalhões portugueses encontravam-se prontos e incorporados no Exército inglês que ocupavam posições de combate na linha da frente quando se deu o Armistício a 11 de Novembro de 1918. No final da guerra o CEP contabilizou cerca de 2.000 mortos, 5.000 feridos e 6.000 prisioneiros.

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