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Teoria

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Epigrafia Latina

As epígrafes são uma inestimável fonte de informação sobre a cultura e civilização romana, tanto na Europa, na Ásia e em África, e descrevem o processo de romanização dos povos.


Oferecem informação coeva sobre aspectos sociais, económicos, jurídicos e religiosos. São um testemunho directo das profundas raízes que a civilização Romana na Hispânia e em particular na Lusitânia.


O estudo da epigrafia latina ajuda a revelar o passado romano de cada local, auxilia o estudo da língua latina, não só como um fim em si mesmo, mas como um meio e instrumento útil e necessário a outras áreas do conhecimento, como para a Arqueologia e para a História do Património Cultural e Artístico.  


Assim, com o objectivo de divulgar um conhecimento prático, que permita iniciar a compreensão e o decifrar das inscrições latinas, desenvolvemos este trabalho que colocamos à vossa disposição.  

Introdução

 

Todos nós, quando visitamos locais arqueológicos, museus ou folheamos publicações com imagens, encontramos inscrições latinas, cujos textos nos são incompreensíveis. São textos inscritos sobre monumentos, túmulos e estátuas, que no passado tinham significado para os habitantes de todo o Império Romano e que hoje constituem um enigma.  

 

Para decifrar esses textos temos de conhecer a matriz das conexões possíveis, tanto para as iniciais como para as abreviaturas, tal como os homens dos primeiros séculos da nossa Era.

 

Assim, ser epigrafista, é ter a capacidade de recorrer a um documento original e não se contentar com a tradução ou  com a interpretação. É ser um historiador confrontado com uma fonte histórica, onde se esforça por explora-la na sua totalidade. Uma vez lido o texto, há que compreende-lo, o que apenas é possível se estivermos capacitados com uma cultura histórica que permita interpretar a fonte epigráfica. Enriquecidos por esse conhecimento, o documento ganha sentido e as informações transmitidas aprofundam a nossa visão sobre a sociedade Romana.  

 

Foram utilizados como suportes de escrita, matérias sólidos como a madeira, a pedra e o metal. Estas inscrições não foram propriamente escritas, mas incisos ou gravados nesses materiais. A epigrafia como ciência alcançou lugar de particular relevo principalmente no estudo da Antiguidade (sobretudo greco-latina). Novas descobertas a cada passo têm alargando as fontes, que através de um trabalho minucioso de interpretação as tornam em documentos extraordinariamente úteis. 

Desde o início do Renascimento, com o humanista  Ciríaco de Ancona (1391-1450), foi chamado o “Pai da Epigrafia” – iniciou-se o estudo das inscrições antigas e mais tarde no século XIX, iniciou-se a publicação sistematicamente em grandes «corpora», como a de A. Boeckh (1785-1867), Th. Mommsen (1817-1901) e outros.

  

 

Como se apresenta uma inscrição latina?

 

A escrita e o estilo epigráfico correspondem a critérios muito precisos, quanto a palavras, abreviatura, iniciais, maiúsculas e vocabulário utilizado.

 

A epigrafia é stricto sensu a ciência das inscrições, a qual consiste na aprendizagem da leitura daquilo que os Romanos chamavam um titulus, em português uma epígrafe. Neste trabalho vamos apenas estudar epigrafia latina, o que significa conhecer textos em latim, já que no mundo Romano podemos encontrar epígrafes  em grego e outras línguas.



 

Escrita e estilos epigráficos

 

As inscrições apresentam-se como uma sucessão de letras maiúsculas sem sinais de separação, para distinguir as palavras. As separações baseiam-se em formas estáticas sem significado aparente.

 

A escrita foi evoluindo ao longo dos tempos, desde a escrita chamada "monumental", que se caracteriza por as letras se inscreverem em quadratae, desenhadas com cuidado, e gravadas com minúcia. Ao longo do século II a.C. aparecem as letras desenhadas com tinta, mais arredondadas, menos apuradas e de pior qualidade de gravação. No entanto o estudo desta evolução de escrita não compete ao epigrafista executá-la mas sim aos paleografistas.

 

O estilo de escrita utilizado é muito específico, é um estilo quase oficial, simples, de vocabulário restrito e sumário. Dependendo da natureza do título, cada frase apresenta-se no mesmo lugar, e cinge-se  a uma ordem convencional e figurativa, como uma fórmula.



 

O reino das abreviaturas

 

O principal problema, para os principiantes, é que as palavras não contêm todas as letras, são normalmente abreviaturas, e cabe aos epigrafistas descobrir os enigmas por detrás destas letras. No entanto, sabemos que estas abreviaturas não são obra da vontade dos gravadores, não foram escolhidas à sorte, nem dependem de caprichos pessoais. Estas abreviaturas dependem de regras conhecidas e que permitem dar sentido às palavras e aos textos.

 

Todos os substantivos são representados pela letra inicial ou um grupo compacto de primeiras letras, notae ou sigla. Por exemplo na invocação dos Manes, as inscrições funerárias apresentam DMS, as letras iniciais de D(iis) M(anibus) s(acrum), "Aos deuses Manes, consagra". O nome Flauius aparece como FL, mas não aparece o sexo do individuo, o que pode ser Flauius ou Flauia.   Outras vezes aparece CL, CLAV, CLAVD para designar indiferentemente Claudius ou Claudia.

 

Outros conjuntos de letras podem ser suprimidos como na palavra consul que quando abreviada se escreve cos, o n é substituído pela letra seguinte o s.

 

Quando o substantivo é formado por duas palavras, a abreviatura é composta pelas duas primeiras letras, signifer "porta-estandarte", signum + ferre. que dá SIGF, tal como, beneficiarius composto por bene + ficiarius que se escreve BF.

 

Quando uma abreviatura está no singular termina numa consoante, quando essa palavra está no plural, ela é redobrada quantas vezes, quantos os múltiplos que representa:  DDDD NNNN significa d(omini) n(nostri) (quattuor) "os quatro mestres".

 

Nos primeiros tempos ter-se-á de adquirir conhecimentos sobre a decifração das palavras. Depois o trabalho incidirá sobre a interpretação e pesquisa histórica.

Bibliografia

 

Geral


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     •     L. Robert (1961),"Epigraphie in: L'histoire et ses méthodes (Encyclopédie de la Pléiade)",Paris. 

     •     Centeno, Rui Manuel Sobral (1997), "Civilizações Clássicas II, Roma", Lisboa, Universidade Aberta.

     •     Corbier, Paul (1998), "L'épigraphie latine", Paris, Sedes.

     •     Donati, Angela( 2002), "Epigrafia Romana: La comunicazaione nell'antichità", Bologna, il Mulino Itinerari.


Epigrafia Grega


     •     B.F. Cook (1987),"Greek Inscriptions", London. (Concisa e bem ilustrada).

     •     L.H. Jeffery (1990), "The local scripts of archaic Greece",Oxford. (Um valiosos corpus sobre as inscrições da Grécia antiga, com ilustrações e comentários)

     •     A.G. Woodhead (1982), "A study of Greek inscriptions", Cambridge.

     •     M. Guarducci (1967-78), "Epigraphia Greca", (4 volumes), Roma. (A maior obra e mais completa editada em Itália)

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Epigrafia Romana


     •     L. Keppie (1991),"Understanding Roman inscriptions", London, Batsford. (Recomendado)

     •     A. Gordon (1983, "Illustrated introduction to Latin epigraphy", Berkeley.

     •     E. Meyer (1973), "Einführung in die lateinische Epigraphik", Darmstadt.

     •     I. Calabi Limentani, (1968), Epigrafia Latina", Milan,

     •     J. Encarnação (1987), !Epigrafia Latina",Coimbra.