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Estudo Epigráfico

Vias Romanas

Mosaicos Romanos

Por onde começar?


A possibilidade de encontrar informação sobre um tópico epigráfico especifico pode ser difícil no início, mas existe muita literatura e informação na Internet que o pode ajudar.


Guias Bibliográficos


• Encarnação, José de. Introdução ao Estudo da Epigrafia Latina, Coimbra, 1987 (2)

• Encarnação, José de. Estudos sobre Epigrafia, Coimbra, 1988

• Uma boa biblioteca on-line de epigrafia encontra-se na página da Bibliotheca Classica Selecta, da Universidade de Louvain em França.


A Organização


Informação proveniente de viajantes


Desde a Idade Média que existem referências a inscrições provenientes de viajantes que se interessavam em antiguidades em geral, geografia e costumes locais. Nem todos os viajantes eram peritos em epigrafia, e a qualidade dos seus desenhos ou transcrições variava grandemente. No entanto esses registos são a única fonte de um texto em particular e por tal não pode ser ignorada. No século XIX e XX, epigrafistas profissionais fizeram extensos levantamentos epigráficos e produziram publicações de alta qualidade. Esses trabalhos podem não ser o ponto de início de um estudo de epigrafia, mas normalmente dão uma leitura fascinante.


Museus e colecções


Muitos museus e colecções privadas têm inscrições em exposição ou reservas. Em alguns casos os museus publicaram um catálogo resumido, que pode dar alguma luz como foram constituídas as colecções e como foram organizadas.


Relatórios de escavações


Muitas das inscrições foram encontradas no contexto de escavações arqueológicas. Estas, muitas vezes, são publicadas em conjunto com outro material recuperado no sítio, mas nem sempre o editor tem conhecimentos epigráficos. Também é interessante consultar os volumes de arqueologia para tomar conhecimento de inscrições que se encontram gravadas nos artefactos (a sua forma física, a sua função como parte de um monumento e a sua localização). Estes aspectos são muitas vezes esquecidos quando se lê as versões editadas, mas eles são muito importantes para uma compreensão do que o texto diz, isto é, para elucidar sobre a vida quotidiana ou função do monumento dentro do seu contexto original. Em casos ideais a publicação das inscrições de uma escavação.

Periódicos


Hoje, muitas das inscrições são publicadas individualmente, ou em pequenos grupos, em jornais ou revistas da especialidade.


Colecções e corpora


Felizmente muitas inscrições publicadas vieram a ser incorporadas em grandes colecções, em que especialistas as estudaram e lhes incorporaram consideráveis melhorias dos textos.


Existem colecções temáticas sobre uma larga variedade de assuntos, inscrições funerárias, relativas a imperadores, comerciais, jurídicas, etc.


É sempre interessante procurar se alguém já produziu uma colecção sobre um tópico que esteja interessado, uma vez que essas colecções podem ser muito úteis, do ponto de vista histórico ou arqueológico, no entanto têm o problema de não serem sistemáticas, com todas as inscrições publicadas, uma vez que parte das inscrições não são catalogáveis numa categoria especifica. Outro problema é que essas colecções tendem a isolar as inscrições do seu contexto, tornando difícil apreciar quanto um texto é típico ou atípico.  


Por essa razão as colecções mais importantes tendem a estar organizadas ao longo de linhas geográficas. A partir do século XIX, as inscrições têm sido registadas em multivolumes, como Corpus Inscriptionum Latinarum e Inscriptiones Graecae. Os comentários tendem a ser muito breves, limitados a problemas textuais e estão em Latim. A escala destes trabalhos é imensa e é surpreendente que ainda continue.


Corpora Grega


    CIG = Corpus Inscriptionum Graecarum. Berlim, 1825-1877, 4V

    IG = Inscriptiones Graecae

    IGUR = L. Moretti, Inscriptiones Graecae Urbis Romae. Rome, 1968-1979.

    MAMA: =Monumenta Asiae Minoris Antiquae. Manchester, 1928


Corpora Latina


CIL: Desde 1863 têm sido coleccionadas inscrições latinas nos vários volumes do Corpus Inscriptionum Latinarum (muitos dos volumes apareceram ainda no final do século XIX). Cada volume abre com uma lista antigos antiquários. Depois segue uma lista de "falsae vel alienae". As inscrições originais estão agrupadas pelas cidades onde foram apresentadas, não obrigatoriamente onde foram descobertas. O índice usualmente cobre: nomes de individualidades, imperadores, cônsules, honras (cargos públicos), assuntos militares, res sacra (incluindo o nome de deidades), assuntos relevantes para a cidade de Roma, assuntos relevantes para a província e para o município, instituições, ocupações, epigramas e vária notabilia.


ILLRP: A. Degrassi, Inscriptiones Latinae Liberae rei publicae. Firenze, 1957-1963.com  ilustracões das inscrições.

RIB: R.G. Collingwood (et al.) The Roman inscriptions of Britain, Oxford, 1965.


Pequenas publicações


Também existem pequenas publicações com referências a inscrições, que podem dar uma ideia do que está disponível em cada região, colecções ou museus.  


Heurística


Como é que eu consigo encontrar onde uma inscrição em particular está publicada? Como é que eu consigo encontrar uma inscrição (ou mais inscrições) para um tema específico? Como é que eu consigo encontrar comentários ou informação sobre uma inscrição específica? Se já existem traduções?

Também é importante procurar actualizações sobre estudos actualizados sobre inscrições publicadas no passado, novas técnicas de tradução, novas contextualizações e novas abordagens e visões históricas.


SEG e AE (= AnnEpigr) permitem novas abordagens e são guias muito úteis. Também estão disponíveis novas ferramentas baseadas em computadores que nos podem libertar de muito trabalho.


Para as inscrições em Grego:


SEG: Supplementum Epigraphicum Graecum. Leiden, 1923-1971 then Amsterdam, 1979.Esta série de suplementos tenta catalogar as inscrições publicadas fora da corpórea. Os volumes mais antigos são temáticos e a partir de 1979, apresentam o material publicado no ano. (estão em média 3 anos atrasados).

BE or Bull.: J. and L. Robert, 'Bulletin Epigraphique', yearly in Revue des Etudes Grecques from 1939-1984 (Também publicado em separado em livro). Depois da morte de L. Robert, começou uma nova série em 1987, sob a direcção de Ph. Gauthier, com um autor diferente para cada secção.


Para as inscrições Romanas (em Grego ou Latim)


AE (= AnnEpigr) L'Année Epigraphique, é o melhor lugar para iniciar as pesquisas sobre inscrições latinas. Resulta de pesquisas exaustivas sobre publicações fora da corpórea.

AE segue a organização da CIL (i.e. a geográfica), mas também tem uma secção geral, que incluí notas sobre vários temas como leis, instituições, onomástica, prosopografia, etc.  Também incluí algum material em grego sobre províncias romanas do oriente. Contem índices sobre: geografia, nomina, cognomina, tribos romanas, deuses, sacerdotes, res sarae, res publica, exércitos, magistrados, etc.


JRS: Journal of Roman Studies. Reynolds desde 1960. Recolhe as inscrições mais importantes e interessantes que são publicadas. Não é um catálogo exaustivo, mas sim um resumo.


L'Année Philologique incluí uma secção sobre publicações epigráficas.


Britannia: Desde 1970 contem um catálogo com as novas descobertas na Grã-Bretanha.


FE: Ficheiro Epigráfico, desde 1982. Sobe a direcção de José d' Encarnação, Instituto de Arqueologia, Universidade de Coimbra, recolhe e publica os textos epigráficos, descobertos professores estudantes ou outros estudiosos, evitando que trabalhos individuais se percam fechados em arquivos.


Epigrafia e as Tecnologias de Informação


Os recentes desenvolvimentos em TI, tiveram e têm um grande efeito sobre o mundo da epigrafia. O mais importante foi a possibilidade de compor colecções digitais de imagens e textos em CD ou na Internet, como:


PHI Cornell Greek Epigaphy Project -Packhard Humani Institute, CD com textos em grego.

Inscriptiones Graecae Eystettenses:  CD com textos em grego.

Epigraph Database : Versão para computador dos textos do CIL.

Ficheiro Epigráfico, edição electrónica: em ligação do projecto europeu "Ubi erat lupa".

Inscrições Latinas de Barcino, em   http://www.ub.es/fillat/irciv.txt

Inscrições Latinas de Israel, em http://www3.iath.virginia.edu/mls4n/


Arquivos de imagens


Estão disponíveis imagens e esquemas de inscrições em inúmeros lugares. Estas terão interesse para quem quiser comparar as publicações com os originais, mas também pode ser importante, uma vez que a forma física do texto também contribuí para a sua interpretação.


    The Imaging Project CSAD, em http://www.csad.ox.ac.uk/CSAD/Images.html

    The Images from Cox Archive, em http://www.csad.ox.ac.uk/MAMA/

    The Delphi Database, em http://132.236.125.30/dfind.html

    Fonti Epigraphiche, em http://www.rassegna.unibo.it/epigrafi.html

    Center for Epigraphical Studies, em http://omega.cohums.ohio-state.edu/epigraphy/


Alguma informação técnica


Para o estudo da epigrafia é importante procurar valências em matérias técnicas como: História, historiografia da "disciplina", Paleografia, Latim, Onomástica e Prosopografia, Topologia, Cronologia e Geologia.


Sinalética


Existe uma grande variedade de sinais para codificar e assinalar as transcrições. Desde 1932, a maior parte dos epigrafistas utilizam o sistema "Leiden". Os textos publicados antes desta data utilizam sistemas diferentes, normalmente identificados na obra pelo editor. Uma das maiores diferenças entre as notações é a utilização de parênteses curvos '( )', onde Leiden prefere os parênteses em ângulo '< >'.


Abreviações em Latim


Um dos problemas das inscrições em latim é a vasta variedade de abreviações em cada texto, as quais não são, geralmente, de imediata compreensão. Muitas das introduções à Epigrafia apresentam listas auxiliares de abreviações.


Abreviações modernas para publicações epigráficas


Isto pode ser outro problema. Muitos autores referem as publicações epigráficas por abreviaturas, tipo: IvEph, IK, TAM, COMIK, o que não é muito transparente. Até agora não tem existido um verdadeiro esforço de estandardização, mas seja qual for a nomenclatura que venha a utilizar convém que seja consistente.


O sistema Leiden


O sistema Leiden apresentado em 1932, permitiu a utilização de um método comum de transcrição de textos literários e papíricos.  


Este propõem uma nomenclatura para a transcrição dos epigramas, de forma a ressalvar as dificuldades de leitura, ou as omissões. Ao longo do nosso trabalho optámos por algumas variações, de modo a simplificar a leitura das transcrições.