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Exército 1914-18

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General Norton de Matos

Parada da Vitória 1919

No início do século XX, tanto no regime monárquico como no republicano, Portugal não considerava prioritário o desenvolvimento da autoridade administrativa e militar nos seus territórios coloniais africanos. Neste contexto, as administrações coloniais não controlava mais de 10% do território de Angola e 1% do território de Moçambique. A vigilância da área sob influência de Portugal baseava-se no controlo comercial com os indígenas, mesmo assim através de grandes companhias comerciais como a "Companhia do Niassa", e limitava-se à protecção das principais vias comerciais (Wesseling, 2009:371). No total o exército colonial português apresentava aproximadamente um efectivo permanente de 13.000 homens, dos quais apenas 4.000 eram europeus.


Na metrópole o exército encontrava-se inactivo desde 1815. Acompanhava de longe a evolução material e táctica dos exércitos europeus, pelo que se encontrava inapto a entrar em qualquer conflito, inclusivamente teria muitas dificuldades para prestar alguma resistência a um ataque vindo de Espanha, o qual também apresentava igualmente um grau elevado grau de inoperância.  A disciplina militar nacional era fraca, reflexo inevitável da disciplina civil (Martins, 1934:165).


O Exército que não conseguiu manter a Monarquia, também não apresentava qualquer entusiasmo para com a República, o que levou rapidamente a que surgisse a necessidade de reformar a estrutura. Entretanto os oficiais vão perdendo o controlo dos seus regimentos para as mãos de comités de cabos e sargentos e a grupos de civis, muitos ligados à maçonaria carbonária.  Assim em 1911, a cadeia de comando no Exército estava destruída, e mesmo os oficiais republicanos que entretanto foram colocados nas unidades, por promoções e colocações políticas, continuaram sob a vigilância dos comités de cabos e sargentos. 


Em 1911 o Governo da República vê a necessidade de reformar o Exército, tendo para tal optado por um modelo tipo Suíça, com um corpo mínimo de oficiais profissionais. Para a dimensão do Pais e para a cultura nacional, esta opção implicaria a curto prazo a extinção do exército, pelo menos como força operacional, mas o Governo tinha a consciência que se optasse por manter um exército profissional a médio prazo seria o suicídio do regime (Telo, 1980:4).


O Decreto Lei de reorganização do Exército foi publicado em 25 de Maio de 1911, onde foi estipulado o fim do exército permanente e foi apresentada a organização da nação em armas, com um serviço militar obrigatório de 15 a 30 semanas nas fileiras e um sistema de oficiais milicianos, mas no entanto mantém um corpo permanente na metrópole de 11.699 homens. É introduzido uma "instrução preparatória" aos 17 anos, mas apenas se efectuava a incorporação aos 20 anos, passando depois  para a reserva territorial, onde frequentariam durante 7 a 9 anos uma "escola de repetição2 de duas semanas ano. Também foi estipulado a abertura de uma "escola de quadros" para a formação de oficiais milicianos. Esta reforma alterou substancialmente a origem dos indivíduos mobilizados, ao obrigar a prestação do serviço militar às camadas médias e baixas urbanas das cidades, principalmente de Lisboa e do Porto. 


Em 1912 a reforma mantinha-se quase toda no papel e os problemas existente em África, campanhas de pacificação de 1912-13 em Moçambique, campanhas de pacificação de 1911-14 em Angola, que continuaram durante a Grande Guerra,  e as campanhas de pacificação de 1912 na Índia e Timor, demonstravam a necessidade de manter um quadro permanente de oficiais e unidades operacionais permanentes. Houve ainda diversas situações em que o Exército foi chamando para suster incursões monárquicas e para actuar como força de intervenção em manifestações e greves. Também ficou patente que a operacionalidade das unidades milicianas e respectivos oficiais milicianos era completamente imprevisível (Telo, 1980:7).


A República não conseguiu implementar o serviço obrigatório. A máquina administrativa foi suficiente para boicotar o processo. Os oficiais e os sargentos republicanos tinham o hábito generalizado de "arredondar" o seu salário com "luvas" recebidas para livrar os mancebos do serviço militar obrigatório, isto implicava que apenas 26% dos mobilizados anualmente chegassem efectivamente a serem incorporados em unidades militares. A situação foi constante durante o período de 1911 a 1916 e de 1918 a 1926, apenas tendo sofrido alguma alteração durante a preparação do Corpo Expedicionário Português. A República manteve a base de recrutamento nas zonas rurais, nunca tendo conseguido alargar o recrutamento às zonas urbanas em tempo de paz. A República destruiu o Exército com a sua reforma de 1911, porque não conseguiu acompanhar a reforma orgânica, com uma reforma social, ideológica e militar. Mesmo o regulamento disciplinar introduzido em 1913, não alterou a quebra da linha de comando, uma vez que entre os oficiais superiores os praças existiam os sargentos e cabos, apoiados por civis, e os oficiais republicanos promovidos rapidamente por  simpatias políticas, que impossibilitavam qualquer acção organizada e concertada do comando das unidades (Telo, 1980:9).


Em 1914, com o início da Grande Guerra o Partido Democrático (belicista) sente a necessidade de preparar rapidamente um corpo expedicionário para enviar para França, mas da 8 Divisões que existiam em papel, nem uma existia na realidade. Faltava ainda equipamento suficiente e moderno para equipar o Corpo Expedicionário.  Acrescia às dificuldades materiais a dificuldade do Governo convencer os militares a lutarem ao lado dos ingleses que nos tinham humilhado há tão pouco tempo por causa do "Mapa Cor de Rosa". Telo, 1980:7


Destruída a tradição militar do exército e conversão de exército profissional para exército miliciano, com a queda do regime monárquico em 1910, o novo exército, baseado numa doutrina de "nação em armas", não representava uma solução digna do respeito internacional, encontrando-se incapaz de contribuir pouco mais do que para missões de pacificação nas colonial.


Em 18 de Agosto é decidida a organização de duas expedições militares, uma com destino a Angola e outra com destino a  Moçambique.

 

Em 11 de Setembro parte de Lisboa a primeiro força expedicionária com destino a Angola, comandada pelo tenente-coronel Alves Roçadas e parte, simultaneamente, a primeira força expedicionária com destino a Moçambique, comandada pelo tenente-coronel Massano de Amorim.

 

A 1 de Outubro a força expedicionário para Angola desembarca em Moçâmedes, no Sul de Angola.

 

A 1 de Novembro a força expedicionária para  Moçambique desembarca em Porto Amélia, no Norte de Moçambique.

Em 3 de Fevereiro é enviado uma segunda força expedicionária para Angola, comandado pelo General Pereira de Eça, para fazer frente ao ataque das forças alemãs, vindas da África Alemã do Sudoeste.

 

Em 21 de Março o General Pereira de Eça chega a Moçâmedes e é empossado como novo governador de Angola em substituição do General Norton de Matos.

 

A 4 de Agosto o Governo da República recebe autorização da Assembleia Nacional para contrair dois empréstimos, destinados a fazer face ao aumento das despesas com as forças expedicionárias enviadas para as colónias.

 

Ainda em Agosto parte a segunda força expedicionária para Moçambique, comandada pelo Major de Artilharia Moura Mendes.

A 7 de Novembro a segunda força expedicionária a Moçambique chega a Porto Amélia.

Em 9 de Março de 1916 a Declaração de Guerra da Alemanha a Portugal veio formalizar o conflito que já existia entre Portugueses e Alemães. O conflito luso-alemão já vinha sendo travado, há algum tempo, no Sul de Angola e Norte de Moçambique. Decide-se, então, a participação de um Corpo Expedicionário Português em França.

 

Em Abril parte a terceira força expedicionária para Moçambique, comandada pelo General Ferreira Gil, que chega a Palma (Moçambique), a Norte de Porto Amélia, em Junho.

Em 21 de Novembro as forças alemãs, sob o comando de Lettow-Vorbeck, partem de Nevala e dirigem-se para a fronteira com Moçambique.

 

A 28 de Novembro dá-se o combate de Negomano. Os alemães surpreendem as forças portuguesas em Negomano, provocando um verdadeiro massacre. Morreram 5 oficiais e 14 soldados europeus, assim como 208 soldados africanos, ficando feridos mais de 70, e prisioneiros 550 homens, entre os quais se contavam 31 oficiais que foram libertados posteriormente.

 

Entre 3 a 8 de Dezembro dá-se o combate da Serra Mecula. As forças comandadas pelo capitão Francisco Pedro Curado,  compostas por uma bateria de artilharia e uma companhia de tropas africanas, resistem à  coluna de tropas alemãs comandada pelo general Wahle, que separada da coluna principal se dirigia mais para o interior de Moçambique. O capitão Curado ficará conhecido pelo nome de «Condestável do Rovuma».

Entre 1 a 3 de Julho dá-se o combate de Nhamacurra. As tropas alemãs ao chegar a 40 km de Quelimane, no centro de Moçambique, atacaram o depósito de uma grande companhia açucareira, defendido por tropas anglo-portuguesas comandadas pelo tenente-coronel britânico Brown, que é morto.

 

A 28 de Setembro as tropas alemãs atravessam de novo o Rovuma, abandonando Moçambique.

 

No início de Novembro as tropas alemãs entram na Rodésia do Norte e a 12 de Novembro o comandante alemão Lettow-Vorbeck toma conhecimento do Armistício celebrado na véspera em França, e rende-se.

1914 - Abertura das frentes em África (Angola e Moçambique)

1915 - Continua a guerra em Áfica (termina a frente de Angola)

1916 - Moçambique continua em guerra e abre a frente europaia

1917 - Tropas portuguesas chegam a França

1918 - As tropas portuguesas combatem em França e em Moçambique

Bibliografia



Wesseling, Henri(2009), "Les empires coloniaux européens 1815-1919", Malesherbes, ed., Éditions Gallimard, (ISBN:978-2-07-036450-3).


Martins, Ferreira (1934), "Portugal na Grande Guerra", Vol. II, Lisboa, 1ª ed., Empresa Editorial Ática.

     

Telo, António José (1980), "O Exército e a República", Revista História n.º 23, Novembro 1980, pp. 2-21, O Jornal.