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Para cima

Moçambique

Negomano 1917

Nevala 1916

Mecula 1917

Muíte 1918

Nhamacurra 1918

Esquadrilha Aérea

Namaca 1916

Seviços de Saúde


Em Agosto de 1914, quando se dá o início da Grande Guerra, Moçambique tinha as suas fronteiras ameaças: a Sul com a revolta Boer, a Oeste, no Niassalandia, com os movimentos de levantamentos indígenas e a Norte, junto ao rio Rovuma, com ataques alemães. O incidente de 25 de Agosto de 1914, Maziúa, demonstra a situação.


A República Portuguesa mantinha o governo civil da colónia subcontratada à "Companhia do Niassa", desde o rio Rovima até ao rio Lurio e subcontratada à "Companhia de Moçambique" entre o rio Zambeze e a latitude 22º Sul. Na verdade Portugal apenas governa a Ilha de Moçambique e as cidades costeiras entre a Beira e Lourenço Marques. O resto da colónia estava dominada por companhias comerciais privadas e por companhias de exploração mineira da Rodésia e da África do Sul.


Nos finais de Outubro de 1915, o cônsul-geral britânico Errol MacDonell já tinha conseguido dominar o Governo da Província e era quem efectivamente governava Moçambique, suportado pelos seus agentes e a Royal Navy. Por forma a efectivar o bloqueio aos alemães que circulavam pessoas e bens através do porto de Palma, Macdonell. colocou o cruzador "HMS Hyacinth" e o vapor armado "Laconia" ao largo de Palma.


Também existia, associado à presença destes navios, a preocupação de uma possível invasão de tropas sul africanas, que viriam desembarcar em Palma para em conjunto com tropas britânicas vindas de Zamzibar, atacariam o flanco sul da colónia alemã.

Força Militar Colonial de Moçambique

Tenente-coronel Pedro Massano de Amorim

18/08/1914 – 5/11/1915

Major Moura Mendes

23/08/1915 – 18/03/1916

General Ferreira Gil

25/05/1916 – 04/01/1917

Coronel Sousa Rosa

12/09/1917 – 11/11/1918

1ª Força Expedicionária de Moçambique - Agosto de 1914

Em 25 de Agosto dá-se o primeiro incidente de fronteira, com o ataque alemão ao posto fronteiriço de Maziúa, na fronteira junto ao rio Rovuma, tendo sido morto o chefe do posto e incendiado o posto e as palhotas vizinhas.


Em 11 Setembro parte de Lisboa a 1ª Força Expedicionária de Moçambique, a qual foi comandada pelo Tenente-coronel Pedro Massano de Amorim. A improvisação também se fez sentir nas disposições para o embarque da Expedição, que por falta de navios de transportes nacionais foi necessário contratar um paquete inglês, o "Durham Castle".


A viagem foi muito incómoda, pelo grande número de solípedes que o navio transportava. Chegado o "Durham Castle" a Lourenço Marques, em 16 de Outubro. A Força Expedicionária teve de fazer o transbordo do vapor "Durham Castle" para o vapor "Moçambique", onde foi transportada para o Porto Amélia. O desembarque em Porto Amélia aconteceu em 1 de Novembro de 1914, poucos dias antes da Indian Expeditionary Force "B" (IEF "B"), ter tentado tomar a cidade de Tanga, na colónia da África Alemã Oriental.


A cidade era ostensivamente a sede da Companhia do Niassa, a quem estava subcontratada a administração do norte da colónia. Como esta Companhia era controlada maioritariamente por accionistas alemães, não foi de espantar que não tenha existido qualquer preparaçull ão para receber as tropas da 1ª  Força Expedicionária de Moçambique. O embarcadouro principal encontrava-se ainda em ruínas desde o ciclone do ano anterior, assim como muitas das casas ainda se encontravam sem telhado (Paice, 2008:140).


Foi grande a decepção dos expedicionários quando nada viram preparado para os acolher. Novamente era necessário improvisar. De Lisboa fora pedido que se preparasse o estacionamento de uma base militar em Porto Amélia, mas por falta de recursos locais, por incapacidade e falta de vontade da Companhia do Niassa e falta de iniciativa do Governador da Colónia, nada se encontrava preparado. Este facto foi repetido em cada uma das expediçull ões que se seguiram, sendo constantemente necessário construir todo o tipo de infra-estruturas.


Entretanto no norte da colónia alemã ( África Oriental Alemã), a 2 de Novembro 1914 de os ingleses fizeram uma tentativa de desembarque com forças militares coloniais britânicas IEF "B", vindas da Índia, de cerca de 8.000 homens (europeus e indianos), apoiados por 2 cruzadores. Os alemães com 1.500 homens, principalmente tropas indígenas, repeliram os indianos e os ingleses, que sofreram largas perdas em pessoal e material (500 espingardas e 16 metralhadoras) e, com isto, deram ao então futuro General Von Letttow Vorbeck o prestigio que necessitava. A derrota inglesa, em Tanga, teve como consequência a inactividade de todas as forças aliadas por um período de um ano e meio.


Com a derrota das tropas inglesas, sem uma definição de objectivos militares específicos por parte do Ministério da Guerra e do Governador de Colónia  Álvaro de Castro, o Tenente-coronel Massano de Amorim manteve a 1ª Força Expedicionária de Moçambique no perímetro de Porto Amélia, numa atitude de defesa e de neutralidade. A razãull ‹o da missão aparentava mais com uma necessidade política do Governo Português, do que com uma necessidade de ordem militar, o que também contribuiu para a inactividade militar. Em contrapartida, não existiam condições sanitárias, não existia comida de qualidade e os homens tinham de dormir sem redes protecção contra os mosquitos. Quando a época das chuvas chegou Porto Amélia transformou-se num pântano e as doenças transformaram-se em epidemias (Paice, 2008:140).


Junho de 1915


Em 15 de Junho de 1915 o Governador Geral de Moçambique Álvaro de Castro transmitiu ao comandante da 1ª Força Expedicionária de Moçambique Tenente-coronel Pedro Massano de Amorim, a ordem vinda de Lisboa para reocupar o território de Quionga,(triângulo de Quionga), a norte de Porto Amélia, que se encontrava ocupado pelos alemães desde 1894, e invadir a colónia alemã.


O Tenente-coronel Pedro Massano de Amorim, considerou despropositada a ordem, uma vez que a sua força militar, durante os oito meses de espera já tinha sofrido mais de 20% de baixas por doença sem nunca ter saído da cidade e como tal considerou impossível executar qualquer movimento ofensivo sobre o "triângulo de Quionga" e de invasão sobre a colónia alemã.  A sua principal preocupação estava na capacidade de se defender de uma sublevação nativa contra as suas tropas. Não teve a capacidade de executar a ordem para reforçar a defesa da fronteira Norte da colónia (900 Km), não desenvolveu vias de comunicação entre os pontos fronteiriços junto ao rio Rovuma, nem reforçou os postos fronteiriços que se encontravam guarnecidos por tropas indígenas. A única obra militar que mandou executar foi uma via de 300 km, acompanhada por uma linha de telegrafo, através do planalto de Makonde, entre Porto Amélia e Mocímboa do Rovuma, antes de regressar a Lisboa em Novembro de 1915 (Paice, 2008:141).

Em 18 de Agosto de 1914 foi decretado enviar uma força militar expedicionária a Moçambique de 1.500 homens. A 1ª Força Expedicionária de Moçambique tinha 1.527 homens. Era composta pelo 3º Batalhão de Infantaria n.º 15, de Tomar, na verdade só 200 homens eram do Regimento de Tomar, os restantes 800 eram voluntários de outras unidades, que não conheciam os oficiais nem tinham instrução militar suficiente, uma bateria de artilharia de montanha, um esquadrão de cavalaria e elementos de saúde, sapadores, telegrafistas e administrativos (50 oficiais, 1.477 praças e 322 solípedes).


Um dos maiores problemas que as forças expedicionárias apresentam era a falta de hábitos de higiene dos praças, que causou grandes baixas junto dos efectivos, sem contar com o analfabetismo que dificultou a instrução militar, cívica e de higiene (Martins, 1934:134-5).

Tenente-coronel Pedro Massano de Amorim

18/08/1914 – 5/11/1915

2ª Força Expedicionária de Moçambique - Agosto de 1915

A 23 de Agosto 1915 foi decretada uma segunda expedição, desta vez comandada pelo Major de Artilharia Moura Mendes. A 2ª Força Expedicionária de Moçambique era formada pelo 3º Batalhão do Regimento de Infantaria n.º 21, de Penamacor, a 5ª Bataria de artilharia de montanha, a 2ª bataria de metralhadoras do 7º Grupo, o  4º Esquadrão do Regimento de Cavalaria n.º 3  e tropas de engenharia (sapadores mineiros e telegrafistas de campanha), administrativos (equipagens e subsistência) e saúde. (41 oficiais, 1.502 praças) (Ordem Serviço do Exército, 1ª Série, 1915, pp. 518-25)


Esta segunda expedição chegou Porto Amélia (Moçambique) a 7 de Novembro de 1915. O comandante da expedição Major José Luís de Moura Mendes nunca tinha servido nas colónias e a sua nomeação estava mais ligada aos seus contactos políticos no Governo da República, do que ligado à sua capacidade militar. As suas ordens eram para defender a fronteira do rio Rovuma e criar uma rede de postos de observação ao longo do rio desde o Oceano Índico até ao afluente rio Lujenda (Paice, 2008:141).

Major Moura Mendes

23/08/1915 – 18/03/1916

O Major Moura Mendes ignorou os avisos do comandante da 1ª Força Expedicionária, quando o avisou da que o Governo de Lisboa lhe estava a pedir e que deveria resolver rapidamente o problema do aquartelamento das tropas no Porto Amélia. Manteve o Quartel-general perto do porto, numa zona insalubre, e por falta de hábitos de higiene das tropas aquarteladas, rapidamente apareceram doenças que também se tornaram epidémicas e atingiram quase todos os expedicionários. Os militares mantiveram-se dentro das fronteiras da colónia portuguesa numa posição defensiva, tendo passado o ano de 1915 sem qualquer contacto com as forças alemãs (Anderson, 2004:100).


A fronteira sul da colónia alemã não atraia a atenção de Lettow e apenas mantinha uma companhia de infantaria, a recentemente formada 20/FK, comandada pelo Capitão Hinrichs, com base em Lindi, de guarda à fronteira com a colónia portuguesa. Esta companhia era apoiada pela companhia "W" formada por irregulares africanos.


Entretanto, a 9 de Julho 1915 as forças militares da África Alemã do Sudoeste rendem-se ao General Botha, e em Lisboa o Governo toma uma atitude menos neutral e ordena a ocupação do "triângulo de Quionga" e a cooperação com as tropas britânicas.


Março de 1916


A 9 de Março de 1916 a Alemanha declarou guerra a Portugal e o Governador Geral de Moçambique, Álvaro de Castro, retoma novamente o objectivo de reocupar o Quionga, de invadir a colónia alemã até ao rio Rufigi e de colaborar com as tropas britânicas solicitado. Abre-se um conflito entre o comandante da 2ª Força Expedicionária de Moçambique, Major Moura Mendes e o Governador Geral, chegando ao limite do Governador não se interessar por entender a realidade e apenas forçar uma acção para satisfazer as pressões políticas. Álvaro de Castro afirmou: "Lisboa não estava interessada no que era possível, apenas em vitórias gloriosas" (Paice, 2008:141).


Os combates no norte da África Oriental Alemã estavam a tornar-se satisfatórios para os britânicos e Von Lettow-Vorbeck, sabia que isso poderia ditar o destino da colónia alemã. Von Lettow-Vorbeck também sabia que independentemente da força militar que os portugueses conseguissem juntar, estas nunca lhe iriam criar problemas. No entanto, chegavam-lhe notícias de que Lisboa cada vez mais dava instruções ao comando das tropas colónias e expedicionárias para organizar a defesa da colónia contra incursões alemãs, mas também tinha conhecimento que no terreno não se estava a concretizar a construção das infra-estruturas  defensivas necessárias. A colónia de Moçambique continuava a ser um ambiente hostil para as tropas europeias e continuava a não existir vias de comunicação, por muito rudimentares que fossem, para permitir um rápido movimento de tropas e abastecimentos.


Em fins de Março organizou-se em Porto Amélia um pequeno destacamento, sob o comando do Major Portugal da Silveira, com uma companhia do Regimento de Infantaria n.º21, uma bateria de artilharia de montanha (m/82) e um pelotão de cavalaria, tendo por fim ocupar Quionga e fazer um reconhecimento ofensivo na direcção de Mikindani, Lindi. O destacamento foi transportado, em princípios de Abril, no vapor "Luabo", até Palma, onde incorporou forças indígenas. O Major Portugal da Silveira marchou ao longo do litoral de Palma até Quionga, cerca de 12 quilómetros, com as referidas forçull as e uma companhia indígena, ocupando, am 10 de Abril de 1916, a localidade que se encontrava abandonada pelos alemães, deixando no entanto algumas trincheiras construídas. A 23 de Abril as restantes forças expedicionárias foram transportadas a bordo do vapor "Limbo" de Porto Amélia para Palma.


De seguida procedeu-se à ocupação de todos os postos militares alemães que se encontravam na margem direita do rio Rovuma: Namaca, Namiranga, Namôto, Nachinamoca e Nhica, os quais passavam a ser a base defensiva da colónia, numa linha que se estendia por 50 km desde a foz do rio. Em frente na margem esquerda do rio ficavam os postos militares alemães de Fábrica, Migomba, M'chinga, Marunga e Tchidia.


Abril de 1916


A 23 de Abril os alemães iniciaram incursões militares para recuperar o Quionga, através de ataques sucessivos aos postos militares portugueses, mas que não tiveram êxito da a concentração e actividade das forças expedicionárias portuguesas. Os alemães abriram fogo de metralhadora sobre o posto de Namôto e o pelotão praças indígenas (landins) e os graduados europeus fugiram para Quionga. O pelotão foi reorganizado e enquadrado por outros graduados que contra-atacaram e reocuperaram o posto de Namôto.


Maio de 1916


A 7 de Maio o posto de Namôto, então guarnecido com duas peças de artilharia vindas de Quionga, bombardeou os postos alemães de Fábrica e de Naurunga.

A 18 de Maio o Governador Geral Álvaro de Castro embarcou em Lourenço Marques para o Rovuma acompanhando os reforços que conseguira mobilizar na Colónia, formando uma companhia europeia de infantaria montada da Guarda Republicana de Lourenço Marques e uma companhia indígena da mesma unidade (a qual era considerada de elite, tendo todos os seus oficiais o curso da sua arma), outra companhia indígena e uma bateria de artilharia de montanha.


Em 27 de Maio dá-se o combate de Namaca. As forças expedicionárias portuguesas, reforçadas por forças da Guarda Republicana de Lourenço Marques, levadas para o Norte pelo governador Álvaro de Castro, tentam a passagem do Rovuma sendo impedidas violentamente pelas forças alemãs.

Combate de Namaca


A 19 de Maio chegou à foz do rio Rovuma o Cruzador "NRP Adamastor" e a Canhoneira "NRP Chaimite" que colaboraram activamente com as forças expedicionárias. Uma pequena força de marinha desembarcou junto do posto alemão Fábrica e incendiou tudo quanto era combustível, palhotas e cercados, sem que o inimigo disparasse um tiro.


A 23, tentou a marinha, com as suas lanchas, novo desembarque no mesmo posto, mas foi alvejada pelas metralhadoras alemãs, pelo que teve de retirar com três mortos e seis feridos. Foi então resolvido tentar-se a passagem do Rovuma, em força e assim a 27 de Maio, forçou-se a a passagem, sob o comando do Major Moura Mendes, assistindo o Governador Geral Álvaro de Castro de bordo do cruzador Adamastor. Foi um ataque coordenado entre forças da marinha que tinham por missão um desembarque e forças do exército que tinham por missão atravessar o rio mais a montante. O ataque foi repelido pelos alemães após várias horas de combate, tendo-se verificado 3 oficiais e 30 praças mortos, 4 oficiais e 20 praças feridos e 2 oficiais e 6 praças prisioneiros. Representou um grande esforço, bem executado, mas mal sucedido.


Este insucesso paralisou a 2.ª expedição durante quatro meses e inutilizou a sua acção ofensiva, mantendo-se contudo a reocupação da margem sul do Rovuma. Verificaram-se numerosas acções neste período, tendo esses pequenos combates o mesmo aspecto do ataque alemão ao nosso posto de Maziúa. 


Pequenas forças alemãs vinham atacar os nossos postos desde o Oceano Índico até ao Lado Niassa e com fortuna vária terminavam os assaltos, que não podiam ter continuidade em vista do isolamento dos postos, mas conseguiam do lado alemão manter o espírito ofensivo, enquanto do nosso lado nos enervavam fazendo-nos enfraquecer o espírito combativo. 

O Governador Geral Álvaro de Castro, com o seu entusiasmo patriótico, iludira-se dando ao valor numérico das tropas uma capacidade ofensiva que a expedição estava longe de atingir. Foi ele que deu o maior impulso para a imediata passagem do Rovuma, antes mesmo de chegar a Guarda Republicana de Lourenço Marques, que era a tropa com melhor espírito de corpo. Ele também contrariou o telegrama de Lisboa em que se aconselhava não iniciar a ofensiva antes da chegada ao Rovuma das forças expedicionárias, que nesse mês de Maio deviam embarcar em Lisboa. Do insucesso da tentativa resultou maior prudência e demoradas preparações para a passagem do rio que ia tentar-se novamente em Setembro próximo. 

Governador Geral Álvaro de Castro

3ª Força Expedicionária de Moçambique - Maio 1916

General Ferreira Gil

A 25 de Maio de 1916 foi decretada uma terceira expedição, desta vez comandada pelo General Ferreira Gil. A 3ª Força Expedicionária de Moçambique era formada por três batalhões de infantaria, respectivamente: Regimento de Infantaria n.º 23 de Coimbra, Regimento de Infantaria n.º 24 de Aveiro e Regimento de Infantaria n.º28 Figueira da Foz.  3 baterias de metralhadoras, 3 baterias de artilharia de montanha, uma companhia mista de sapadores-engenheiros, telegrafistas e pontoneiros, elementos de serviços de saúde, administrativos e de transporte no total  de 159 oficiais, 4.483 praças e 945 solípedes. Acrescia, ainda duas companhias de Guarda Republicana com um total de 460 homens.


Foram ainda enviados 432 praças do Regimento de Infantaria n.º 21, nos termos do Regulamento Disciplinar, por se terem insubordinado. Estes homens formavam duas companhias, só com 8 sargentos castigados e sem enquadramento de oficiais, tendo a particularidade de se apresentarem em África sem capacetes de feltro e só com os fatos de mescla com que deviam ter seguido para França.

Julho de 1916


A 5 de Julho de 1916 a força expedicionária chegou a Palma, a Sul de Quionga. O General Ferreira Gil ao inspeccionar as tropas que restavam da expedição anterior, encontrou uma situação deplorável de sobrelotação de doentes no hospital, falta de condições de sanitárias nos aquartelamentos e as tropas com uma situação de desmoralização geral. Cerca de 75% das tropas da expedição anterior estavam incapazes para combate devido a doença.  Reconhecendo se que as tropas europeias resistiam mal ao clima, o General Ferreira Gil foi forçado a organizar dez companhias indígenas com uma instrução rudimentar de quatro meses, quando, de acordo com as tradições coloniais, eram precisos quatro anos para formar um bom soldado indígena. 


O porto de Palma continuava a ser um lugar insalubre e quanto mais tempo as tropas aí estivessem estacionadas mais sofreriam de malária. Juntando isto à situação das tropas da nova expedição também apresentarem baixa capacidade física e insuficiente treino militar, o exército português encontrava-se incapaz de combater (Anderson, 2004:136).


Entretanto, os ingleses, com o apoio de tropas sul-africanas que se encontravam disponíveis desde a conquista do Sudoeste Africano Alemão, lançam uma grande ofensiva, vindo do Norte, que teve início em Março de 1916 e termina quando expulsão os alemães da parte norte da colónia alemã, tomando-lhes o grande caminho de ferro central, de 1.268 quilómetros, que ligava o Oceano Índico ao Lago Tanganica, e ocupando a capital administrativa da colónia Dar-es-Salam, em 4 de Setembro de 1916. Os belgas que também lutavam na zona do Lago Tanganica, também conseguiram uma vitória importante sobre os alemães ao entrar em Tabora, capital da colónia política da colónia a 19 de Setembro de 1916.  


Junho de 1916


Na fronteira a Oeste do rio Lugenda a presença das forças expedicionárias era nula, o que permitiu que durante todo o mês de Junho os atacassem sem dificuldade os postos deMacaloja, Namoca, Nachinamoca, Negomano, Nangadi, obrigando a que as guarnições aí presentes tivessem de retirar para sul.


Agosto de 1916


A 1 de Agosto as forças alemãs atacaram o posto de Nangadi, cuja defesa foi efectuada pelo Capitão Francisco Curado, com a 21ª Companhia Indígena (constituída por landins e macúas), um pelotão da 1ª Companhia Indígena (comandado pelo Tenente Reis Pereira) e 16 praças do Corpo de Polícia do Niassa (comandada pelo 1º Cabo Vieira). O combate durou perto de 2 horas, o ataque foi repelido e o inimigo contra-atacado, tendo as nossas tropas sofrido inúmeras baixas.


O Posto de Nangadi era estratégico para ser um centro de comunicações. No "livro de Ouro de Infantaria" é referido que apesar das falhas de tiro provocadas pela baixa qualidade das munições e antiguidade do armamento, e uma constante pressão das metralhadoras inimigas, os oficiais mantiveram a moral e disciplina das tropas indígenas. Foi utilizada a técnica do saco de terra individual para diminuir as baixas e fogo por descargas feitas à voz de comando, de tal forma calmo, regular e preciso, que o inimigo retirou em desordem e com graves perdas (Infantaria, 1922: 166-7).


Em cumprimento das ordens recebidas de Lisboa, invasão da colónia alemã e conquista da facha litoral até Mikindani, o General Ferreira Gil deu ordem para que se iniciassem, em 15 de Agosto de 1916 ,os primeiros reconhecimentos sobre o rio Rovuma, para identificar a localização de um vau para passar as tropas de invasão. Houve fogo trocado entre as margens, tendo morrido um cabo do Batalhão de Infantaria 21. Foi o Alferes Pais de Ramos, que comandava o Pelotão da Guarda Republicana que trouxe a informação sobre a descoberta do vau ao Quartel-general.


Outros reconhecimentos se mantiveram até Setembro tendo sido marcados os vaus de Nacoa, Namoto e Mazíua. Junto à foz do rio Rovuma existia um estreito contacto com o inimigo, havendo com frequência troca de tiros.


Setembro de 1916


Execução do Plano de Invasão - Objectivo Lindi


Foi dado ao aliado britânico a indicação que iríamos cooperar com as "Colunas do Norte" através da invasão do território alemão através da zona litoral a norte do Rovuma, numa marcha em direcção de Mikindani até Lindi, para onde se transferiria a base marítima de Palma. Na prática reajustar a fronteira de Moçambique para o rio Lukuled. 


Assim enquanto em Namôto se fazia a concentração das forças para atravessar o Rovuma, 40 Km mais acima a "Coluna Negra" a 16 de Setembro fez um reconhecimento no vau de Mayembe e a 17 de Setembro um reconhecimento no vau de N'hica, tendo acontecido em ambas as situações trocas de tiros com o inimigo. Esta coluna era constituída por uma secção de TSF, um pelotão de infantaria montada (comandada pelo Alferes Carlos Selvagem), uma divisão de Artilharia de Montanha, uma companhia europeia do Batalhão de Infantaria 23, uma bateria do 4º Grupo de Metralhadoras (comandado pelo Capitão Zilhão) e as companhias indígenas 19ª, 21ª (comandada pelo Capitão Francisco Curado) e 23ª. Comandava a coluna o Capitão Liberato Pinto (Estado-maior).


A 18 de Setembro, a 21ª Companhia Indígena, comandada pelo Capitão Francisco Curado, e suportada pelo pelotão de infantaria montada, efectuou um novo reconhecimento junto do rio Rovuma, para a passagem da "Coluna Negra", tendo acontecido novo contacto com patrulhas inimigas, que foram prontamente repelidas pela força de reconhecimento. Esta coluna destinava-se a cobrir o flanco esquerdo da coluna principal que se preparava para atravessar o rio Rovuma junto a Namôto, através do vau de N'hica.


A19 de Setembro, às 5 horas da manã, foi iniciada a travessia do Rovuma (vau de N'hica) pela força principal portuguesa, dando início à invasão da África Oriental Alemã. A força era constituída por 4.000 homens, 10 metralhadoras e 14 peças de artilharia de fogo rápido, organizadas em três colunas e uma reserva geral, comandada pelo General Ferreira Gil.


A coluna do lado jusante do rio compunha-se por: um pelotão de Sapadores Mineiros, uma divisão de Artilharia de Montanha, uma bateria do 5º Grupo de Metralhadoras, três companhias do Batalhão de Infantaria 24 (europeus) e a 25ª Companhia Indígena, e era comandada pelo Major Pires, auxiliado pelo Capitão Mesquita (Estado-maior).


A coluna central compunha-se da Guarda Republicana de Lourenço Marques, uma bateria do 7º Grupo de Metralhadoras, três companhias do Batalhão de Infantaria 23 (europeus), e era comandada pelo Major Aristides Cunha, auxiliado pelo Capitão Brito (Estado-maior).


A coluna a montante compunha-se da 2ª bateria do 8º Grupo de Metralhadoras, a 22ª Companhia Indígena, três companhias do Batalhão de Infantaria 28 (europeus), a escolta do Quartel-general, e era comandada pelo Major Lobo, auxiliado pelo Capitão Machado (Estado-maior).


A reserva geral, que dependia do Quartel General era composta por uma companhia do Batalhão de Infantaria 24 (europeus), uma companhia do Batalhão de Infantaria 28 (europeus), uma companhia indígena e diversa cavalaria e artilharia (Cértima, 1924:82-90).


A travessia foi apoiada por fogo da Artilharia de Montanha e pelo fogo de metralhadora e de artilharia do "NRP Adamastor", que se tinha colocado na foz do rio. Existiram ainda outras acções de diversão a montante de N'hica, perto de Mocimboa do Rovuma, comandada pelo Capitão Torre Vale de Infantaria. Pelas 14 horas a margem esquerda do Rovuma estava ocupada, tendo a forças portuguesas acampado em Migomba, perto do local de travessia e aí se fortificaram e mantiveram longamente até 14 de Outubro, porque entretanto as forças do General Jan Smuts tinham ocupado as localidades litorais de Mikindani e Lindi, como um plano para impedir os portugueses de virem a reclamar territórios na colónia alemã.


Nestas situação o General Ferreira Gil decide estudar um avanço em direcção ao distrito de Mahenge, com o objectivo de ir ocupando o território conforme avançava (Anderson, 2004:164-6).  Ficou então, por solicitação dos ingleses, determinado um primeiro objectivo, a tomada de Songea, uma localidade interior perto do lago Niassa e junto da nascente do rio Rovuma. No entanto a incapacidade de fazer avançar uma  força portuguesa de ataque, aumentou a já existente deterioração das relações Anglo-Portuguesas, ou seja, entre o General Ferreira Gil e o General Jan Smuts.  Os ingleses acabam por ocupar eles próprios a localidade de Songea.


Entretanto a 25 de Setembro, o Capitão Liberato Pinto é apontado para uma nova missão, comandar uma coluna de exploração a Nevala e com ele parte a "Coluna Negra" (Cértima, 1924:106).


Outubro de 1916


Execução do Plano de Invasão - Objectivo Massassi


O Capitão Liberato Pinto, ao comando da "Coluna Negra", partiu de Migonba em direcção a Nevala. Esta força de exploração era constituída por duas companhias indígenas (a sua 23 e a 21 do Capitão Francisco Curado), uma companhia da GNR de Lourenço Marques (do Capitão Bivar), um pelotão de infantaria a cavalo, uma divisão de artilharia  e uma bateria de metralhadoras (Capitão Zilhão). Sabia-se que Nevala era um centro administrativo e de recrutamento da colónia alemã e que estava guarnecido com 18 europeus e 300 askaris (Cértima, 1924:106).


Ainda em Setembro começaram a ser retiradas tropas da zona ocupada em Migomba, num movimento progressivo de abandono da zona, e começava a preparação da coluna de avanço sobre Massassi, a "Coluna de Massassi", sob o comando do Major José Pires do Batalhão de Infantaria 24, composta por duas companhias de indígenas, uma divisão de artilharia e duas baterias de metralhadoras.


Combate de Mahuta


Entretanto, no dia 5 de Outubro tinha-se dado o combate de Mahuta.  A força de exploração comandada pelo Capitão Liberato Pinto, foi surpreendida por uma força alemã que se tinham emboscado, encimada por um terreno escarpado num flanco e por uma floresta densa por outro. O pânico inicial foi ultrapassado pela valentia da bateria de metralhadoras que que progressivamente fez acalmar o fogo inimigo e que permitiu a progressiva reorganização da força de combate (Cértima, 1924:112).


Foi travado um duro combate em que morreram o Alferes Camisão, um sargento, um cabo europeu e 30 soldados indígenas, tendo sido feridos o Capitão Zilhão, um sargento e 12 soldados indígenas. O inimigo também sofreu pesadas baixas. Os combates duraram mais de 6 horas, entre as 15 horas e o anoitecer. A força de exploração no final do dia, ao anoitecer, encontrava-se exausta e sem água, refira-se que tiveram de usar água mineral e urina para refrigerar as metralhadores. Aproveitando a noite retiraram para a margem norte do rio Rovuma (Sikumbiriro) onde se entrincheiraram a aguardar a chegada da "Coluna Massassi" que continuava a avançar (Guedes, 1938:36-7).


Seguiu uma outra coluna de Migomba no encalço das duas primeiras, comandada pelo Major Gama Lobo, composta por duas companhias do Batalhão de Infantaria 28 (europeu), uma divisão de artilharia e uma bateria de metralhadoras. Chegou ao encontro da "Coluna Massassi" a 15 de Outubro, em Sikumbiriro. A partida desta terceira coluna esteve directamente relacionada com o resultado do combate de 5 de Outubro em Mahuta.


A 18 de Outubro o Major José Pires que comandava a "Coluna de Massassi" inicia o avanço sobre Nevala, ao longo da ribeira de Nevala, em duas colunas. A da direita comandada Major Gama Lobo, constituída por duas companhias do Batalhão de Infantaria 28 (europeus), duas companhias indígenas a 23ª e a 24ª, e a Infantaria Montada. A da esquerda comandada pelo Capitão Bivar da GNR, constituída por uma companhia da GNR e a 21ª Companhia Indígena comandada pelo Capitão Francisco Curado. Em apoio seguiam as secções de metralhadoras, as peças de artilharia os restantes serviços de apoio logístico.


Entretanto saiu de Mocimboa do Rovuma, o Coronel Azambuja Martins, chefe de Estado-maior da força expedicionária a Moçambique, com uma força constituída pelo  4º Esquadrão do Regimento de Cavalaria 3, dois pelotões da 17ª Companhia Indígena, um pelotão da 22ª Companhia Indígena e uma bateria de metralhadoras do 5º GM (6 peças) (Martins, 1934:163).


No dia 21 de Outubro encontram os primeiros inimigos, tendo feito dez prisioneiros (2 europeus e 9 askaris) e trocado alguns tiros com patrulhas alemãs. No entanto desde o início do avanço verificava-se uma grava situação de abastecimento da "Coluna Massassi".


Tomada de Nevala


Em 24 de Outubro os alemães que estavam a proteger os poços de abastecimento do forte de Nevala foram atacados pelas as forças do Coronel Azambuja Martins, que os tomaram após a fuga das forças alemãs. Aqui ficaram entrincheirados até 26 de Outubro.


Em 25 de Outubro as forças do Major Pires ocupam N'mitema, posto avançado de Nevala, sem resistência e sem sinal de alemães.


Em 26 de Outubro o pavilhão imperial alemão foi retirado de Nevala e levantada a bandeira da República.  Concentraram-se neste local as forças Major José Pires (Coluna de Massassi), Major Gama Lobo (reforço) e do Coronel Azambuja Martins (reforço). Refira-se que Nevala ficava em território indígena pertencente à etnia Makonde, hostil aos portugueses.


Para perseguir o inimigo em direcção a Massassi foram nomeadas as duas companhias do Batalhão de Infantaria 28, a 23ª Companhia Indígena, a 24ª Companhia Indígena, um pelotão do Regimento de Cavalaria 3 e um pelotão de Infantaria Montada. Os alemães foram perseguidos durante 10Km, até que ofereceram resistência numa barragem entretanto montada na estrada para Massassi. A força de perseguição retornou a Nevala.


Entretanto, o comando da "Coluna Massassi" passa do Major José Pires para o Major Leopoldo Silva.


Novembro de 1916


A 3 de Novembro parte uma coluna de abastecimentos de Palma para a "Coluna Massassi", escoltada por três pelotões da 11ª Companhia Indígena e uma companhia do Batalhão 28, comandadas pelo Capitão José Pereira (Cértima, 1924:124-5).


O Major Leopoldo Silva, oficial de artilharia, consultou o Capitão Francisco Curado, para se inteirar da situação das tropas e da capacidade ofensiva, tendo ficado consciente da situação precário em que se encontravam. No entanto, de acordo com o dever militar sentiu-se obrigado a cumprir as ordem do Governo de Lisboa e de Moçambique e marchar sobre Massassi (Martins, 1934:166).


A 8 de Novembro a "Coluna de Massassi" comandada pelo Major Leopoldo Silva, deu iniciu ao avanço sobre Massassi. Era constituída por 347 praças europeias e 399 praças indígenas, sob o comando de 23 oficiais. Dispunha de 4 metralhadoras e duas peças de artilharia. A guarda avançada era comandada pelo Capitão Melo de Engenharia, com uma patrulha de exploração, com alguns cavaleiros e landins comandados pelo Alferes Craveiro Lopes.


O Combate de Kiwambo


Ao meio-dia iniciam-se os primeiros tiros do combate de Quivambo (Kiwambo), na estrada de Lulindi. A frente de combate formou-se com duas companhias, a 22ª Companhia Indígena sob o comando do Tenente Geminiano Saraiva e pela 21ª Companhia Indígena sob o comando do Capitão Francisco Curado. A troca de fogo de infantaria e metralhadoras com o inimigo foi intenso. O comandante da "Coluna de Massassi", o Major Leopoldo Silva foi gravemente ferido, tem mais tarde morrido por causa dos ferimentos. Como não estava definida a sucessão de comando, verificou-se uma situação de indecisão e começou-se a preparar a retirada.


Entretanto, o adjunto do Chefe do Estado-maior, Tenente Salvador França,  propôs ao Capitão Francisco Curado que avança-se, manobra que realizou com o apoio do pelotão da Guarda Republicana, sob o comando do Tenente Arez. Durante o avanço conseguiu contactar as forças do Alferes Monteiro Leite e Craveiro Lopes, que se tinham infiltrado dentro da posição inimiga. Às 17 horas o Capitão Francisco Curado ordenou o assalto final sobre as tropas alemãs, que foi executado ao canto guerreiro dos soldados do 21ª e 22ª Companhias Indígenas e pelo pelotão da Guarda Republicana de Lourenço Marques. As forças alemãs abandonaram a posição que foi ocupada até dia 19 de Novembro.


A 15 de Novembro, após a morde do Major Leopoldo Silva, assume o comando da "Coluna de Massassi", o Major Aristides Cunha. Este a 19 de Novembro decidiu retirar para Nevala, terminando com a ofensiva sobre Massassi, considerando que a coluna estava exausta e com dificuldades no abastecimento (Guedes, 1938:40-1).


O Cerco de Nevala


Em 22 de Novembro os alemães iniciam o ataque a Nevala. As forças alemãs, que se encontravam reforçadas por marinheiros  do cruzador Koenigsberg, atacaram à baioneta e conquistaram o posto de água que se encontrava fora da zona fortificada de Nevala. Em seguida iniciaram o cerco das forças portuguesas.


A 26 de Novembro os alemães a coberto de bandeira da Cruz Vermelha, enviaram um oficial para indagam sobre um ascari, mas que na prática encobria um reconhecimento das nossa posições para melhor regular o tiro da artilharia. No dia 27 de Novembro verificou-se que a artilharia alemã tinha redobrado a eficácia, mas ao identificar um observador alemão no cimo de uma arvore, este foi abatido por um atirador especial e o tiro de artilharia diminuiu de imediato. Entretanto uma coluna portuguesa de socorro que se aproximava foi rechaçada pelas forças alemãa (Guedes, 1938:42-3).


A 28 de Novembro a partir de Mahuta, foi organizada uma coluna de socorro comandada pelo Capitão Benedito de Azevedo, que incorporava os homens que tinham escapado, dias antes, do ataque aos poços de água de Nevala. Era composta por 11 oficiais e 252 praças entre europeus e indígenas. O plano, entretanto transmitido via TSF para as tropas sitiadas em Nevala, que compunha uma coordenação entre as duas forças por forma a quebrar o cerco. Apesar dos ataque efectuados, que incluíram uma carga à baioneta e de ainda ter saído de Nevala um pelotão da 22ª Companhia Indígena, não foi possível romper o cerco.


Sem possibilidade de manter a posição o comandante das forças portuguesas, Major Aristides Cunha, decidiu pela retirada a 28 de Novembro. Assim pelas 22 horas, saíram em coluna, por um caminho no meio do mato em direcção ao Rovuma. Foi necessário destruir tudo o que não era possível transportar. Durante a retirada que se transformou em fuga, 21ª Companhia Indígena, comandada pelo Capitão Francisco Curado, manteve a guarda da retaguarda e a coesão táctica, impedindo a perseguição das forças alemãs.


O Capitão Francisco Curado, que com a sua companhia mantinha algum contacto com as forças alemãs, após atravessar o Rovuma, não se dirigiu para a base de Palma, mas sim para Sul, de modo a desviar as forças alemãs desta local. A base marítima de Palma estava apenas defendida por um posto militar.


Dezembro de 1916


A 1 de Dezembro o  posto de Nagandi foi incendiado por fogo de artilharia alemão, utilizaram uma peça de 105mm retirada do Cruzador Koenisberg, impedindo que se organizasse ali uma linha de defesa de Moçambique. Entretanto, as forças alemães recolhem ao interior da sua colónia e os postos militares portugueses a sul do Rovuma, são novamente ocupados e militarizados. Todos os pontos ocupados na zona alemã foram abandonados.


Chega a época das chuvas torrenciais (entre Outubro e Abril) e com a subida das águas, o rio Rovuma tornou-se um obstáculo militar intransponível. Foi o fim da campanha de 1916.


Durante o mês de Dezembro, fundearam sucessivamente três cruzadores ingleses na Baía de Palma, tendo um deles um avião que efectuou um reconhecimento fotográfico das zonas dos postos militares portugueses.


Foi adoptado um sistema defensivo centrado no Alto da Serra, na crista militar do planalto da margem Sul do Rovuma. Mantive-se um sistema defensivo centrado em patrulhas e na abertura de vastos campos de tiro.


O General Ferreira Gil adoeceu gravemente e foi autorizado a regressar à Metrópole. entretanto o Governador Geral, Álvaro de Castro, assumiu o comando oficial das forças militares por Decreto n.º 2924 de 4 de Janeiro de 1917, data em que o General embarcou para Lisboa.


1917


Fevereiro de 1917


Em finais de Fevereiro de 1917, o General alemão Max Looff fez averiguações secretas no território do Planalto Maconde até ao rio Lugenda e obteve a informação que a zona era muito rica em comida e que a população não era hostil aos alemães.


Abril de 1917


Terminada a época das chuvas os alemães começaram de imediato a atacar a zona fronteiriça do Rovuma, aproveitando-se da falta de entendimento entre os comandos das tropas portuguesas e das inglesas. Refira-se que os oficiais ingleses, que se encontravam em Lindi, se expressaram efusivamente pela derrota que os portugueses sofreram em Nevala (Paice, 2008:319).


1ª Invasão Alemã de Moçambique (Abril-Setembro de 1917)


Desde Fevereiro que eram lançados repetidos ataques sobre o posto de Negomano e outros postos militares de fronteira, mas em Abril o Major Kraut marchou sobre Moçambique, enviando o Capitão von Bock ,para Este, à procura de abastecimento o que alarmou da possibilidade de vir a haver um ataque alemão sobre Porto Amélia, e enviando o Major von Stuemer, para Oeste, à procura de abastecimentos na zona do lago Niassa.


As patrulhas do destacamento Stuemer que invadiram a colónia de Moçambique entre Abril e Setembro de 1917 estiveram claramente incumbidas de obter armamento, víveres e demais suplementos que a Schutztruppe necessitava no confronto com as forças inglesa e belga, cuja progressão na colónia alemã ia reduzindo os depósitos e os campos de víveres até então à disposição de Lettow-Vorbeck. 


Atravessado o Rovuma, Von Stuemer apoderou-se do posto de Mitomoni, e em poucas semanas ocupou toda a região dos ajauas e respectiva periferia: Mataca, Metarica, Serra Mecula, Mwembe, Mluluca, Maúa e Mandimba.


Estes mesmos territórios viriam a ser invadidos uma segunda vez entre Novembro de 1917 e Abril de 1918 por tropas directamente sob o comando do General von Lettow-Vorbeck.


Neste período, os portugueses enfrentavam a revolta do Barué, na Zambézia, situação que não foi aproveitada pelos alemães. A zona fronteiriça ao longo do Rovuma estava quase despovoada de europeus, o que permitiu aos alemães negociar a passagem das tribos nativas para o lado alemão.


Agosto de 1917


Entretanto foi passada a base de operações militares de Palma para Mocimboa da Praia, e iniciaram-se os trabalhos para receber a 4ª Força Expedicionária.


Relativamente às condições de saúde das forças portuguesas europeias estacionadas em Moçambique, verificava-se que quase todos sofriam de malária, disenteria ou sífilis, que as tropas indígenas não eram pagas há meses, e que os carregadores sofriam de pneumonias e gripes, porque dormiam ao relento sem terem sequer um cobertor (Paice, 2008:326-23).

4ª Força Expedicionária de Moçambique - Setembro 1917

Coronel Sousa Rosa

Entre Janeiro e Setembro de 1917, o Governador Geral  Álvaro Castro assumiu o comando militar de Moçambique. Entretanto houve a necessidade de dominar uma revolta indígena no Barué.


Em 12 de Setembro o Coronel Sousa Rosa, oficial enérgico mas sem experiência colonial, assume o comando da 4ª Expedição.


A 12 de Setembro de 1916 foi decretada uma quarta expedição, desta vez comandada pelo Coronel Sousa Rosa. A 4ª Força Expedicionária de Moçull ambique era formada por três batalhões de infantaria, respectivamente: Regimento de Infantaria n.º 29 de Braga, 30 de Bragança e 31 do Porto.  baterias de metralhadoras, 2 baterias de artilharia de montanha, uma companhia mista de sapadores , engenheiros, telegrafistas e pontoneiros, elementos de serviços de saúde, administrativos e de transporte no total  de 209 oficiais, 5.058 praças. Foram ainda enviados mais 108 oficiais e 4.401 praças para reforço das tropas enviadas em expedições anteriores. Foram, ainda, enviados quadros para organizar 20 companhias indígenas e um esquadrão de cavalaria, 55 camiões de transporte, 4 postos de telegrafia sem fios e uma esquadrilha de aviação (3 aviões monomotores Farman).

O comando do Coronel Sousa Rosa não obteve qualquer eficácia, não compreendendo as condições do terreno e do clima, as suas medidas apenas provocaram a desmoralização dos oficiais e praças. Sem melhorar as condições de higiene, levou ao limite de deixar aniquilar todo o batalhão do Regimento de Infantaria n.º 31 do Porto, por doenças, sem o ter feito sair da base marítima de Mocimboa da Praia.


A 20 de Setembro o Major Teixeira Pinto, saiu de Chomba, com uma coluna constituída por 4 companhias indígenas e uma bateria de metralhadoras, tendo chegado a Negomano a 13 de Outubro.


Outubro de 1917


Em Outubro já todas as tropas alemãs tinham saído do território português e encontravam-se a combater com as forças inglesas.


Novembro de 1917


A 21 de Novembro as forças alemãs sob o comando de Lettow-Vorbeck retiram de Nevala, onde se encontravam quase cercadas e em combate com os ingleses, e dirigem-se para a fronteira portuguesa de Moçambique, o que vem a provocar a 2ª Invasão Alemã de Moçambique.


Combate de Negomano - 1917


O posto militar português de Negomano situava-se na margem sul do rio Rovuma, junto a um vau que dava passagem para Norte, no local onde o rio rio Lugenda se ligava com o rio Rovuma. O posto militar era comando pelo Major Teixeira Pinto e guarnecida por cinco companhias indígenas:  25ª, 26ª, 27ª, 28ª e 29ª, a 3ª Companhia da Beira (europeus) e, ainda, seis metralhadoras. Parte destas forças tinham chegado a este posto militar alguns dias antes, sob o comando do Major José Virgolino Quaresma (duas companhias e duas metralhadoras), em cumprimento de ordens emanadas do Estado-maior do Coronel Sousa Rosa, que estavam de acordo  uma solicitação do comando inglês para aí se estabelecerem e impedirem que os alemães travessassem o rio Rovuma (Lettow-Vorbeck, 1920:232). O posto militar também servia de depósito de munições e mantimentos, o que o tornou um objectivo importante para os alemãs. A coluna do Major Quaresma encontrou o perímetro militar muito mal preparado, sem campo de tiro desobstruído, que classificou de desleixo (Santos, 1961:133).


A força principal alemã, comandada pelo General Lettow-Vorbeck era composta por 9 companhias. O corpo principal do exército alemão seguia atrás a dois dias de marcha. Três companhias comandada pelo Capitão Goering atravessaram mais a jusante do rio Rovuma para fazer um envolvimento pela esquerda e surpreender o posto militar vindo do Este. Três companhias comandadas pelo Capitão Koehl fizeram um envolvimento pela direita, a montante do rio Rovuma, tendo atravessado do rio Lugenda, para surpreender o posto militar vindo do Sul (Lettow-Vorbeck, 1920:229-31).


A 25 de Novembro o posto de Negomano foi atacado pelos alemães.  Encontravam-se ainda os alemães na margem Norte do rio, quando ao meio dia foi estabelecido o primeiro contacto, tendo havido troca de tiros e a patrulha portuguesa retirado para o posto militar.


Seguiu-se um ataque executado por uma Companhia Indígena portuguesa sobre as tropas alemãull ‹s, aproveitando o momento crítico em que estas ainda se encontravam a atravessar o rio Rovuma, obrigando os alemães a recuar para a margem Norte, tendo estas retirado de seguida para o posto militar. Às 12 horas e 45 minutos os alemães abriam fogos com uma peça de artilharia de montanha  sobre o dispositivo português, cujos entrincheiramentos se demonstraram insuficientes para suportar fogo da artilharia.


Logo no início do fogo inimigo o Major Teixeira Pinto aproximou-se da frente de combate, tendo comandado várias salvas de tiro de infantaria, mas foi atingido por tiro de metralhadora, tendo morrido após alguns minutos. Assumiu o comando das forças o Major José Quaresma (Santos, 1961:147).


O dispositivo português era formado em semicírculo, apoiado a Oeste sobre o rio Lugenda, que simultaneamente estava coberto por uma densa floresta. Este obstáculo, demonstrou ser mais uma oportunidade para os alemães efectuarem uma aproximação sem serem detectados do que ser uma protecção contra um ataque de flanco. A posição estratégica dos portugueses apresentava condições e posições de defesa péssimas, como no fundo de um prato, ocupando o inimigo os bordos.


Os alemães executaram um ataque simultâneo vindo das quatro direcções. O ataque vindo do Norte foi sustido com o fogo de metralhadora. Refira-se que a inexistência de morteiros e o som das espingardas revelaram aos alemães que no posto militar apenas existiam tropas portuguesas.


O destacamento comandado pelo Capitão Koehl, composto por três companhias de askaris, que tinha atravessado a coberto da floresta o rio Lugenda, a um quilómetro do acampamento, atacou as posições portuguesas vindos do Sul. A partir deste sinal de ataque, todas as outras forças agiram formando um ataque generalizado vindo de todas as direcções. Foram 15 companhias alemãs (9 General Lettow-Vorbeck, 3  Capitão Goering e 3  Capitão Koehl) que caíram simultaneamente sobre as 6 companhias do Major Teixeira Pinto.

Este ataque surpreendeu e a 28ª Companhia Indígena acabou por recuar desmoralizada abrindo uma brecha no sistema defensivo. Pelas 16 horas as forças de Koehl começaram a entrar por este lado. Pelas 17 horas verificavam-se os últimos esforço de defesa, com um pelotão entrincheirado no forte velho e um último contra-ataque do Tenente Pais Gomes.


Em resultado do combate tivemos 5 oficiais mortos, entre eles o Major Teixeira Pinto, 14 europeus e 208 indígenas; mais de 70 feridos graves e 550 prisioneiros dos quais 31 oficiais. Os alemães também capturaram um valioso armazenamento de medicamentos, centenas de quilos de abastecimentos de proveniência europeia, um largo número de armas individuais, 6 metralhadoras, milhares de munições e ainda 30 cavalos. O General Lettow-Vorbeck, após se ter apoderado dos abastecimentos existentes no posto, libertou todos os prisioneiros e seguiu a sua marcha para Sul ao longo do rio Lugenda.


É curioso se torna observar que este segundo combate de Negomano, em 25 de Novembro de 1917, parece suceder ao de Nevala, como se entre os dois não tivesse decorrido um ano. As dificuldades de entendimento com o comando militar inglês, impediram que as forças portuguesas tivéssemos avançado, em ligação com os ingleses, sobre Nevala e fechado o cercado sobre os alemães. A manobra foi proposta aos inglesas, através da utilização de duas companhias portuguesas que atravessariam o Rovuma e atacariam os alemães vindos do Sul, mas os ingleses consideraram essa força insuficiente e a operação não se realizou.


Os ingleses tiveram um conjunto sucessivo de derrotas frente aos alemães que permitiram que estes escapassem de Nevala, onde poderiam ter sido cercados e impedido que viessem a atacar Negomano e se internassem no território português, o que implicou que a guerra em Moçambique se prolongasse até o Armistício (Martins, 1936:174-7).


A incerteza sobre a resolução da ofensiva inglesa e as ordens contraditórias do Estado Maior português fez com que não houvesse uma preparação eficaz  do campo militar e porque os alemães encontraram o posto de Negomano a executar ainda a preparação defensiva do terreno. Também é um facto que tinham chegado reforços há poucos dias ao posto de Negomano e que para além das forças militares se encontrava uma coluna de abastecimento no local.


Há que considerar que o Major Teixeira Pinto sofreu as consequências da incapacidade estratégica do Coronel Sousa Rosa, que a 20 de Novembro ordenou uma alteração da linha defensiva colocada Norte junto ao rio Rovuma para uma linha defensiva para Oeste, Mocimboa do Rovuma-Chomba-Muirite, com os principais bastiões defensivos em Murite, Chomba e Nacatura, só depois é que é organizada a defesa de Mocimboa do Rovuma. Esta alteraçull ão defensiva abriu o território à ofensiva alemã (Costa, 1925:220-1).


Dezembro de 1917


Combate de Serra Mecula - 1917


A força do comandante Wahle que progredia rio Chiulezi acima, em direcção a Mwemba, veio de encontro à Companhia Indígena do Capitão Francisco Curado, apoiada por uma bateria de metralhadoras, que cobria os abastecimentos concentrados em Nanguar. No dia 1 de Dezembro o Capitão Francisco Curado escolheu o local para combater os alemães, que lhe permitia um bom campo de tiro e a construção de um entrincheiramento.


No dia 3 de Dezembro, às 5 horas da manhã deu-se o primeiro contacto com o destacamento alemão de Wahle, que durou 7 horas de fogo e que fez com que os alemães tivessem de retirar com bastantes baixas. No dia 4 e 5 de Dezembro foram melhoradas as defesas e os campos de tiro.


No dia 6 de Dezembro o comandante Wahle voltou a atacar as forças portuguesas, desta vez com mais efectivos e mais metralhadoras. O combate durou de manhã ao por do sol. Durante a noite os alemães aproveitaram a escuridão para se aproximarem, para voltarem a atacar logo de manhã no dia 7 de Dezembro. Foi mais um dia de combate e os alemães foram novamente repelidos.


No dia 8 de Dezembro os alemães trouxeram para o combate duas peças de artilharia, que lhes permitiu cobrir o fogo defensivo das nossas metralhadoras, envolver a nossa posição defensiva e apoderar-se dos abastecimentos da companhia. À 1 hora da tarde tinha terminado o último assalto alemão e o combate terminado. O Combate da Serra Mecula, foi o exemplo de uma resistência tenaz que durou quatro dias, até que a companhia e a bateria de metralhadoras ficaram reduzidas a 36 homens, incluindo a morte em combate do Tenente Viriato de Lecerda. Foi uma das acções mais impressionantes da campanha de Moçambique, dando realce à figura prestigiada do comandante Capitão Francisco Curado, a quem chamaram "O Contestável do Rovuma" (Martins, 1934:177-9).


Os alemães conseguem efectuar a ocupação militar em toda a região compreendida entre Muemba, Chirumba, Luambla, Namuno, Mualia, Montepuez, até ao rio Lúrio, conservando o controlo do território desde Novembro de 1917 até Abril de 1918. Por razões de obtenção de mantimentos, munições e material de guerra, a invasão teve um eixo dirigido de norte para sul, seguindo os postos administrativos e militares portugueses: Negomano, Nanguar, Chirumba, Muembe, Namuno, Montepuez, Mecúfi, Muíte, Malema, Alto Molócué, Ile, Alto Ligonha, Lugela e Namacurra.


A 13 de Dezembro começam a chegar os primeiros transportes ingleses a Porto Amélia começa a morosa organização de uma coluna inglesa, sob o comando do Coronel Rose, enquanto o General Van Deventer se desloca a Lourenço Marques para conferenciar com o governador geral interino, uma vez que Álvaro de Castro tinha regressado a Lisboa. Em Abril de 1918 termina finalmente o desembarque de tropas inglesas, que ficam sob o comando do General Edwards. O contingente levou cinco meses desde o inicio do desembarque até que se tornou operacional. (49) Os mesmos navios transportam as tropas portuguesas que se encontravam em Porto Amélia para a cidade de Moçambique.


A 18 de Dezembro o Governo de Lisboa, (Sidónio Pais), dá autorização à solicitação de 12 de Dezembro do Governo Britânico para desembarcar tropas em Porto Amélia. Mais tarde, a 8 de Janeiro de 1918, é dada acordo para que haja cooperação entre as forças portuguesas e britânicas, configurando-se que o comando seria do chefe mais graduado, organizando-se todavia um Quartel General misto (Martins, 1934:179).


A 27 de Dezembro as forças portuguesas que defendiam a posição nos Montes Oizulos capitula em combate perante o ataque do General Wahle, tendo sofrido 3 mortos e 3 feridos. No final de Dezembro as forças alemães tinham expulsados as tropas portuguesas dos territórios da Companhia do Niassa.


1918


Abril de 1918


A partir de Abril a pressão militar inglesa e a evacuação dos postos administrativos e militares portugueses dos distritos de Moçambique e Quelimane, facilitaram o avanço militar alemão para sul do rio Lúrio, mantendo a estratégia de seguir sempre na direcçull ão onde poderia obter mantimentos, munições e material de militar.


De 1 a 3 de Julho dá-se o combate de Nhamacurra. As tropas alemãs chegando a 40 km de Quelimane, no centro de Moçambique, atacam o depósito de uma grande companhia açucareira, defendido por tropas anglo-portuguesas comandadas pelo tenente-coronel britânico Brown, que é morto.


Em 28 de Setembro as tropas alemãs atravessam de novo o Rovuma, abandonando Moçambique.

No início de Novembro as tropas alemãs entram na Rodésia do Norte.


A 12 de Novembro o comandante alemão Lettow-Vorbeck tem conhecimento do Armistício celebrado na véspera em França, e rende-se.


Julho de 1918


Combate de Nhamacurra – 1918


Os ingleses detinham na zona de Nhamacurra os serviços de segurança e reconhecimento, pelo que as informações prestadas pelo comando inglês em 30 de Junho era que não havia notícias do inimigo e que o rio Licungo não é vadiável. Mas no entanto, apesar de ter sido atravessado pelas forças alemãs com água pelo pescoço, conseguiram avançar sobre Nhamacurra. Este posto era muito importante para os alemães porque apresentavam grande quantidade de mantimentos armazenados. Nhamacurra ficava a 40 km a Norte de Quelimane.


O comando, por antiguidade pertencia ao major português, mas como acontecia frequentemente o oficial inglês foi promovido a Tenente-coronel para tomar o comando da força. O então Tenente-coronel Brown, dispôs as forças de forma muito dispersa, a posiçull ão das trincheiras, tinha mais de três quilómetros de desenvolvimento e era cortada por uma difícil linha de água. dificilmente as três companhias portuguesas e duas inglesas poderiam apoiar-se entre si.

No dia 1 de Julho foi efectuado um ataque de surpresa sobre o sector português na esquerda do dispositivo. No combate, a 39ª e a 25ª Companhia Indígena, suportadas por duas metralhadoras e duas peças de artilharia de tiro rápido. A 39ª Companhia Indígena combateu cerca de três horas antes de retirar e a 25ª Companhia Indígena fugiu. Os portugueses tiveram dois oficiais e um sargento mortos, muitos feridos e onze oficiais prisioneiros. No final de dia 1 os portugueses e os ingleses que se encontravam na zona central do dispositivo de defesa retiraram para o lado direito, concentrando-se na estação de caminho-de-ferro.


No dia 2 de Julho os alemães voltaram a atacar, um primeiro ataque ao amanhecer e outro ao anoitecer, ambos repelidos.


No dia 3 de Julho, às 6 horas da manhã, iniciam um ataque com maior intensidade do que do dia anterior e às 15 horas abrem fogo com duas peças de artilharia, provocando desordem o aparecimento de civis nas trincheiras. O pânico entre as tropas inglesas leva que muitos fujam para o rio, onde morrem afogados o comandante inglês Brown e muitas praças, devido à forte corrente e à largura do rio avaliada em 80 metros. Depois do combate de Nhamacurra, ainda apareceu subindo o rio um vapor com munições e abastecimentos, o qual foi capturado pelos alemães, que já não tinham carregadores que chegassem para transportar todos os mantimentos e munições capturadas.


O combate de Nhamacurra foi a última acção importante dos portugueses no período do comando do coronel Sousa Rosa, que em 7 de Julho regressava à Metrópole. Foi nomeado comandante em sua substituição o general Gomes da Costa, meses antes regressado da França, o qual, porém, só chegou a assumir o comando em 21 de Dezembro, depois do Armistício.

Os Ingleses


NORFORCE - Comandada pelo General Sir Edward Northey. Em Junho de 1918 passou a ser comandada Coronel George Hawthorn comandante do 1º King's Africa Rifles.


ROSECOL - Comandada pelo Coronel Rose, Chegou a Porto Amélia a 13 de Dezembro, vinda de Lindi. Era formada pelo Gold Coast Regiment.


PAMFORCE - Constituída em 5 de Março pelos efectivos da ROSECOL mais 2 Batalhões da 2ª KAR e meia bateria de artilharia de montanha do Tenente Coronel  Giffard, comandada pelo Brigadeiro General Edward.


Os Alemães


Os alemães conseguem manter em África uma guerra de movimento e de iniciativa. As suas forças eram substancialmente diferentes quer quantitativa quer qualitativamente. As Schutztruppe eram comandadas por General Paul Emil von Lettow Vorbeck e encontravam-se organizadas em companhias, num total de cerca de 12.000 indígenas (askaris) e 3.000 europeus. Numericamente inferiores ao conjunto de forças aliadas presentes na África Oriental, tinham a vantagem de possuir o conheciam do terreno e se encontrarem adaptadas e treinadas para o combate em África.


Tacticamente procuravam atacar as forças aliadas quando estas se encontravam exaustas e baseavam a sua superioridade, não no número mas na superioridade do treino militar, acrescido da vantagem estratégica que a mobilidade lhes conferia.  Utilizavam uma táctica de guerrilha, um emprego massivo das metralhadoras e de acções de reconhecimento, aliada a uma estratégia desprendida da posse do terreno, visando, numa manobra de acção indirecta, atrair o inimigo, desgastá-lo e ocupar ao máximo o seu tempo.


Impossibilitado de receber reforços e abastecimentos da metrópole, Lettow Vorbeck delineou a sua logística à francesa napoleónica, vivendo à custa dos recursos do inimigo: munições, armamento (espingardas, metralhadoras e canhões) e abastecimentos.


É interessante a nota sobre o espólio do armamento entregue por von Lettow quando da sua rendição em Kasama, onde entrega uma peça de artilharia portuguesa, 7 metralhadoras alemãs, 30 metralhadoras inglesas, 1.071 espingardas inglesas e portuguesas e apenas uma espingarda alemã (Boissère, 1936:396).

Uma companhia de Askari formada em parada. África Alemã Oriental (Deutsch-Ostafrika) 1914-1918 (foto:Wikipedia)

Combates de tropas alemãs em Moçambique 1917-1918

(*) indica postos portugueses situados a sul do rio Lúrio e pertencentes ao distrito de Moçambique, onde incursões das patrulhas alemães, antecedendo o grosso da invasão, tiveram como objectivos alargar o campo de obtenção de víveres junto das povoações africanas e reconhecer posições do inimigo.


Este quadro foi retirado da Tese de Milton Correia "Norte de Moçambique, 1886-1918: soberania, dominação e administração coloniais", mestrado em educação em ensino de História, Universidade Pedagógica de Maputo, 2010. Fontes utilizadas: Boell, Ludwig. Die Operationen in Ost-Africa: Weltkrieg 1914-1918. Hamburg: 1951, pp. 397-413; Extracto do Diário de Campanha atribuído a Lettow-Vorbeck. In: Costa, Mário. É o inimigo que fala ... op.cit., 1932, pp. 155-178; Lettow-Vorbeck, P. von. My Reminiscences of East Africa. Nashville, USA: Battery Classics, 1920, pp. 250-258., Kohl, Franz. Der Kampf um Deutsch-Ostafrika 1914-18. Berlin: Verlag Kameradschaft, 1919, p. 76, pp. 70-87., Schnee, Heinrich. Deutsch-Ostafrica im Weltkrieg. Leipzig: Quelle & Meyer, 1919, pp. 310-373.

A Higiene do Soldado Metropolitano em campanha em Moçambique


Foram os batalhões de infantaria 21 e 31, das guarnições de Penamacor, Covilhã, as unidades que maior desfalque sofreram por doenças. Da expedição que ocupou Quionga, à qual pertencia infantaria 21, regressaram em 1916 somente 300 praças das 1.500 que tinham embarcado no mesmo navio "Moçambique" um ano antes.


Num artigo publicado pelo Tenente-médico Dr. Guilherme Abranches Pinto, datado de 25 de Agosto de 1941, releva a importância da higiene, como parte da medicina que trata dos meios de conservar a saúde e a imperiosa necessidade de regulamentar as medidas a serem tomadas. A primeira e a mais importante é que a higiene não deveria ter sido explicada ou defendida na instrução militar dos mancebos, mas sim imposta.


Deveria ter existido uma imposição de medidas higiénicas, cuja adopção deveria impor-se por rotina, até que no subconsciente de dada um funcionasse como um vício. Critica as palestras e os folhetos de propaganda, os quais não bastam só por si. Refere que a cultura de higiene não existia, comprovando a afirmação pela diminuta percentagem de punições por falta de higiene em relação a outras punições registadas, como em comparação com as aplicadas pela execução imperfeita de saudação militar. Relembra que muitos anos antes Lord Derby, na Guerra da Crimeira, tinha escrito "que organizar a higiene profilática nos exércitos em campanha é nada menos do que organizar a vitória".  


O desastre sanitário de uma força expedicionária conduz irremediavelmente ao desastre militar.


Neste mesmo artigo, o Capitão-médico Mário de Almeida refere que o graduado europeu, exercendo funções de comando junto dos praças indígenas, tem de revelar uma superioridade absoluta, não só pela sua cultura e elevaçull ão social, mas também pela resistência física, face às fadigas, agruras e privações do clima, e que o mesmo deve fazer perante os soldados europeus. O graduado necessita de ser o último a perder a moral e o último a invocar razões patológicas para pedir benefícios. Por exemplo, a "prova da quinina" deve ser tomada pelos graduados como um exemplo que os praças devem seguir.


Também é referido neste artigo, pelo Major-médico Américo Pires de Lima, que os médicos que acompanharam a expedição de 1916, não tinham, de modo geral, conhecimentos suficientes sobre a higiene tropical.


Pior, foi ainda o envio na expedição de 1916, os praças que se encontravam doentes de venéreo existentes no Hospital Militar da Estrela, à maneira de castigo, que pretendia ser para os doentes e que se transformou em mais um factor de castigo para a República (Revista Militar, 1942:545-9).


Os Serviços de Saúde em Moçambique


Em 1913 os serviços médicos eram compostos por 1 médico-chefe (Coronel, Tenente-coronel ou Major), 21 médicos (Capitães ou Tenentes), 5 farmacêuticos (Tenentes ou Alferes) e 28 técnicos especializados na área de saúde, aos quais se juntam Sargentos enfermeiros e auxiliares indígenas sem formação específica. Isto obrigou a que cada expedição levasse o próprio serviço de saúde.


A primeira expedição, em 1914,  levou 5 dos 6 médico previstos, que à data foi considerado pelo comandante da expediçãull ‹o como insuficiente.


Em 1916, face ao elevado número de baixas por motivo de doença, a terceira expedição já apresentava um médico por unidade militar e um acréscimo de 8 médicos e 150 praças, entre enfermeiros e auxiliares, destinados ao Hospital na base de operações. Por esta data, a Cruz Vermelha Portuguesa já tinha instalado um Hospital em Porto Amélia e outro em Mocimboa da Praia (Ponta Vermelha).


Na quarta expedição continuou-se a atribuir um médico por unidade militar, aumentando  o número destinado ao Hospital na base de operações, de 8 para 11 médicos, restringindo o pessoal de enfermagem e auxiliar de 150 para 99 praças.  


Após a subordinação das tropas expedicionárias portuguesas ao comando inglês, e mais propriamente depois de o General Van Deventer ter inspeccionado as condições de higiene e alimentação nas enfermarias, é que surgiram melhorias. Em termos gerais, durante as campanhas africanas a organização do sistema de saúde pautava-se pela falta de rigor, de organização, conhecimento sobre higiene e medicina tropical e sobre tudo falta de meios técnicos e humanos.


A falta de rigor também se verificava logo à partida em Lisboa, quando apenas enviavam um conjunto escasso de medicamentos, desadequados para o tratamento de doenças tropicais e vacinas fora de prazo. As doses de quinino enviadas eram insuficientes, que mesmo não eram administradas por falta de instrução e educação sanitária.


Como exemplo, a utilização da base de operações em Palma, devido ao clima, insalubridade da água, falta de higiene e condições sanitárias, e insuficiência nos cuidados médicos preventivos, levou a que passados 3 meses, e sem entrar em combate os homens da segunda expedição se encontrassem na sua grande maioria incapacitados para combate. Por esta causa a grande parte das mortes ocorridas nas forças expedicionárias deveu-se a doenças.


Aos males próprios do clima juntaram-se os males da organização improvisada e ainda os males dos homens que criminosamente puseram acima dos seus deveres humanitários e de probidade os seus interesses gananciosos de homens de negócio. Entram nesta última categoria os fornecedores de leite podre e de remédios assassinos, como lhes chama um ilustre oficial médico, que fez parte da 3.ª Força Expedicionária de Moçambique, Dr. Américo Pires de Lima.

Independentemente dos números indicados no quadro, os quais variam de fonte para fonte, uma das conclusões é que ao contrário do que aconteceu na Europa, em África o velho flagelo da doença ainda não estava afastado, mantendo-se como o principal agente de morte na guerra. Nos números de mortos por doença, em Moçambique, não se encontram contabilizados 210 praças vitimas de pneumónica, contraída na Cidade de Cabo, durante a viagem de repatriamento efectuada a bordo do navio "Moçambique" (Sobral, 2009:223).


A segunda conclusão é que independentemente do arcaísmo estratégico militar do novo exército republicano, que o faz falhar a vitória em todas as situações de maior, à incapacidade dos serviços logísticos e administrativos, pode-se acrescentar a incapacidade dos serviços de saúde (Arrifes, 2004:198-207).


A Cruz Vermelha Portuguesa montou e manteve em Moçambique, entre 1916 e 1917, cinco Hospitais de Sangue, localizados em Palma, Macimboa da Praia, Chomba, Patchinitembo e Nacature (Marques, 2000:28).

Tropas Indígenas

Relação de militares mobilizados para Moçambique (1914-1918)

Fonte "História da Primeira República Portuguesa (Rosas, 2010:296)

Links


O Operacional


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O Portal da História (5)



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Ordens de Serviço do Exército , 1915, 1ª Série.


A estrutura das forças militares coloniais, decorria da reorganização efectuada por Decreto em 14 de Novembro de 1901, organização que desenhara a base dos efectivos militares para as colónias até muito depois do final da Grande Guerra.


Os recursos militares encontravam-se divididos organicamente em: Quartel-general, Tropas de 1ª e 2º Linha, Depósito de Material de Guerra, Serviço de Saúde e Tribunal Militar.


As tropas de 1ª linha, que constituíam o núcleo de forças europeias estavam organizadas em: 1 Bateria Mista de Montanha e Guarnições; 1 Companhia de Infantaria Mista de Artilharia de Montanha; 1 Companhia de Infantaria Mista de Guarnição;  Esquadrões de Dragões; 2 Companhias de Infantaria; e, 1 Corpo Misto de Polícia a pé e a cavalo. Existiam, ainda, 2 Companhias Disciplinares uma de soldados europeus e outra de soldados indígenas, incorporados em cumprimento de sentenças.


As tropas de 2ª linha eram constituídas por praças indígenas, comandadas por oficiais e sargentos do exército metropolitano. Estavam enquadradas em 10 Companhias de Guerra Independentes (landins), 4 Companhias de Depósito e os Serviços de Administração Militar, de Transportes e de Intendência. Os efectivos destas companhias variavam entre 118 e 210 homens (15 a 20 graduados do exército metropolitano), dependendo das circunstâncias e por determinação do Governador Geral da Colónia (Selvagem, 1931:591).

No entanto, logo após a implementação da República, não só por questões orçamentais do ano 1910-1911, mas também dentro do espírito de alteração da estrutura militar, muitas das unidades coloniais foram suprimidas. Em 1913 uma nova portaria revoga o Decreto de 14 de Novembro de 1901 e extingue as forças de 2ª Linha. Esta decisão acabará por ter como consequência a destruição das reservas militares indígenas, tão necessárias à guerra naquelas condições ambientais (Arrifes, 2004:237).


Em Janeiro de 1914 as forças militares da colónia apresentavam como tropas de 1ª linha, apenas o Corpo Misto de Polícia, com cerca de 300 indígenas e um Esquadrão de Dragões, e como tropas de 2ª linha algumas tropas indígenas que guarneciam os postos fronteiriços, as quais não tinham qualquer instrução militar para além de ordem unida. A defesa da colónia dependia totalmente do exército metropolitano.