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O Combate de Namaca 1916

No dia 21 de Maio  de 1916 o cruzador "ANRP damastor", acompanhado pela canhoneira "NRP Chaimite", fundeou junto à foz do rio Rovuma e iniciou um bombardeamento do posto alemão Fábrica. É lançado um ataque através de duas lanchas que desembarcam o grupo de assalto. Quando chegam ao posto os alemães já tinham se colocado em fuga. No final do dia as tropas portuguesas retiram para o cruzador. Durante o dia foi aproveitada a situação para reabastecer o posto português de Namoto que era de difícil acesso por terra.


No dia 23 é executado uma nova incursão em território alemão, junto ao posto Fábrica. Entretanto os alemães já tinham regressado e estavam de alerta. O grupo de assalto foi atacado por fogo defensivo alemão de metralhadora, tendo sofrido 3 mortos e 6 feridos, o que levou a cancelar o ataque.


No dia 27 é executado um ataque organizado em duas colunas sobre o posto alemão de Fábrica.


Uma das colunas a que atacava pela direita do posto, foi transportada por dois vapores equipados com peças de 37 mm de tiro rápido, os quais rebocavam as baleeiras do cruzador "Adamastor" com tropas de assalto. Cabia ao cruzador "Adamastor" e à canhoneira "Chaimite" fazer o fogo de apoio à coluna de assalto da direita.


Antes do assalto o cruzador "Adamastor", a canhoneira "Chaimite", duas baterias de artilharia e duas peças de bronze de 82mm, fizeram tiro de preparação sobre o perímetro de assalto, durante uma hora.


A coluna de assalto que se preparava para o assalto do posto de Fábrica pela esquerda, e que estava determinado i avanço através das ilhas e vaus de maré baixa do rio, tinham o apoio das 2 baterias de artilharia e das duas peças de 82mm, para fogo de apoio.


Iniciado o assalto a coluna da esquerda sobre fogo defensivo alemão de metralhadora, o qual é de imediato calado pela duas baterias de artilharia portuguesas. O assalto do lado direito sobre tiro defensivo de metralhadora directo sobre a coluna de baleeiras antes de se dar o desembarque, situação que o fogo de apoio do cruzador e da canhoneira não consegue calar, fundamentalmente por falta de comunicação e controlo de tiro. Os transportes sobrem pesadas baixas o que leva à retirada do grupo de assalto. Esta situação leva o Comando a determinar o cancelamento da operação.


Entretanto e em cumprimento das ordens, a coluna da esquerda que já se encontrava na margem direita do rio, perto do posto de Fábrica, retira para a margem direita, para junto do posto Namoto. Durante a retirada é novamente atacado por fogo de metralhadora alemão, mas as baterias de artilharia portuguesa calam-nas e permitem que o grupo de assalto retirada ordenadamente e sem baixas.


De acordo com René Pélisser, na sua obra "As Campanhas Coloniais de Portugal 1844-1941", a tentativa de atravessar o Rovuma, no dia 27 de Maio, foi lamentavelmente malograda, face a um destacamento alemão insignificante, perdendo 33 soldados e 8 oficiais (Pélissir, 2006:379).


De acordo com  Marco Fortunato Arrifes, na sua obra "A Primeira Grande Guerra na África Portuguesa, Angola e Moçambique (1914-1918)", a questão do avanço sobre a colónia alemã dá-se na sequência dos objectivos do Governador Geral, Álvaro de Castro. Lançar ataques à zona alemã não era irrealizável, na medida em que à qualidade das tropas portuguesas, também não correspondia uma superioridade transcendente por parte das forças alemãs dos postos fronteiriços. No entanto, a posição defensiva alemã e o controlo dos pontos estratégicos para a travessia do rio Rovuma, conferiam-lhes uma superioridade de facto. Por esta razão a tentativa de travessia do rio Rovuma em Maio foi um fracasso. Em consequência deste fracasso ficou fora de qualquer perspectiva uma colaboração de igual com as forças ingleses (Arrifes, 2004:125).


Nos apontamentos sobre Portugal, inseridos por Adolfo Coelho, enquanto tradutor, da obra "História Secreta da Guerra", refere a situação indicando que no dia 22 de Maio os escaleres do cruzador "Adamastor" fizeram um reconhecimento na foz do rio Rovuma e, sem que se desse pela presença do inimigo incendiaram algumas palhotas do posto Fábrica, mas no dia seguinte, 23 de Maio, enquanto efectuavam nova incursão, os alemães surgiram de surpresa e mataram 2 homens dum dos escaleres. Refere, ainda em nota,  que segundo consta o escaler encalhara porque o cabo que o ligava ao rebocador, fora cortado pelo oficial que o comandava o rebocador... fugir mais depressa. Em 26 e 27 o cruzador "Adamastor" fez um bombardeamento e a infantaria portuguesa tentou passar o rio nas alturas do Namaca e Namiranga, mas foi repelida com perdas (Boissière, 1936:45).


No fascículo da Enciclopédia pela Imagens, sobre "Os Portugueses na Grande Guerra", refere o ataque do exército ao posto alemão de Fábrica de 27 Maio de 1916, como uma represália sobre o território alemão Deutsche Ost Afrika, executado em coordenação com as guarnições do cruzador "Adamastor" e da canhoneira "Chaimite". A travessia foi executada nas zonas dos postos portugueses de Namaca e de Namirango, mas a operação não foi bem sucedida pela resistência encontrada no flanco direito do ataque, quando o flanco esquerdo já quase se alcançara a outra margem do rio Rovuma (Enciclopédia, 1936:33).




Bibliografia



Arrifes, Marco Fortunato (2004), Primeira Grande Guerra na África Portuguesa, Angola e Moçambique (1914-1918), Lisboa, Edições Cosmos. (ISBN:972-762-254-2)


Pélissir, René (2006), As Campanhas Coloniais de Portugal 1844-1941, Lisboa, Wditorial Estampa. (ISBN: 972-33-2305-2)


Boissière, Jean Galtier (1936), História Secreta da Guerra, 3º Volume, Lisboa, Livraria Clássica Editora.


Enciclopédia pela Imagem(1936), Os Portugueses na Grande Guerra, Porto, Lello & Irmãos - Editores.