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O Combate de Negonamo 1917

Em Setembro de 1917, chegou a Mocimboa da Praia o novo comandante militar de Moçambique, o Coronel Sousa Rosa. Estabeleceu o seu Estado Maior no planalto de Chomba, a 141 Km da costa. À data os alemães na frente de Negomano apresentavam uma força de 52 homens (4 europeus e 48 indígenas) e a Norte uma reserva de duas companhias indígenas (500 homens).


Na zona encontrava-se Coluna de Nanguar, construída por 2 companhias indígenas e uma bateria de metralhadoras (4 armas), as quais se dispersaram por diversos postos militares: Negomano, Serra Mkula, Nanguar, Oizulos e Maculos. 


Entretanto, as forças aliadas que combatiam no território da colónia oriental alemã encontravam-se a executar um avanço generalizado sobre as tropas alemãs, o que levou a que o General van Deventer comunica-se ao Coronel Sousa Rosa a necessidade de colocar as tropas portuguesas de pervençam junto à fronteira Norte, rio Rovuma, na zona entre Mocimboa do Rovuma e Negomano. Os Alemães estavam a retirar de Massassi-Nevala e havia a possibilidade de tentaram entrar em território nacional.

Em resposta à situação, o Coronel Sousa Rosa indica ao comando inglês que as tropas inglesas se deveriam manter a norte do Rovuma e que em resposta à situação iria preparar um ataque aos alemães vindo do sul. 


O ataque dar-se-ia a 30 de Outubro, formado por três colunas: Coluna Nangadi, Coluna Mocimboa e Coluna Negomano, que correspondiam aos locais de atravessamento do rio Rovuma.

A Coluna do Major Teixeira Pinto partiu de Chomba a 20 de Setembro e chegou a Negonamo a 13 de Outubro, tendo de acordo com as instruções recebidas deixado no caminho, de 25 Km em 25 Km, postos de vigilância ao longo da margem do Rovuma. 


Desde o início da operação que se verificava um problema de capacidade logística. O transporte de abastecimentos era efectuado por carregadores e auxiliares Macondes, que consumiam diariamente 4 toneladas de viveres e a coluna de Negomano 9 toneladas, havendo ainda a acrescentar a necessidade de transportar munições, ferramentas e outro material diverso.


A 3 de Outubro, o oficial de ligação junto do comando inglês, Major Azambuja Martins, informou o exercito português que o General Lettow-Vorbeck se encontrava perto de Lukeledi com 12 companhias indígenas e duas peças de artilharia.


A 7 de Outubro, o oficial de ligação junto do comando inglês, Major Azambuja Martins, informou o exercito português, que os alemães tinham evacuado a zona a Sul de Nevala, mas que mantinham forças em Mahuta.


A 8 de Outubro o General van Deventer responde à proposta do Coronel Sousa Rosa, indicando que não será possível executar a operação proposta, uma vez que o General Northey se encontra junto das forças Belgas, a zona de Mahenge, e porque ele se encontrava a atacar os alemães na zona de Lindi-Massassi. Sugeriu que o comando português se centrasse na defesa do Rovuma, uma vez que estava a empurrar os alemães para lá e aí poderiam vencer de vez o o General Lettow-Vorbeck.


A 14 de Outubro o Coronel Sousa Rosa recebeu ordens do Governo de Lisboa, através de telegrama transmitido de Lourenço Marques, para que não realizasse a ofensiva sobre o Norte do Rovuma e também informações do Governo Inglês que seria desastroso, naquele momento, efectuar uma ofensiva. Um novo telegrama do Governo Inglês insistia em que não se efectuasse uma ofensiva sobre o território alemão, mas considerava útil que as forças portuguesas atravessassem o rio Rovuma em Negonamo, para se ligarem às forças inglesas em Tunduru.


Entretanto, o General von Lettow-Vorbeck derrotou os ingleses em Muacho, a 15 de Outubro, e em Lukeledi a 21 de Outubro, ao mesmo tempo que um destacamento comandado pelo Major Krant vence o 25 Regimento de Cavalaria Indiana, tomando-lhe 350 cavalos.  Os ingleses derrotados sistematicamente pelos alemães recuam e dirigem-se para Norte.


A 25 de Outubro, o General van Deventer pede ao Coronel Sousa Rosa auxílio para fixar os alemães na zona de Nevala, a que o comando português responde com o reforço do posto militar de Mocimboa do Rovuma com uma coluna formada por um batalhão de infantaria, duas baterias de metralhadoras, um pelotão de cavalaria e um pelotão de engenharia.


A 6 de Novembro, o General van Deventer informou o Coronel Sousa Rosa que os alemães teriam como provável linha de retirada seria em direcção a Nevala, porque se encontravam sem depósitos de viveres entre Massassi e Tunduru, face ao qual deveriam reforçar as defesas de Mocimboa do Rovuma.


É então que o Coronel Sousa Rosa dá um conjunto de ordens confusas que coloca quase todas as tropas em movimento e principalmente efectua uma rotação de efectivos entre postos militares que impossibilitam a construção de trabalhos de preparação de trincheiras e campos de tiro. Assim verifica-se:


• De Mocimboa do Rovuma para Nampakuro (2 Companhias Indígenas comandadas pelo Capitão Costa Pereira)

• De Negomano para Nampakuro (2 Companhias Indígenas)

• De Negomano para Mocimboa do Rovuma (2 Companhias de Indígenas que tinham chegado de Mocimboa do Rovuma)

• De Nanguar para Negomano (1 Companhia de Indígenas, mais a substituição do Capitão Teixeira Pinto pelo Tenente Coronel Quaresma)


Entre a saída dos contingentes de Negomano e a chegada dos reforços, ficaram em Negonamo apenas duas companhias de indígenas, uma bateria de metralhadoras (4 metralhadoras), comandadas pelo Major Teixeira Pinto e um destacamento de observação, sob o comando do Capitão Melo.


Entretanto, a 16 de Novembro o Coronel Sousa Rosa comunicou para Negomano que, segundo informações inglesas, os alemães se encontravam a dirigir-se para Sul e se estavam a concentrar sob o comando do General von Lettow-Vorbeck, e dá contra-ordem para as duas companhias que seguiam para Mocimboa do Rovuma para regressarem a Negomano.


A 18 de Novembro o Coronel Sousa Rosa, ordenou a marcha imediata da Coluna de Nampacheco, formada por de duas companhias indígenas comandadas pelo Major Costa Pereira, para se dirigirem para Negomano. Também deu ordem para se organizar uma Coluna de Mocimboa do Rovuma, com 3 companhias de indígenas, 1 bateria de metralhadoras e 1 pelotão de cavalaria, comandada pelo Major Cardoso, que não chegou a partir.


No dia 20 de Novembro o General van Deventer informou o Coronel Sousa Rosa que a situação militar se tinha alterado e que os alemães seguiam para Sul com a intenção de atravessarem o rio Rovuma e invadirem o território nacional, e ainda que o local provável de ataque se daria na zona entre Lidede e Mocimboa do Rovuma, informação que se revelaria errada.


A 25 de Novembro de 1917 dá-se o combate de Negomano. Os alemães comandados pelo General Lettow-Vorbeck, apresentavam uma força militar de 2.000 homens (300 europeus e 1.700 askaris) e o Major Teixeira Pinto apresentava uma força militar de 1.000 homens (100 europeus e 900 landins) (Costa, 1925:203-19).

A ordem de ataque alemã foi dada às 12h45mn, iniciando-se a manobra pelo noroeste e sul das posições portuguesas, com um efectivo de 5 companhias e uma peça de artilharia. O combate começou às 13h50mn. às 16h deu-se o ataque às linhas portuguesas com um reforço de mais duas companhias que alemãs que entretanto reforçaram o ataque. A posição defensiva portuguesa foi rompida na frente defendida pelas Companhias Indígenas 25ª e 27ª, levando à posterior rendição das restantes forças portuguesas.


As baixas portuguesas foram: 5 oficiais, 21 sargentos e praças europeus e 162 praças indígenas. Foram, ainda feitos prisioneiros 30 oficiais, 75 sargentos e praças europeus e 550 praças indígenas, e ainda 15 feridos europeus e 65 indígenas. Posteriormente todos os prisioneiros foram libertados (Costa, 1932:58).

Bibliografia


Costa, Gomes da (1925), Portugal na Guerra: A Guerra nas Colónias, ed., Lisboa, Sociedade Editora Arthur Brandão & Cª.


Costa, Mário (1932), É o inimigo que fala: Subsídios inéditos para o estudo da Campanha da áfrica Oriental, 1914-1918, Lourenço Marques, Imprensa Nacional.