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O Combate de Nhamacurra 1918


A 1 de Julho de 1918, o grosso da coluna comandada por Von Lettow, atravessou o vau do rio Licungo, numa travessia difícil de quase 350 metros, na maioria dos pontos com água pelo pescoço.  A sua coluna seguia o trilho do destacamento Muller que havia atravessado o rio no mesmo sítio no dia anterior.


A coluna de Von Lettow era composta pelo:


Quartel-general

Destacamento Poppe (3 companhias: 4ª, 11ª e a 21ª)

Destacamento Kohl (4 companhias e 1 bataria: 3ª, 10ª e 13ª Companhias e 2ª Bataria)

Destacamento Meyer (5 companhias: 9ª Companhia, FLI, MKA, BSKB e SKC)

Destacamento Stternnemann (4 companhias: 2ª e 4ª FL, MKC e SKA)

Destacamento Spangenberg (2 companhias: 17ª e 6ª Companhia)


1 de Julho de 1918


É o destacamento de Muller que, no dia 1 de Julho de 1918,  acaba por vir contra uma posição portuguesa, composta por duas companhias, a 21ª e a 29ª Companhia Indígena, próximo da fábrica da Companhia Boror.


O destacamento Muller, composto por 3 companhias, desferiu um ataque à baioneta de surpresa, tendo os portugueses reagido e mantido em combate por cerca de 2 horas, até que pelas 26h30mn a fábrica foi tomada pelos alemães.


Deste primeiro combate resultaram 2 europeus e 100 landins mortos. Foram aprisionados 88 europeus: 8 oficiais, 10 enfermeiros e 200 landins. Entre estes encontravam-se 60 feridos.


Neste momento da guerra as tropas alemãs mantinham-se em movimento apenas por um a simples necessidade de se abastecerem e em resultado deste ataque conseguiram obter: dois canhões de 70mm (sem as colatras), 150 granadas de 70mm, 2 metralhadoras, 280 espingardas, 100.000 cartuchos, muitos mantimentos europeus e indígenas e ainda medicamentos.


2 de Julho de 1918


No dia 2 de Julho, Von Lettow já se encontrava na fábrica junto do destacamento de Muller que a tinha conquistado no dia anterior. É então que dá ordem para duas das suas companhias atacarem a estação de caminho-de-ferro, porque suspeitava que ali se encontravam mais abastecimentos de munições e viveres.


A estação encontrava-se defendida por três companhias portuguesas e três companhias inglesas, que a defenderam durante todo o dia. No final do dia Von Lettow retirou e deixou o destacamento Poppe a manter o contacto até ao dia seguinte.


3 de Julho de 1918


No dia 3 de Julho os alemães bombardeiam a estação com 200 tiros de duas peças de artilharia, 150 munições tinham sido capturadas dois dias antes, e fazem um ataque de infantaria simultâneo com o apoio de todas as suas metralhadoras sobre a estação. Os portugueses e ingleses retiraram da estação e o comandante inglês em pánico precipitou-se sobre o rio Nhamacurra e morreu afogado ao atravessa-lo. Com ele morreram mais 4 ingleses e cerca de 100 indígenas das KAR inglesa.


Em combate foram mortos 1 português, 2 ingleses e 31 landins. Ficaram prisioneiros 117 portugueses, 7 oficiais e 110 sargentos e praças, e 5 ingleses.


Nas mãos dos alemães caíram milhares de munições e abastecimentos: 270.000 cartuchos para espingardas portuguesas e inglesas, 444 espingardas portuguesas e inglesas, o metralhadoras, 1.000 raçull ões europeias e 175.000 rações indígenas. A isto, ainda se acresce a captura de uma barca que se deslocava no rio Nhamacurra, com 80.000 cartuchos para espingardas inglesas e uma carga de medicamentos. A quantidade de abastecimentos foi tal que superou a capacidade que Von Lettow tinha de os transportar.


4 de Julho de 1918


No dia 4 de Julho Von Letow inicia a retirada, velando consigo os oficias portugueses, os médicos português e inglês e quatro sargentos ingleses prisioneiros, os restantes prisioneiros são libertados.


6 de Julho de 1918


a 6 de Julho as tropas alemãs voltam a atravessar o rio Licungo e dirigem-se para norte. No dia seguinte, a 7, o destacamento Muller, encontra o posto português de Iringa abandonado e destrói as linhas telefónicas que o ligavam a Mocubele e Bajone (Costa, 1932:60-4).


Bibliografia


Costa, Mário (1932), É o inimigo que fala: Subsídios inéditos para o estudo da Campanha da áfrica Oriental, 1914-1918, Lourenço Marques, Imprensa Nacional.