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Se com a Presidência de Sidónio Pais se verificou uma alteração na acção militar em França, com comodidade para uns e injustiça para outros, na Marinha não se produziram alterações sensíveis nos serviços que, debaixo das denominações indicadas, continuaram a ser desempenhadas como até ali, mantendo-se a mesma orientação seguida na Defesa Nacional com Chefe do Estado Maior de Leote do Rêgo com a criação do Comando Central de Defesa Marítima, onde continuou se manteve o esforço em prol da Marinha e da causa dos Aliados.

Dada a limitação da capacidade naval de guerra e de transporte, mesmo contando com os navios apreendidos aos alemães, houve por parte da Inglaterra e da França um reforço dos meios navais para a defesa das águas territoriais nacionais. Também se verificou um auxilio de guerra em meios acessórios para a defesa dos porto, como torpedos fixos, minas, equipamento de rocega e de barragem. 

Houve, ainda, um reforço de meios navais de vigilância por parte da Inglaterra e da França após a declaração de guerra submarina total por parte dos Alemães.

 

Perdas humanas sofridas pela Marinha de Guerra durante o Primeiro Conflito Mundial:


                    2 Primeiros-tenentes

                    1 Segundo-tenente

                    4 Guardas-marinha

                    1 Aspirante de Marinha

                    5 Sargentos

                129 Cabos e Marinheiros

     Total - 142




O Interesse Estratégico das Águas Territoriais

 

A Grande Guerra teve ao seu dispor dois novos meios tecnológicos de comunicação: o “cabo submarino” e a “telegrafia sem fios”, os quais permitiram a transferência de informação intercontinental muito rápida. A Inglaterra com o seu vasto império colonial, investiu nas comunicações intercontinentais através do “cabo submarino”, os quais tinham a necessidade de ser amarrados a pontos terrestres estratégicos, e a Alemanha em "telegrafia sem fios".

 

Neste contexto Portugal, com a sua posição atlântica, tornou-se um elemento fundamental para o estabelecimento da rede de comunicação inglesa e, assim, Lisboa, Açores, Madeira e Cabo Verde, converteram-se em pontos militarmente estratégicos, e posteriormente em alvos militares dos submarinos alemães durante o conflito.

 

A Grã-Bretanha estabeleceu várias ligações intercontinentais que ficaram conhecidas como a “rede vermelha”, das quais se distinguem quatro linhas de "cabos submarinos", que passavam por território nacional. A ligação Londres-Bombaim, que passava por Lisboa, a ligação Londres-África do Sul, que passava pela Madeira e Cabo Verde, a ligação Londres-Brasil/Argentina, que passava pelos Açores e Cabo Verde, e a ligação Londres-Canadá, que passava pelos Açores.

 

Os "cabos submarinos" alemães que tinham sido lançados antes da guerra foram cortados pelos ingleses, no Canal da Mancha e nos Açores, logo após a declaração de guerra da Grã-Bretanha à Alemanha, em 1914. Este corte de comunicações serviu de desculpa à diplomacia alemã, para justificar em parte as situações de conflito fronteiriço que surgiu junto às fronteiras do Sul de Angola e Norte de Moçambique. 

 

A Alemanha tinha a consciência de que a superioridade naval britânica, lhe impediria em pouco tempo, em caso de guerra, as comunicações através dos seus cabos submarinos, pelo qual apostou no desenvolvimento de comunicações via TSF, ou seja, "telegrafia sem fios". Assim, estabeleceu uma rede de potentes emissores que lhe permitia, via retransmissão, alcançar as suas colónias e igualmente os seus navios e submarinos.

 

Tal como as estações telegráficas inglesas da “rede vermelha” se transformaram em alvos militares, também as estações telegráficas TSF alemãs se constituíram como alvos militares. Com a entrada de Portugal como potência beligerante, os submarinos alemães alvejaram as ilhas da Madeira, Ponta Delgada (Açores) e São Vicente (Cabo Verde).

 

Mais tarde, e após a entrada dos Estados Unidos de América na Grande Guerra, os ingleses instalaram uma estação telegráfica TSF nos Açores, que serviu para interceptar as comunicações alemãs e para gerir a luta anti-submarina (3).

 


A Guerra Submarina

No início da guerra em 1914, a Alemanha tinha 27 submarinos prontos e 12 em construção. Esta arma ainda não era considerada como uma arma de ataque aos navios de comércio. Em Agosto de 1914 um submarino alemão conseguiu em minutos torpedear três cruzadores ingleses, o "Hogue", o "Aboukir" e o "Cressy", mas após este sucesso a contra medidas de combate inglesas impediram nos sucessos iguais. A eficácia das contra medidas de combate anti-submarino inglesas levaram a que os submarinos alemães começassem a afundar navios de comercio inimigos, depois de darem tempo a que as tripulações de salvassem.

A 4 de Fevereiro de 1915, a Alemanha declarou que a partir de 18 de Fevereiro passava a atacar todos os navios de comercio inimigos, mesmo que não tivesse oportunidade de afastar de perigo tripulantes e passageiros. Os navios neutros também seriam atacados nas zonas de guerra, porque se estava a verificar um abuso de pavilhões de navios neutros em navios inimigos.  Foram de imediato apresentados protestos por parte de países neutros, como os Estados Unidos e Holanda, o que levou a que a Alemanha sem retirar a sua declaração desse ordens aos seus comandantes de submarinos para não atacarem navios neutros por algum tempo.

Após o desastre do afundamento do navio de transporte de passageiros "Lusitânia", e do embaraço diplomático cos os Estados Unidos, o Governo alemão, a 9 de Junho de 1915, deu ordem aos submarinos para não atacarem navios de passageiros, mesmo que fossem inimigos. No entanto, foi sendo afundado um ou outro navio de passageiros, como o "Arabic", a 19 de Agosto, com novo incidente diplomático com os  Estados Unidos. A situação é tão grave que o Kaiser deu ordem para os submarinos abandonarem a guerra comercial a 29 de Agosto de 1915 (2).


A Guerra Submarina sem Restrições

A Alemanha ao não conseguir uma solução para a guerra naval, e devido às restrições de abastecimentos em matérias primas que se encontrava pelo bloqueio naval exercido pelos aliados, viu-se forçada a alterar a sua política de combate submarino e em 9 de Janeiro de 1917 dá ordem para a execução de uma guerra submarina sem restrições a partir de 1 de Fevereiro de 1917.

Como consequência levou a um quase imediato, em 2 de Abril de 1917, à entrada na guerra dos Estados Unidos, do Brasil e outras nações do continente americano.

A proposta de Ludendroff apostava para a destruição de 600.000 toneladas de navios por mês, o que indicava que poderia colocar a Inglaterra fora da guerra em cinco meses, e que por dificuldades de transporte a força expedicionária americana não chegaria a tempo de evitar o fim da guerra em Agosto de 1917. Hindenburgo também se encontrava convencido que os ingleses, franceses, italianos e russos não estavam capacitados para fazer uma guerra anti-submarina eficaz.

No começo da guerra submarina sem restrições os alemães possuíam 134 submarinos. Nos primeiros meses afundaram: com 540.000 toneladas em Fevereiro, 578.000 toneladas em Março e 875.000 toneladas em Abril, o que colocou em risco o abastecimentos dos países da Entente. No entanto, se me Abril ainda tinham 102 submarinos operacionais, em Maio apresentavam apenas 84, devido a perdas e a cansaço do material.

Assim, a guerra submarina foi diminuindo de eficácia, apresentando em 591.000 toneladas em Maio e só 350.000 toneladas em Setembro. Um ano após o início da campanha submarina sem restrições, em Abril de 1918, só apresenta 350.000 toneladas afundadas e este número foi diminuindo drasticamente até ao final da guerra em Novembro de 1918.

Para além do desenvolvimento da luta anti-submarina, a Inglaterra conseguiu fechar o canal aos submarinos, levando-os circundar a Grã-Bretanha pela Escócia. Também, em muito contribuiu o poder naval dos Estados Unidos no combate anti-submarino, através da contribuição de meios navais e aéreos. 

Com a entrada dos Estados Unidos na guerra, este diminuiu drasticamente as suas exportações para os quatro países neutros que abasteciam a Alemanha, Suécia, Noruega, Dinamarca e Holanda, diminuindo de 34 milhões de dólares de exportações para menos de 3 milhões de dólares de exportações para estes quatro países. Em consequência da guerra submarina sem restrições a Alemanha, e mais propriamente o povo alemão,  ficou na miséria e a porque cada vez mais eram menos os submarinos que não regressavam, dentro da Marinha começou-se a instalar-se um sentimento de derrota e estarem a serem enganados pelo Estado, perdendo por completo a esperança n uma vitória e sentindo inutilidade no sacrifício humano.

Em 3 de Novembro de 1918 rebentou em Kiel uma revolta geral, que incluiu operários à imagem das revoltas soviéticas. a 5 de Novembro o Governo alemão informa as nações neutrais que vai restringir a guerra submarina e a 11 de Novembro assina o Armistício. 

A guerra submarina sem restrições teve como consequência a derrota da Alemanha (1).

 

Notas

     1.     Campos(1938), pp. 87-94.

     2.     Campos(1939), pp. 76-83.

     3.     Afonso(2010), pp. 215-7.


Bibliografia

     •     Branco, Fernando, (1936), "Novelas Submarinas, Episódios Históricos de Submarinos e Aliados Durante a Grande Guerra", Lisboa, 2ª ed., Livraria Sá da Costa.


     •     Canas, António, (2009), "Os submarinos em Portugal", Lisboa, ed., Prefácio. (ISBN:978-989-652-025-0)


     •     Enciclopédia pela Imagem, (1936), "Os Portugueses na Grande Guerra", Porto, ed., Lello e Irmão.


     •     Afonso, Aniceto, (2008), "Guerras e Campanhas Militares, Grande Guerra Angola, Moçambique e Flandres 1914-1918", Lisboa, ed., QUIDNOVI. (ISBN:978-972-8998-99-8)


     •     Santos, José Ferreira, (2009) "Adendas ao Artigo - Quatro Navios com o nome de Carvalho Araújo", Revista de Marinha, 2009, 953, p10, p38.


     •     Pinto, José Luís Leiria,(2008) "Viagem de La Spezia para Lisboa", Colecção Documentos - II Série n.º3, Edições Culturais da Marinha.


     •     Martins, General Ferreira, (1938), “Portugal na Grande Guerra – 8ªPARTE, A Marinha Portuguesa na Grande Guerra Mundial”, Lisboa, Editorial Ática, Lda.


     •     Campos, Comandante José Moreira (1938), "A Luta pelo Poder Naval", Lisboa, Papelaria Fernandes


     •     Afonso, Aniceto e Carlos de Matos Gomes, (2010), "Portugal e a Grande Guerra, 1914 - 1918", Lisboa, 1ª ed., QUIDNOVI, (ISBN:978-989-628-183-0)

Com a entrada do Exército no teatro de guerra europeu, a Marinha foi incumbida da defesa dos portos contra ameaças de superfície e submarinas, defesa das vias de comunicação, escoltas a transportes de tropas para África e França e ainda a manutenção do apoio logístico às operações em Angola e Moçambique, onde chegou a participar em acções de combate conjuntas com o Exército.  

Desde o início do século que se verificava uma alteração no conceito estratégico da Marinha de Guerra, o que se reflectiu na organização do meios navais. No entanto, é mantida a ideia de aliança permanente com a Grã-Bretanha, mesmo tendo a convicção que em caso de guerra a marinha aliada poderia não estar disponível para auxiliar Portugal.

Também é importante perceber que a alteração da estratégia naval foi influenciada pelo reequipamento da marinha de guerra espanhola após a perda de Cuba e da retirada da esquadra britânica do Mediterrâneo, em consequência dos tratados entre a França e a Inglaterra.

Foi neste enquadramento que nasceu a necessidade de Portugal formar uma esquadra oceânica, que impedisse o bloqueio dos portos nacionais e mais propriamente garantisse e assegurasse a ligações comerciais desde Lisboa até: aos Açores, à Madeira, a Cabo Verde e às Colónias. Com este objectivo a República alterou a visão estratégica tradicional que baseava a defesa nacional no exército, para uma nova visão estratégica baseada na força naval.

Assim o Arsenal da Marinha iniciou a construção de novas canhoneiras, reduzindo progressivamente a antiga "Marinha Imperial". Também foi feito uma aposta em novos contratorpedeiros e a partir de 1910 inaugurou-se a arma submarina com a encomenda à Itália do "Espadarte", entregue em 1913 e acompanhada por uma encomenda de mais três submarinos classe "Foca", também de produção italiana, já durante a Grane Guerra.

Acto de Guerra

Defesa Naval

Aviação Naval

Marinha de Guerra

Marinha Mercante

Transporte de Tropas

Açores 1914-18

Cabo Verde 1914-18

Madeira 1914-18

Índia 1914-18

Batalhões de Marinha

Plano Naval

Tendo como objectivo a organização da defesa marítima, foi criada por Portaria de 5.07.1915, uma “Divisão Naval de Defesa e Instrução”, inicialmente constituída pelos navios: cruzadores “ Vasco da Gama”,“ Almirante Réis" e “Adamastor", contratorpedeiros “Douro” e “Guadiana”, torpedeiros “ N.º 1 ” e “ N.º 2 ”, submarino “ Espadarte” e o rebocador “Lidador”, comandada pelo Capitão-de-fragata Daniel Leote de Rêgo.

Em 23 de Fevereiro de 1916 o Governo nacional ordenou o apreensão de 70 navios alemães e de 2 austro-húngaros que se encontravam em águas territoriais portuguesas, acção que levou a Alemanha a declarar formalmente guerra a Portugal.

Após 5 de Dezembro de 1917, o Presidente Sidónio Pais extinguiu Divisão Naval de Defesa e Instrução, ficando todos os serviços de defesa marítima no Continente, Ilhas Adjacentes e Cabo Verde, a cargo  do Comando Central de Defesa Marítima, com sede em Belém, na antiga Superintendência dos Serviços Navais de Defesa Submarina, que passou a designar-se, Superintendência da Defesa Marítima do Porto de Lisboa, chefiado pelo Capitão-de-mar-e-guerra, Júlio Galis.

Capitão-de-fragata Daniel Leotte do Rêgo

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