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Albânia

Declaração de Indepência da Albânia 28/11/1912

Comemoração do primeiro aniversário da declaração de independência, com a presença de Ismail Qemali, em Vlorë, 1913.


A instabilidade política da região colocou de imediato em causa a definição das fronteiras do futuro estado albanês, tendo encontrado no plano internacional o apoio do Império Austro-Húngaro e a posição da Rússia, Sérvia, Grécia e Império Otomano.


Os turcos abandonaram o território albanês em Junho de 1913 e pouco mais de um mês depois foi reconhecido o Estado "provisório" da Albânia, como um principado neutral, soberano e hereditário, o que acalmou internamente as aspirações nacionalistas dos vários movimentos nacionalistas albaneses.


Será o Tratado de Paz de Bucareste, de 10 de Agosto de 1913, o qual pôs fim à 2ª Guerra Balcânica, que permitiu o reajuste das fronteiras da Albânia. Mas o processo de definição fronteiriço foi traumático para os vizinhos, porque resultava da perda territorial resultante da derrota da Bulgária, onde esta perdeu a maior parte dos territórios que tinha conquistado entre 1912 e 1913 ao Império Otomano, como da Sérvia, Montenegro e Grécia.


A independência da Albânia surge com o apoio austro-húngaro e italiano, e a colocação de Wilhem Frederich Heinrich Prinz zu Wied (príncipe alemão) como Wilhem I, rei da Albânia, pela concertação das grandes potências, donde se virá a destacar o esforço da Grã-Bretanha.


Ainda no seguimento do Tratado de Bucareste é firmado o Tratado de Constantinopla, em 29 de Setembro de 1913, que vem reafirmar o desenho das fronteiras da zona balcânica e que em particular marcaram a linha delimitadora da fronteira entre a Bulgária e o Imperio Otomano, a linha Enos-Midia. Mas estes tratados não vieram a apaziguar as aspirações de qualquer um dos estados envolvidos, nem das grandes potências da época, o que provocou com que as tensões nacionalistas nos Balcãs se mantivessem e levassem ao assassinato de Sarajevo que despoletou a Grande Guerra.


A derrota do Império Otomano perante a Itália na guerra de 1911-12 veio despoletar os movimentos independentistas na Bulgária, Grécia, Sérvia e Montenegro, para expulsar os turcos desses territórios. A génese da Albânia surge da vontade dos albaneses se afirmarem como nação cultural e política desde a revolta de 1910, e de não virem a serem repartidos entre outros estados.


O movimento efectivo a caminho da independência começou com uma revolta que durou entre Janeiro e Agosto de 1912, tendo o governo otomano aceite as exigências dos revoltosos em Setembro de 1912. Na época o governo turco, “Jovens Turcos”, enfrentava igualmente revoltas na Síria e na Península Árabe, o que os obrigou a ceder.


Internamente a questão já tinha ao parlamento em Istanbul em Dezembro de 1911, o deputado pela Albânia Ismail Qemali introduziu a discussão sobre os direitos culturais e administrativos dos albaneses.


No mês seguinte, em Janeiro de 1912, outro deputado pela Albânia Hasan Prishtina deu conhecimento no parlamento que se estava a dar uma revolta nas províncias albaneses e neste esforçull o comum de fazer vencer a causa albanesa foi convidado por Ismail Qemali para se reunir com ele e organizar a revolta então em curso.


Falar do nascimento da Albânia é o mesmo que falar da declaração de independência da Albânia a 28 de Novembro de 1912, em Vlorë, por Ismail Qemali, durante a Assembleia Nacional albanesa.

O Nascimento da Albânia

Ismail Qemali (1844-1919)

Hasan Prishtina (1873-1933)

As Fronteiras da Albânia

Alterações Territoriais - Conferência de Paz de Londres 1912-1913

Alterações Territoriais - Tratado de Paz de Bucareste 10 de Agosto 1913

Essad Pasha Toptani (1863-1920)

Ali Shefqeti

(1883-1953)

Bajram Curri (1862-1925)

A nação albanesa encontrava-se dividida por diversos poderes locais. O Governo Provisional da Albânia, de Ismail Qemali, com um exército de perto de 12.000 homens comandados por Ali Shefqeti e ocupava uma região entre Vlorë, Berat e Lushnjë, ao sul de Tirana.


Outro grupo armado de cerca de 20.000 homens (na grande parte Kosovares) encontrava-se a norte de Tirana, comandado por Bajram Curri e era apoiado pelo Império Austro-Húngaro e pelos católicos de Mirdita que reunia a República Católica de Lezhë e o Principado Canónico de Orosh.


No centro da Albânia encontrava-se outro grupo armado de cerca de 5.000 homens, a Gendarmerie,  comandada por Essad Pasha Toptani, que suportava a designada República Central da Albânia, com capital em Durrës. No entanto, Essad Pasha tinha um sentimento pró-otomano.


NA parte central não controlada por Essad Pasha existiam pelo menos dois outros grupos armados, um com base em Krujë, denominado União de Krujë e outro com base em Tirana, comandado por Haxhi Qamili, denominado Emirato Islâmico da Albânia, pró-otomano. Com menor expressão territorial ou organizacional existiam outros grupos independentes de carácter político, religioso ou militar.

Missão Holandesa

A Comissão Internacional de Controlo

Myfid bey Libohova (1876-1927)

A International Commission of Control (ICC) foi estabelecida a 15 de Outubro de 1913, com base na decisão de seis grande potências: Grã-Bretanha, França, Rússia, Alemanha, Austro-Hungria e Itália, tomada em 29 de Julho de 1913, na sequência do Tratado de Londres de 30 de Maio de 1913.


O objectivo desta Comissão era de estabelecer na Albânia uma administração central e um poder político. A Comissão estabeleceu-se em Vlorë, onde assumiu a governação inicial do Estado.


A comissão era formada pelos seguintes membros:


Léon-Alphonse-Thadée Krajewski (França)

Harry Harling Lamb (Grã-Bretanha)

Alessandro Leoni (Itália)

Aleksandr Mihajlovič Petrjaev (Rússia)

Aristoteles Petrović (Austro-Hungria)

Julius Winckel (Alemanha)

Myfit bey Libohova (Albânia) (1913-Março 1914)

Mehedi Frashëri (Março 1914-Setembro 1914)


Quando o Príncipe Wilhelm of Wied assumiu o governo da Albânia em Março de 1914, alterou o representante da Albânia. todos os outro membros da Comissão se mantiveram até ao fim (Setembro de 1914), excepto o representante da austro-hungria que resignou em Maio de 1914.


Com a Albânia em guerra civil desde Julho de 1914, com a ocupação do sul do país pela Grécia e as grandes potências em guerra, o regime colapsou e o Prímcipe Willian teve de abandonar a Albânia a 3 de Setembro de 1914, em direcção a Veneza.


Quando o Príncipe William partiu entregou o governo da Albânia à Comissão Internacional, mas esta ao fim de três dias extinguiu-se.

Mehdi Frashëri (1872-1963)

Força Internacional de Segurança

A força internacional de segurança, a International Gendarmerie, costituiu a força de defesa do Principado da Albânia. Também resultou da vontade das Grandes Potências que participaram na Conferência de Paz de Londres 1913.


Como grande parte da força internacional era constituída por holandeses, fficou conhecida como a Missão Militar Holandesa (Dutch Military Mission).


Os primeiros elementos da força chegaram à Albânia a 10 de Novembro de 1913.


Pouco tempo depois, em Junho de 1914, estalou uma revolta popular. Da intervenção da força internacional (Gendarmerie) resultou a morte de um oficial e a captura de  muitos outros. Os oficiais holandeses foram progressivamente substituídos por oficiais austro-húngaros e alemães, que começaram a chegar a Durrës a partir de 4 de Julho de 1914.


Quando a Grande Guerra teve o seu início, a maior parte dos oficiais holandeses que ainda se encontravam na Gendarmerie regressaram à Holanda e a 19 de Setembro de 1914 os dois últimos prisioneiros holandeses na Albânia foram libertados.



Oficiais da Expedição Holandesa à Albânia 1913 (National Archaves, The Hague)

De Príncipe Alemão a Rei da Albânia

A ocupação territorial da Albânia por vários Estados e a situação de falta de governo na Albânia, levou a que se chegasse a um frágil acordo sobre a unificação territorial e se decidisse por uma imposição de um governante independente das diversas facções que se digladiavam.


Neste contexto surgem então por parte da Comissão Internacional de Controlo a vontade de organizar o país e para tal teve a necessidade de dissolver as instituições locais existentes. Para liderar a Albânia foi decidido eleger um príncipe estrangeiro, que deveria de se converter em rei, assim que o período de transição estivesse terminado.


Foi então eleito como rei Wilhelm zu Wied, capitão do exército alemão, com o apoio da Alemanha e do Império Austro-Húngaro e sem a oposição dos restantes membros da ICC.


O Príncipe Wilhelm Zu Wied, aoptou o nome albanês de Vidi I. Desembarcou em Durrës, escoltado por uma esquadra internacional composta por navios de guerra britânicos, franceses, italianos, alemães e austro-húngaros.  


Ignorando tudo sobre o povo, a cultura e a história da Albânia ficou rodeado por personalidades e funcionários ex-otomanos, em especial vítima do ódio de Essad Pasha Toptani seu ministro do Interior e da Guerra.


Mal preparado para a tarefa, não conseguiu controlar os chefes tribais e religiosos, nem conseguiu enteder-se com Essad Pasha. Essad Pasha tinha a intenção de derrobar Vidi I e auto-intitular-se príncipe da Albânia, para o qual contava com o apoio dos italianos. Essad acabou por ser expulso da Albânia em Maio de 1914 e acabou por se refugiar na Itália.


Outra conspiração aconteceu quando o povo otomano na Albânia se revoltou em tirana através de um movimento islâmico para derrubar o poder de Vidi I e colocar no poder Burhan Eddin, mas que não teve êxito e Burhan Eddin filho do Sultão Otomano Abdul Hamid II nunca chegou a ir até à Albânia.


Outra situação que demonstrava a fragilidade do Estado albanês foi a situação que se gerou com a Grécia, que ao abrigo do Protocolo de Florença (1913), ocupou a região sul da Albânia em Março de 1914, proclamando a República Autónoma do Norte do Epiro, com capital em Gjirokastër. O Rei Vidi I teve de aceitar a situação quando esta foi reconhecida pela Entente.


Com o início da Grande Guerra, em Agosto de 1914 a Grã-Bretanha e a França acenaram à Itália e à Grécia a possibilidade de ocuparem a Albânia em troca de se passarem para o lado da Entente. Por outro lado estalaram revoltas populares em Tirana e Elbasan, em muito por considerarem que não era aceitável um governo cristão num país muçulmano. Por outro lado, a decisão do rei manter a sua posição de neutral perante o conflito mundial levou à perda do seu último verdadeiro apoio, o apoio do Império austro-Húngaro.


Encurralado e sem qualquer apoio internacional ou popular, não mais lhe restou que em Setembro de 1914, embarcar em Durrës e abandonar a Albânia.


É então com o vazio de poder, a Comissão Internacional de Controlo extingue-se três dias depois da partida do rei e Essad Pasha regressa à Albânia com o apoio dos italianos e dos sérvios.


Wilhelm zu Wied

(1876-1945)

Farda Alemã

Wilhelm zu Wied

(1876-1945)

Farda Albanesa

A Itália Ataca a Albânia a 20 Dezembro de 1914

Essad Pasha Toptani em Salónica, 1916

O Pacto de Londres de 1915  (cláusulas secretas) reconhecia à Itália a pertença do sul da Albânia, mas foi com a situação de desordem e a dissolução do Governo em Setembro de 1914 que se precipitou a ocupação por “zona” prometida à Itália.


Se bem que 3 de Outubro de 1914, os italianos já tinham ocupado a ilha de Sazen (Saseno) sem qualquer oposição das forças albanesas, foi em 26 de Dezembro o exército italiano ocupou o território continental onde se encontrava o porto estratégico de Vlorë (Valona). Para a Itália era muito importante controlar o estreito de Otranto, entrada do Mar Adriáull ‡tico, fosse qual fosse a sua futura posição se envolvida na guerra.


Desde Agosto de 1914 que a Entente, através de intensos esforços diplomáticos, tentou posicionar a Itália ao seu lado, o que conseguiu com o Tratado d Londres de 26 de Abril de 1915, em que a Itália renunciou o pacto com a Alemanha e o Império Austro-Húull œngaro. A conversão da Itália a aliado da Entente deveu-se ao intenso trabalho de Edward Grey (GBP), Jules Cambon (FRA) e Sidney Sonnino  (ITA).


Na tentativa de fazer entrar a Itália ao lado da Entente, tinha-lhe sido prometido a criação de um protectorado italiano na Albânia e ainda o reconhecimento de outro territórios que viesse a conquistar, como parte da Dalmácia que pertencia ao Império Austro-Húngaro, aliás como também foram prometidos territórios da Albânia à Sérvia e a Montenegro pela Entente.


No início de 1916 os austro-húngaros, búlgaros e milícias pró-potências centrais tomaram a ofensiva no norte da Albânia contra os sérvios, montenegrinos e italianos e avançaram até Durrës.


Foi então criada uma Legião Albanesa e outras pequenas unidades com equipamento e fardas italianas, mas com o gorro albanês.



Em Março de 1916 a Itália enviou 100.000 homens para lutar contra os austro-húngaros e ajudar a evacuação dos militares e civis sérvios, tendo ocupado no final de Agosto o território do norte de Epiro, anteriormente anexado pela Grécia à Albânia.


Ainda em Agosto, Essad Pasha é evacuado mais a sua Gendarmerie (800 homens) para Salónica, onde se junta às tropas francesas. Desde Salónica os franceses avançaram em direcção à Albânia tendo chegado a Korsë.


Em Setembro de 1917 os gendarmes de Essad Pasha, integrados em unidades francesas combatiam no sector de Pogradec-Shkumbi, na frente de Salónica.


Com a derrota dos Búlgaros em Setembro de 1918, os austro-húngaros retiram da Albânia e a guerra nos Balcãs termina a 1 de Outubro de 1918. A força militar de Essad Pasha foi dissolvida pelos franceses e a Itália manteve o controlo da Albânia até 1920.


Vlorë ocupada pelos italianos 1916-1920

Essad Pasha no embarque em Durazzo a bordo que um navio frencês, em Agosto de 1916

Essad Pasha com um grupo de oficiais franceses de Estado-Maior em Salónica, 1916

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