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(10 de Agosto de 1904)

Batalha Naval do Mar Amarelo

Bibliografia

P. Olender (2014) Russo-Japanese naval war 1904-1905, Vol2, Battle of Tsushima

C. Pleshakov (2009), The Tsar's Last Armada: epic Journey to Battle of Tsushima

G. Piouffre, (1999), La guerre reusso-japonaise sue mar, 1904-1905, Marines Éditions

Duus, Peter (1998). The Abacus and the Sword: The Japanese Penetration of Korea, 1895-1910. University of California Press.

Gills, Barry (1996). Korea versus Korea: A Case of Contested Legitimacy. Routledge.

Kim, Djun Il (2005). The History of Korea. Greenwood Press.  


Simões, Luiz Henriques Pacheco, “A guerra russo-japonesa: V- A decisão no mar”, Revista Militar, José Estevão de Moares Sarmento, José Nicolau Raposo Botelho e Fernando da Costa Maya (dir.), Lisboa, Tip. Universal, 15/09/1904, Ano LVI, n.17, p.521, n.1.



The Russo-Japanese War Research Society


Los Angeles Herald, n.143, 19 Fevereiro 1904



As dúvidas ainda existentes foram totalmente postas de lado pelas subsequentes vitórias japonesas, de 10 e 14 de Agosto de 1904 (Mar Amarelo e Mar do Japão), sobre o que restava dos esquadras russos de Port Arthur e Vladivostoque.


Durante o final de Julho e início de agosto, quando as tropas japonesas se aproximaram de Port Arthur e as bombas começaram a cair na cidade, a correspondência entre o Vice-Rei e comandante de Port Arthur o Almirante Alexieff e o Almirante Wilgelm Karlovich Vitgeft  (substituto do Almirante Makaroff, morto em combate) tornou-se cada vez mais áspera.


Alexieff defendia uma surtida da Esquadra para que os navios de Port Arthur pudessem se unir ao Esquadrão de Cruzadores de Vladivostoque e assim formar uma força com poder suficiente para desafiar o poder naval japoneses.


O Almirante Vitgeft considerava que a esquadra devia ficar ancorada no porto e contribuir para a defesa terrestre. Os risco de uma saída eram demasiado grandes e podiam fragilizar a defesa terrestre.


O Vice-Rei Alexieff considerou a posição do Almirante Vitgeft como uma afronta e apelou ao Czar para obrigar a esquadra a sair.


Com a ordem imperial o Almirante Alexieff não teve alternativa que se lançar sobre a força naval japonesa.


Wilgelm Karlovich Vitgeft  (1847-1904)

Com o exército japonês a forçar o cerco, o Almirante Togo esperava que viesse a acontecer uma tentativa de fuga do esquadrão russo do porto e como tal posicionou suas divisões navais para batalha.


O Almirante Togo não pretendia que a esquadra russa se organizasse em  Vladivostok, o que lhe obrigaria à execução de um novo bloqueio naval de grandes dimensões.


O porto de Vladivostoque, na Sibéria, era menos protegido do que Port Arthur e não tinha reservas de carvão para todos os navios da esquadra. Mas em todo o caso o Almeirante Togo pretendia acabar ali com os restos da esquadra russa do pacífico.

09:55mn


A esquadra russa em Port Arthur zarpou a 10 de Agosto de 1904, com a maré logo ao amanhecer. O Almirante Togo esperou que a esquadra russa saísse para o largo e para fora da linha defensa de minas russas para iniciar o ataque.







Fase I

O combate parecia estar a favor dos russos e estes estavam a conseguir dirigir-se para Vladivostoque, apesar do constante fogo cruzado entre as esquadras, até que já ao anoitecer dois tiros bem colocados sobre a torre de comando do TSAREVICH, mataram os oficiais da ponte incluindo o Almirante Vitgeft, e a esquadra russa ficou sem comando.


Outro problema é que o navio rodou para bombordo e como o navio que o seguia não se apercebeu da situação seguiu e começou também a curvar, o mesmo acontecendo ao seguinte quando chegou ao mesmo ponto. Isto aconteceu sem ser transmitida qualquer sinalização a partir do navio-almirante, porque os homens na ponte tinham morrido, e em consequência a esquadra perdeu a formação e dispersou-se, o que levou a que cada navio seguisse opções diferentes.


O Almirante Togo perante a situação decidiu mandar avançar os navios torpedeiros para acabar com os navios russos dispersos. O navio japonês MIKASA ficou muito danificado durante os combates, assim como outro três couraçados japoneses. A utilização dos torpedeiro teve a intensão de poupar os couraçados a mais combate. Assumiu o comando da força japonesa o Almirante Dewa.


Fase II

11:00mn


A partir desta hora era visível para os japoneses a direcção„o que a esquadra russa ia tomar. A Divisão do Almirante Togo surgiu vindo de Noroeste e a Divisão do Almirante Dewa vinda do Sul com a intenção de encravar a esquadra russa entre as duas forças.


A Batalha do Mar Amarelo foi a mais decisiva, com excepção de Tsushima 1905,


O Almirante Togo manobrou as suas duas divisões navais de modo a se colocar entre o Port Arthur e a esquadra russa e assim impedir que esta conseguisse retornar para dentro do porto. No entanto, os russos não tinham qualquer intensão de voltar a Port Arthur, mas sim de seguir para Vladivostoque.


A manobra japonesa colocou os seus navios muito longe da esquadra russa e para os alcáçar levou várias horas.  


Às 13:00mn  o Almirante Togo tentou um “T” sobre a esquadra russa, mas não o conseguiu. Entretanto o Almirante Dewa teve de manobrar rapidamente pata não colidir com a linha de batalha do almirante Togo.


Às 13:25mn A 1ª Divisão japonesa abriu fogo sobre a esquadra russa a 8 milhas de distância e em resposta o RETVIZAN fez fogo sobre o MIKASA.


Pelas 14:45mn os combates continuavam a fazer fogo a 7 milhas, muito para além da capacidade dos controladores de tiro.


O MIKASA e o ASAHI concentraram o fogo sobre o POLTAVA, que foi ajudado pelo PERESVET, entretanto a concentração de tiro russo levou a que as unidades japonesas se afastassem do alcance de tiro. As unidades japonesas tinha vantagem na velocidade.


A 2º Divisão do Almeirante Dewa aproximou-se dos couraçados russos, mas entretanto a 8 milhas foi atingido por tiros de 203mm no cruzados YAKUMO e afastou-se.


A 1ª Divisão japoneja aumentou a velocidade em perseguição da esquadra russa e pelas 17:35mn começou a atingir o POLTAVA. Todos os navios japoneses disponíveis concentraram fogo sobre o POLTAVA, o último couraçado da linha de batalha russa, para tentar afunda-lo.


O SHIKISHIMA começou a ter detonações internas nos tubos de 305mm, assim como no ASAHI pouco depois por sobreaquecimento.


A distância entre as esquadras foi diminuendo e pelas  18:30mn a distância era de cerca de 3 milhas.


O SHIKISHIMA e o ASAHI continuaram a fazer fogo com as peças menores sobre o POBEDA e o PERESVET, o MIKASA sobre o TSESAREVICH, tendo os couraçados RETVIZAN e SEVASTOPOL ficado fora do fogo inimigo e deste modo com a capacidade de concentrar todo o fogo sobre o MIKASA.


Às 19:00mn ficou escuro e como o MIKASA estava em muito mau estado teve de retirar do combate. O  comando da esquadra japonesa passou para o navio ASAHI.


Num tiro de sorte o ASAHI acertou em cheio na torre de comando do TSESAREVICH matando o comandante da esquadra russa assim como todo o estado maior e pessoal que aí se encontrava.


Sem comando cinco couraçados e nove contratorpedeiros russos regressaram a Port Arthur. O porto estava a alcance da artilharia japonesa e ao regressassem o mais provável era ficarem ao alcance dos torpedeiros japoneses, ou serem tomados pelos japoneses após a queda do porto, o que aconteceu.


O couraçado RETVIZAN carregou sobre a linha-de-batalha japonesa, o que deu oportunidade para a esquadra russa dispesar, ao mesmo tempo que concentrou o fogo japonês sobre si. Esta manobra salvou o TSAREVICH.


O couraçado TSAREVICH que estava muito danificado, acompanhado por três contratorpediros, optou por se dirigir para o porto neutro alemão de Tsing-Tau e aí ficar internado até ao final da guerra.


O cruzador NORVIK tentou seguir para Vladivostoque.


O cruzador ASKOLD e um contratorpedeiro seguiram para Shangai, onde foram internados pelos chineses.


O cruzador DIANA seguiu para Saigão e foi internado pelos franceses.


Análise da Batalha


A experiência de comando


A Batalha a do Mar Amarelo foi a primeira grande batalha naval entre couraçados modernos de aço da idade contemporânea.


O primeiro recontro foi em Port Arhur, a 9 de Fevereiro de 1904, entre o Almirante Togo e o Almirante Stark, no início do conflito. Na Batalha do Mar Amarelo o Almirante Togo e o recente comandante da esquadra russa Almirante Vitgeft tinham pouca experiência de combate com esquadras modernas de aço e carvão.


No entanto a experiência de comando do lado russo era menor, face à sucessiva alteração de comando ao longo do conflito.


O Almirante Oskar Viktotovich Stark  foi substituído pelo Almirante Stepan Osipovich Makarov.


O Almirante Makarov foi substituído pelo Almirante Wilgelm Karlovich Vitgeft, após a sua morte  em Abril de 1904, quando o seu navio-almirante o couraçado PETROPAVLOVSK embateu numa mina.


O Almirante Wilgelm Vitgeft também viria a ser substituído durante a Batalha do Mar Amarelo pelo Almirante Pavel Petrovich Ukhtomsky após a morte em combate, quando a torre de comando do  navios-almirante TSESAREVICH foi destruída.




Nikolai Skrydlov (1844-1918)

Nomeado mas não assumiu o comando

Ivanovich Alekseyev (1843-1917)

Comandante

Wilgelm Vitgeft  (1847-1904)


Comandante

Pavel Ukhtomsky (1848-1910)

Comandante

Oskar Stark (1846-1928)

Comandante

Stepan Makarov(1849-1904)

Comandante

Wilgelm Vitgeft  (1847-1904)


Comandante

Heihachiro Togo (1847-1934)

Comandante

Pavel Ukhtomsky (1848-1910)

Comandante

Dewa Shigeto (1856-1930)

Comandante

A diferença tecnológica


A nível de experiência pessoal em combate o Almirante Togo tinha no no curriculum a Batalha de Port Artur, mas esta não seria do mesmo tipo da que iria combater no Mar Amarelo. O Almirante Vitgeft era um veterano da Revolta Boxer, na China em 1900, e as suas guarnições eram experientes de uma longa carreira na Esquadra do Pacífico. Ambas as esquadras tinha bons conhecimentos de navegação e artilheiros experientes.


Um factor decisivo na batalha foi a diferença tecnológica em torno das peças de artilharia e dos instrumentos de controlo de tiro “Rangefinders”.


As peças de artilharia de 305mm (12 inch) tinham a capacidade de alcançar 8 milhas, mas a capacidade de controlo de tiro  pouco mais permitia que 4 milhas.


A Marinha Russa utilizava Liuzhou Rangefinders que lhes permitia o calculo de tiro até 4 milhas, enquanto a Marinha Japonesa utilizava Barr-Stroud Rangefinders de coincidência que permitia um calculo de tiro até 6 milhas. Mas o que aconteceu é que ambas as esquadras abriram fogo a 8 milhas de distância no início da batalha.


A Batalha durou cerca de 7 horas, das quais 4 horas foram de combate directo onde se verificaram mais de 7.000 munições de 305mm e 155mm. A cadência de tiro da Marinha Japoneses foi superior numa proporção de 3:2. A esquadra russa sofreu 224 impactos de grande calibre e a esquadra japonesa 33 impactos.

Antecedentes

As Esquadras em Confronto

Força Naval Russa


Couraçados


TSESAREVICH: 2 × Duplo 12 in (305 mm); 12 × simples 6 in (152 mm); V: 18kn


RETVIZAN: 2 × Duplo 12 in (305 mm); 12 × simples 6 in (152 mm); V: 18kn


POBEDA: 2 × duplo  10 in (254 mm); 11 × simples 6 in (152 mm); V: 18kn


PERESVET: 2 × duplo  10 in (254 mm); 11 × simples 6 in (152 mm); V: 18kn


SEVASTOPOL: 2 × duplo 12 in (305 mm); 4 × duplo 6 in (152 mm); 4 x simples 6 in (152 mm); V: 16kn


POLTAVA: 2 × duplo 12 in (305 mm); 4 × duplo 6 in (152 mm); 4 x simples 6 in (152 mm); V: 16kn


Cruzadores Protegidos


ASKOLD: 12 × simples 6 in (152 mm); V: 24kn


DIANA: 8 × simples 6 in (152 mm); V: 20kn


NOVIK: 6 × simples 4.7in (120 mm); V: 25kn


PALLADA: 8 × simples 6 in (152 mm); V: 19kn


Contratorpedeiros:14




Força Naval Japonesa


1ª Divisão Almirante Togo


Couraçados


MIKASA: 2 × Duplo 12 in (305 mm); 14 × simples QF 6 in (152 mm); V: 18kn


ASAHI: 2 × Duplo 12 in (305 mm); 14 × simples QF 6 in (152 mm); V: 18kn


FUJI: 2 × Duplo 12 in (305 mm); 10 × simples QF 6 in (152 mm); V: 18kn


SHIKISHIMA: 2 × Duplo 12 in (305 mm); 14 × simples QF 6 in (152 mm); V: 18kn



Cruzadores Blindados


NISSHIN: 2 × Duplo 8 in (203 mm); 14 × simples QF 6 in (152 mm); V: 20kn


KASUGA: 1x simples 10 in (254mm); 1x duplo 8 in (203mm); 14x simples 6 in (152mm); V:20kn



Cruzadores Protegidos: 8


Contratorpedeiros: 18


Torpedeiros: 30



2ª Divisão Almirante Dewa


Cruzadores Protegidos


CHITOSE: 2 × Duplo 8 in (203 mm); 10 × simples QF 4.7in (120 mm); V: 23kn


TAKASAGO: 2 × Duplo 8 in (203 mm); 10 × simples 4.7in (120 mm); V: 23kn


YAKUMO: 2 × Duplo 8 in (203 mm); 10 × simples 4.7in (120 mm); V: 23kn


YOSHINO: 4 × Simples OF 6 in (152 mm); 8 × simples QF 4.7in (120 mm); V: 23kn