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Guerra Turco-Russa 1877-1878

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A guerra Russo-Turca de 1877-1878, conhecida na Turquia como Guerra de 93, por se tratar do ano de 1293 do calendário islâmico, foi um conflito entre o Império Otomano e a Coligação Ortodoxa Oriental liderada pelo Império Russo e composta pela Bulgária, Roménia, Sérvia e Montenegro.


O conflito desenrolou-se nos Balcãs e no Cáucaso, tendo dado origem à emergência dos nacionalismos balcânicos século XIX. Para o Império Russo existia o objectivo adicional de recuperar as perdas territoriais sofridas durante a Guerra da Crimeia de 1853-1856, de restabelecer uma supremacia naval no Mar Negro e de apoiar os movimentos políticos que lutavam por se libertarem do Império Otomano.


A Rússia venceu a guerra e como resultado conseguiu reivindicar províncias no Cáucaso, nomeadamente Kars e Batum, mas também a anexação da região de Budjak.


Os principados da Roménia, Sérvia e do Montenegro, cada um deles com soberania de facto já há algum tempo, proclamaram formalmente a independência do Império Otomano em 1878.


A Roménia ressurgiu como estado com um vasto território que cobria terras entre o Rio Danúbio e as montanhas dos Balcãs, excepto Dobrudja do Norte, que foi entregue à Romênia, e a região de Sofia onde ficou a Capital.


Em resultado do conflito e com o Congresso de Berlim de 1878, as fronteiras europeias do Leste viram ainda alterações com a Áustria-Hungria ocupar a Bósnia e Herzegovina e o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda para assumir Chipre.


Reino da Bulgária

Império Russo

Império Otomano

Reino da Sérvia

Reino do Montenegro

A génese do conflito

Em 1856 a Rússia terminou a Guerra da Crimeia com perdas territoriais mínimas, mas foi forçada a destruir sua frota do Mar Negro e as fortificações de Sebastopol.


O prestígio internacional russo ficou prejudicado com a situação e por muitos anos a vingança pela derrota na Guerra da Crimeia converteu-se num objetivo político russo.


O Tratado de Paris de 1856, que redigiu o acordo de paz após a Guerra da Crimeia, 1853-1856, convencionou as condições da derrota do Império Russo e da vitória da coligação Império Otomano, França, Inglaterra e Reino da Sardenha. Este incluía garantias da integridade territorial otomana por parte Inglaterra, França e Áustria, tendo apenas existido uma posição amigável com a Rússia durante a Conferência por parte da Prússia.


A Rússia viria a apoiar consistentemente a Prússia nas suas guerras com a Dinamarca (1864), a Áustria (1866) e a França (1870), e quando em Março de 1871, a Prússia (Alemanha)  infligiu uma derrota esmagadora à França, a Rússia conseguiu um novo reconhecimento internacional e a alteração de imposições do Tratado de Paz de Paris, em especial a anulação daquela que lhe impedia a reconstrução de uma frota militar no Mar Negro.


Outra questão firmada no Tratado de Paz de Paris, era a garantia da integridade territorial otomana, por parte da Inglaterra, França e Áustria. Portanto, o que levava a que a Rússia fosse extremamente cautelosa nas relações diplomáticas com o Império Otomano.


A construção da Coligação Ortodoxa Oriental, foi uma forma estratégica de coordenação das suas ações com as outras potências europeias, em especial a Inglaterra, a França e o Império Austro-húngaro.  

Em face da evolução do conflito entre sérvios e turcos, e pela posição de neutralidade benevolente do Imperio Austro-húngaro conseguida pela diplomacia russa, em Abril de 1877 a Rússia encontrou uma posição diplomática internacional que lhe permitiu declarar guerra ao Império Otomano.

O exército otomano tinha a vantagem de estar fortificado, o controlo total do Mar Negro e ainda tinha patrulhas fluviais ao longo do rio Danúbio. A nível de equipamento tinha armas superiores à do exército russo, espingardas inglesas e americanas e artilharia alemã.


A frente marítima compunha-se de um sector fluvial dominado pelo extenso percurso do rio Danúbio, mais o seu estuário na cidade de Constância, e o sector costeiro dominado pelos portos de Constância, Kavarna, Varna, Burgas e Kiyikoy.


A superioridade naval otomana tinha por base uma marinha moderna com navios blindados de propulsão mista, que ofereceu o domínio do mar durante o conflito. As operações russas foram principalmente por terra e mesmo sendo reconhecido internacionalmente as atrocidades que o exército otomano tinha executado na Bulgária e o apoio generalizado das nações europeias à Rússia, a Grã-Bretanha só consentia a acção militar russa desde que esta não se aproximasse de Constantinopla.


Isto levou a que a Grã-Bretanha tivesse enviado uma esquadra para o estreito de Marmara, onde ancorou impedindo qualquer avanço russo sobre a capital otomana.


Mesmo considerando que a estratégia britânica de entrepor uma esquadra no estreito de Marmara tenha salvo o Império Otomano de um desastre, a manobra não foi do agrado do Sulão Otomano e quando das negociações de paz, na Conferência de Berlin de 1878, o Império Otomano demonstrou um afastamento político da Grã-Bretanha e uma aproximação à Alemanha.


Base Naval Otomana - Mar Negro

Em 1614, o porto de Batumi foi ocupado pelo Império Otomano e a região forçada à islamização. A cidade voltaria ao Império Russo após a Guerra Russo-Turca de 1877-1878.


Óleo sobre tela de Lev Lagorio (1827-1905)

Título: Batumi (1881)

Orenburg Museum of Fine Arts

Rússia

Fonte: www.belygorod.ru

A frota otomana começou a mobilizar em Setembro de 1876, em face dos preparativos da Rússia para o conflito, assim como devido ao aumento da tensão desde o início da insurreição na Bósnia Otomana em meados de 1875. A Sérvia havia declarado guerra ao Império Otomano. em julho de 1876.


Em dezembro de 1876, AVANILLAH e seu navio-gémeo MUINI ZAFER foram transferidos para o porto de Batumi, devido à presença de forças navais russas cada vez mais ativas na área.


A 24 de Abril de 1877 o Império Russo declarou guerra ao Império Otomano.


AVANILLAH passou a guerra incorporado no Esquadrão do Mar Negro, com grande parte da frota otomana de ferro.  Os oito navios blindados da frota otomana no Mar Negro, eram muito superiores à frota russa do Mar Negro. Os únicos navios de ferro que os russos possuíam eram o VICE-ALMIRANTE POPOV e o NOVGOROD, dois estranhos navios circulares que se mostraram incapazes para navegarem em combate, devido à sua velocidade muito baixa e à dificuldade de manobra.

A presença da frota otomana forçou os russos a manterem dois corpos de exército em reserva para a defesa costeira, mas o alto comando otomano falhou em fazer uso de sua superioridade naval de uma maneira mais significativa junto da região dos Balcãs.


Os navios otomanos actuaram principalmente na zona do Cáucaso, tendo bombardeado o porto de Poti e auxiliado na defesa do porto de Batumi.


Em Maio de 1877, o Esquadrão Otomano do Mar Negro era composto pelos navios: AVANILLAH, MUINI ZAFER, NECM-ISEVKET. FETHI BULEND, MUKADDEMEI HAYIR e ICLALIVA. Nesta data o esquadrão bombardeou o porto russo de Sokhumi e posteriormente desembarcou tropas que o ocuparam.


Ao longo do conflito a Marinha Russa utilizou navios torpedeiros para atacar os navios otomanos surtos no porto de Batumi, mas sem sucesso. No final da guerra os portos de Sokhumi, Poti e Batumi foram entregues aos russos.


A doca imperial russa em Nicolaieff em 1878. Desenho do monitor circular de ferro Vice-Almirante Popov


Monitor Novgorod, 1873


Acção no Canal Macin 25/26 de Maio de 1877


Trata-se de uma acção de uma flotilha russa composta por quatro torpedeiros: XENIA, TZAREVNA, DZIGIT (russos) e o RANDUNICA romeno com parte da guarnição da marinha russa. Este último era conhecido na Marinha Russa com o nome de TSAREVICH. Estes atacaram os navios otomanos HIFZI RAHMAN (corveta blindada) e o KILI GI ALI (vapor de passageiros).


O Tenente Ioan Murgescu em carta dirigida ao Tenente Nicolae Negrescu, em 1890 descreveu o ataque ao HIFZI RAHMAN. Este deu ordem ao torpedeiro XENIA que o seguisse e nesta formação conseguiu aproximar-se da canhoneira otomana até 130m sem ser detectado. Eram cerca das 2h30 quando os otomanos os detectaram com os holofotes de bordo.


Dispararam sobre o RANDUNICA três tiros muito próximos, mas já não conseguiram dispara o quarto tiro. O torpedo-lança explodiu debaixo do navio por impacto e o HIFZI RAHMAN lançou um jacto de água proveniente da explosão que inundou parcialmente o RANDUNCIA.


Como parte da guarnição do HIFZI RAHMAN se preparava para utilizar a arma da proa contra a flotilha, o torpedeiro XENIA atacou a proa do navio otomano, o que levou a que a guarnição do HIVIZ RAHMAN abandonasse o navio.


Ambos os oficiais (russo e romeno) foram condecorados pela bravura em combate. O Tenente Ioan Murgescu recebeu a Ordem de Santo Vladimir e a Estrela de Roménia. No final da guerra o RANDUNICA retornou à Marinha Romena.


Este episódio, pouco conhecido, está ligado a uma estratégia de utilização de pequenos navios torpedeiros no estuário do rio Danúbio, mas também às contingências da frota de guerra russa que se encontrava muito desfalcada de meios navais no Mar Negro, em consequência da derrota da Guerra da Crimeia (1856) e das condições de paz impostas.



Fontes:


Craciunoiu, Cristian (2003), Vedetele Torpiloare Din Marina Romana, Bucuresti, Modelism.

Enciclopédia Britânica  

Robert Gardiner, Conway's All the World's Fighting Ships, 1860-1905, Naval Institute Press, 1985

https://www.britannica.com/event/Crimean-War

https://www.britannica.com/topic/Russo-Turkish-wars


Acção no Danúbio (Izmail) 11 de Maio de 1877


Durante a Guerra Turco-Russa, o navio otomano LUFTU CELIL, uma corveta blindada, explodiu e afundou no rio Danúbio, perto de Izmail. A sua missão era operar no rio Danúbio para tentar impedir que as forças russas o cruzassem.


Quanto estava em patrulha a 11 de Maio, foi atingido por fogo de uma bataria de artilharia do Exército russa que o atingiu a sala da caldeira, causando uma explosão que o destruiu e matou a maioria de sua tripulação, cerca de 160 homens.


LUFTU CELIL era um dos navios designados para o II Esquadrão da Frota Asiática da Marinha Otomana, junto com os navios HIFZI RAHMAN, AVNILLAH e MUINI ZAFER.