Guerra Sino-Japonesa (1894-1895)

Batalha Naval do Rio Amarelo (17 de Setembro de 1894)

A guerra sino-japonesa, entre Agosto de 1894 e Abril de 1895, foi um ponto de viragem na política naval da Marinha Imperial Japonesa.

Antes deste conflito a força naval japonesa pouco mais era que uma força naval costeira e defensiva (green water navy), que seguia o rumo de qualquer outra marinha pertencente a uma pequena potencia: suportava a sua força naval em pequenas unidades equipadas com torpedos (torpedeiros) de acordo com o pensamento estratégico da Jeune École e mantinha o objectivo de atacar as unidades inimigas próximas, mas evitando qualquer contacto com navios de guerra de grande porte.

Igualmente apostava numa pequena força de cruzadores ligeiros para complementar a sua força costeiro de torpedeiros, complementando assim uma capacidade e autonomia para poder praticar a guerra ao comércio quando necessário.

O Japão tinha descartado a hipótese de desenvolver uma segunda estratégia, também utilizada por potências navais menores, a estratégia de “fleet in being” (força potencial), ou seja uma força naval ameaçadora que conseguisse projectar uma ameaça de poder naval que influenciasse regionalmente o comando do mar, sem ter a necessidade de sair do porto de abrigo. A doutrina naval japonesa antes de 1894 implicava o objecto de apenas atacar navios mercantes e de se abster de qualquer combate contra esquadras que tivessem a capacidade de ganhar o controlo do mar.

Em relação à China a situação era diferente. O seu comércio marítimo estava nas mãos de estrangeiros o que lhe garantia uma certa imunidade a qualquer acção de guerra ao comércio por parte do Japão.

Por outro lado, a sua Marinha de Guerra que também podia ser considerada como costeira (green water navy), mostrava um núcleo de couraçados (fleet in being), dois navios com torres blindadas. O problema da China era o de não ter um comando unificado na marinha e de ter bases navais geograficamente distantes e autónomas.

A partir de 1881 a China começou a utilizar o Port Arthur como base naval. Um porto natural com excelentes condições defensivas por mar e por terra, na península de Liaodong. Era uma posição estratégica e central no Golfo de Chihli (Bo Hain) no Mar Amarelo. Também era o único porto da China com capacidade para ancorar os couraçados e equipado com facilidades portuárias para a suas manutenções.

Batalha de Weihaiwei (4-12 Fevereiro 1895). Representa o Almirante Ito Sukeyuki (Japão) a aceitar a rendição chinesa depois da batalha. Por detrás dos dignitários chineses é possível observar dois ocidentais, sendo o da esquerda a representação do Vice-Almirante John McClue que se encontrava ao serviço da Marinha Imperial Chinesa.




A Marinha Imperial Japonesa seguia o modelo da marinha britânica e era na época treinada e com um bom conhecimento sobre controlo de tiro de artilharia naval e navegação.

No início do conflito o Japão apresentava 12 navios militares modernos aos quais se juntou um décimo terceiro, uma fragata, 22 torpedeiros (16 dos torpedeiros eram de fabrico francês mas montados em estaleiros no Japão) e um número alargado de navios mercantes convertidos em cruzadores auxiliares. Nesta época o Japão ainda não tinha couraçados e toda a sua marinha tinha sido formada dentro da doutrina de Jeune École.

Cruzadores protegidos

Matsushima (navio almirante)

Itsukushima

Hashidate

Naniwa

Takachiho

Yaeyama

Akitsushima

Yoshino

Izumi (chegou ao teatro de guerra posteriormente)


Cruzador

Chiyoda


Corvetas Blindadas

Hiei

Kongo


Canhoneira Blindada

Fuso

A 18 de Janeiro de 1895 a esquadra japonesa bombardeou a cidade de Dengzhou a 160 km a Oeste de Weihaiwei. O fogo sobre a cidade foi efectuado pelos cruzadores Yoshino, Akitsushima e Naniwa.


A missão consistiu num apoio de fogos ao exército japonês que prosseguia por terra e para dar cobertura ao desembarque de uma brigada de infantaria perto da cidade.

Após as tropa terrestres japonesas terem entrado na cidade de Weihaiwei a 2 de Fevereiro, as posições de artilharia da cidade foram ocupadas e apontadas em direcção da esquadra chinesa de Beiyang que se encontrava fundeada no porto. Esta esquadra tinha-se mantido abrigada no porto sem intervir nos combates.

As forças japoneses conseguiram retirar as protecções do porto à entrada da base naval e a 4 de Fevereiro efectuaram vários ataques nocturnos com torpedeiros sobre os navios chineses aí ancorados.

A 7 de Fevereiro um ataque de torpedeiros combinado com outras unidades navais japonesas, conseguiram afundar o couraçado protegido (navio almirante, Dingyuen e outros três navios menores. As guarnições dos torpedeiros chineses que se encontravam no porto amotinaram-se e fugiram. Dos 11 torpedeiros chineses 6 foram destruídos e sete capturados pelos japoneses.

O Almirante Ting (Chinês) reconheceu a derrota. O Almirante japonês que era seu amigo pessoal escreveu-lhe uma missiva para uma rendição honrosa e com asilo até ao final do conflito, mas o Almirante chinês não acedeu e por honra suicidou-se.

A rendição da força naval chinesa foi aceite a 12 de Fevereiro de 1895 e o corpo do Almirante Ting foi tratado com todas as honras militares pelos japoneses.

Batalha Naval de Weihaiwei (de 4 a 12 de Fevereiro de 1895)

Couraçado blindado

Dingyuan (navio almirante)

Zhenyuan


Cruzadores

King Yuen (blindado)

Lai Yuen (blindado)

Chih yuen (protegido)

Ching Yeun (protegido)

Tsi Yuen  (torpedeiro)

Kuang Ping (torpedeiro)

Chaoyong (torpedeiro)

Yangwei (torpedeiro)

Pingyuan (costeiro)


Corveta

Kwan Chia


Outras unidades: 13 torpedeiros, várias canhoneiras e navios auxiliares

Almirante Ting Ju-Chang (1836-1895)

(Marinha Chinesa)


Almirante Conde Ito Sukeyuki (1843-1914)

(Marinha Imperial Japonesa)


Batalha do Rio Amarelo, ou Batalha do rio Yalu, ocorreu a 17 de Setembro de 1894 e foi o maior combate naval do conflito. O combate deu-se perto a fronteiroa entre a China e a Coreia e foi o primeiro confronto entre os almirantes Ito Sukeyuki (Japão) e Ting Ju-Chang (China). Tratou-se de uma intercepção da força japonesa sobre a esquadra chinesa que se encontrava a apoiar um desembarque de tropas.


A esquadra japonesa  (Força Combinada) consistia em duas formações principais e um reserva.

A primeira era o esquadrão avançado composto por quatro cruzadores, Yoshino, Takachiho, Akitsushima e Naniwa, sob o comando do Vice-almirante Tsuboi Kozo. A força principal era composta pelos cruzadores: Matsushima (navio almirante), Chiyodo, Itsukushima, Hashidate, e as canhoneiras blindadas Fuso e Hiei, comandadas pelo Almirante Ito Sukeyuki. Havia ainda um navio de comunicação, o Saikyo Maru, e a canhoneira Akagi comandados por um capitão europeu chamado John Wilson (suéco).


A esquadra chinesa (Esquadra de Peiyang) era comandada pelo Almirante Ting Ju-Chang e era composta pelos couraçados Dingyuan e Zhenyuan, os cruzadores Jiyuan, Guagjia, Zhiyuan, Jingyuan, Laiyuan, Jinggyuen e mais dois velhos cruzadores, o Chaoyong e Yanwei. Existia ainda um outro esquadrão naval que não estava no local e que tinha sido envido em escolta rio acima. Esta escolta regressou mais tarde e ainda perseguiu o navio auxiliar Saikyo Maru.

Bibliografia

Lindberg, Michael; Todd, Daniel (2002), Brown, Green and Blue Water Fleets: the influence of geography on naval warfare, 1861 to the present, UK London, Greenwood Publishinf Group.

Chang, Jung (2013), The concubine Who Launched Modern China: Empress Dowager Cixi, USA New York, Anchor Books.

Schencking, J. Charles (2005), Making Waves: Politics, Propaganda and the Emergence of the Imperial Japaneses Navy, UK Stanford, standford University Press.

Paine, S.C.M. (2003), The sino-Japanese War of 1894-1895: Perceptions, Power and Primacy, UK Cambridge, Cambridge University Press.

A Campanha dos Pescadores (de 23 a 26 de Março de 1895)


James Davidson (1872-1933)

James Wheeler Davidson (1872-1933) foi um aventureiro, explorador, homem de negócios, escritor e diplomata dos Estados Unidos da América. Em 1903 escreveu o livro “The Island of Formosa, Past and Present” sobre a história de Taiwan e vários outros artigos sobre Taiwan nos anos seguintes.


Pala sua colaboração com o Exército Imperial Japonês durante o conflito com a China foi condecorado pelo Imperador do Japão com a Ordem do Sol Nascente. Em 1897 foi nomeado agente consular americano em Taiwan pelo Presidente Cleveland e em 1905 foi nomeado como cônsul em Xangai.


https://www.warhistoryonline.com/history/pescadores-japans-conquest-of-taiwan.html?utm_source=getresponse&utm_medium=email&utm_campaign=warhistoryonline&utm_content=%5BWar+History+Online%5D+Daily+Dispatches (Consulta: 2018/07/14)

https://www.jacar.go.jp/english/jacarbl-fsjwar-e/about/p005.html  (Consulta: 2018/07/14)

Migita Toshihide, 1895

O grito de guerra do Capitão Sakuma na ocupação da ilha dos Pescadores (Bako)


Um dos objectivos da campanha do Japão contra a China no conflito de 1894-1895 era a conquista de Taiwan, algo que já tinha sido tentado anteriormente mas não conseguido.

Esta acção secundaria da guerra Sino-Japonesa de 1894-1895, ficou conhecida como a “Campanha dos Pescadores” e decorreu entre 23 e 26 de Março de 1985. Sobre a mesma existem os relatos do aventureiro americano James W. Davidson, o que hoje se chamaria de repórter de guerra.  No entanto será interessante saber que esta campanha começou três dias depois de se terem iniciado as conversações de paz entre a China e Japão.


A força naval de apoio à campanha foi composta por um destacamento vindo do porto Ujina, em Hiroshima que se juntou ao destacamento que se encontrava no porto Sasebo, tendo a força  ficado sob o comando do Almirante Ito Sukeyuki.


A operação militar teve início a 15 de Março a partir de Estação Naval Japonesa de Sasebo, com o transporte do efectivo de 5.500 homens que e dirigiu-se para o Arquipélago dos Pescadores, ilha Panhool, e onde chegou a 20 de Março.


Esta força naval foi constituída pelo Matsushima , Itsukushima, Hashidate, Naniwa, Takachiho e o  Akitsushima que escoltavam a força de navios de transporte de tropas e abastecimento.


Dos relatos ficou o conhecimento que nos dias 21 e 22 de Março estava mau tempo que impediu o desembarque, mas a 23 as condições atmosféricas permitiram o início das operações.


As forças militares chinesas presentes nas ilhas dos Pescadores ofereceram pouca resistência aos avanços das forças japoneses.  É neste ponto que os relatos do americano James Davidson viriam a ser um complemento muito importante à informação produzida pelas tropas japoneses, a qual se centrou na narrativa sobre os acontecimentos no continente.


A chave para a captura da ilha de Taiwan estava na conquista do pequeno arquipélago dos Pescadores que ficava no estreito entre o continente e a Taiwan, impedindo assim a chegada de reforços chineses vindos do continente e criando uma situação de facto que viria a permitir suportar a exigências nas negociações de paz.


Às 9h30mn a força naval japonesa abriu fogo sobre as posições fortificadas costeiras chineses e desembarcou uma força inicial na praia, a qual que se dirigiu para o centro da ilha em direcção ao porto de Bako (Magong).


A força japonesa constituída por infantaria do exército e fuzileiros da marinha foi interceptada por tropas chinesas e os combates continuaram até ao dia seguinte, sempre com o apoio da artilharia naval. Na noite de 24 de Março os chineses renderam-se.


Logo a partir do primeiro dia após o desembarque as tropas japoneses começaram a ficar doentes com cólera, o que se tornou um dos maiores obstáculos para a tomada das ilhas e que levou a uma perda de um quarto dos homens desembarcados.


Os relatos americanos indicam que o forte da ilha de Panghool fez fogo sobre as tropas desembarcadas, mas teve pouco efeito em retardar o avanço japonês. Estes também referem que as tropas de infantaria chineses ao fim de poucos disparos tinham tendência para dispersar.  Ao longos das ilhas os japoneses foram encontrando pequenos pontos de resistência e o arquipélago foi tomado em poucos dias.


A campanha terminou oficialmente a 26 de Março de 1895, mas após um batalha diplomática à mesa das negociações o Japão viria a obter a ilha de Taiwan a 17 de Abril em resultado do Tratado de Shimonoseki e viria a iniciar a ocupação a 29 de Maio.


A Campanha de Taiwan (de 26 de Maio a 8 de Junho de 1895)


SMS ILTIS (1898)

HMS REDBREAST (1889)

Forte Huwei  (Hobe)


A peça principal tinha um campo de tiro de 360º e cobria toda a zona do estuário do rio Tamsui. As restantes três peças tinham diferentes arcos de tiro.


Tinham quatro peças modernas


1 x 12 inch (305mm) Armstrong

1 x 10 inch (254mm) Armstrong

2 x 8 inch (203mm) Krupp


A campanha sobre Taiwan foi preparado com a utilização de uma  força naval composta por 14 navios de transporte e dois navios de guerra, o Matsushima e o Naniwa, que transportaram 7.000 guardas imperiais.


Os transportes partiram de Port Arthur (China) no dia 22 de Maio e chegaram ao norte de Taiwan a 26 de Maio, onde desembarcaram junto do Cabo Santiago (Sam-tiau-kak)  e daí progrediram na ocupação.


A oposição dos chineses locais perante a ocupação japonesa levou ao início de uma guerra que durou até 8 de Junho quando já no sul da ilha foi ocupada o porto de Tamsui.


O maior confronto deu-se a 2 de Junho em Sui-hong (norte) onde as forças chinesas foram derrotadas com o apoio da artilharia naval do Matsushima, Naniwa, e do  Oshima, Takachiho e Chiyoda que entretanto tinham chegado.


Durante a primeira semana das operações a cidade de Keelung foi controlada e a 7 de Junho a cidade de Taipe foi ocupada sem dificuldade após ter sido abandonada pelos responsáveis chineses. As tropas japoneses entraram na cidade e repuseram a ordem civil.  


Sem governo na ilha o sul de Taiwan ficou sem lei e no porto de Tamsui surgiu uma situação de tumultos incontrolada. Houve uma tentativa dos responsáveis governamentais de Taiwan embarcarem num navio civil a vapor o ARTHUR em Tamsui, para fugirem para o continente na China


A situação complicou-se a 5 de Junho quando se soube que estes transportavam na bagagem uma quantia muito avultada de dinheiro, correspondente ao soldo das guarnições do norte da ilha. Houve um assalto ao navio e o dinheiro foi posteriormente distribuído pelas tropas de infantaria que estavam a guarnecer a defesa de Tamsui. Isto deixou de fora as tropas que guarneciam o forte de Hobe, que tinha artilheira costeira, e que ameaçou o navio ARTHUR se também não recebessem alguma parte do dinheiro.


Os europeus que se encontravam no navio conseguiram ajustar um pagamento com a guarnição chinesa do forte em troca das culatras dos quatro canhões do forte. A posição do Forte Hobe estava numa posição chave que podia fechar o porto com a sua artilharia.


O Forte Hobe (Huwei) era de construção recente a sua artilharia moderna, mas ficara inoperativo sem chegar a disparar um tiro sobre as tropas japonesas.


Considerando que a artilharia do porte estava inoperacional o comandante do ARTHUR levantou ferro a 6 de Junho e forçou a saída, mas foi atacado por fogo de artilharia de batarias chinesas do exército. Houve um assalto ao navio e na luta houve vários mortos de ambos os lados.


A situação foi controlada pela a intervenção de uma canhoneira alemã que se encontrava no porto de Tamsui, a SMS ILTIS da Kaiserliche Marine (4 × 8.8 cm (3.5 in) SK L/30; 6 × metralhadoras), que abriu fogo sobre as posições da artilharia chinesa e as calou.


O vapor ARTHUR conseguiu sair do porto ao anoitecer com os europeus e os responsáveis governamentais chineses em direcção ao continente chinês. Com a saída destes últimos representantes governamentais de Tamsui teve início uma onda de assaltos e pilhagens por toda a cidade, tendo os europeus que ficaram sido defendidos pelas guarnições do SMS ILTIS e também da canhoneira HMS REDBREAST (6 × BL 4-inch (101.6 mm) 25-pdr; 4 × metralhadoras).


A ordem só veio a ser restabelecida com a chegada das tropas japonesas a 7 de Junho e a entrada de dois navios da Marinha Japonesa no porto.


A 8 de Junho uma unidade de cavalaria japonesa entrou em Tamsui e finalizou a ocupação, pacificação da cidade e da restante Taiwan, obtendo a rendição das tropas chinesas aí presentes.

Para cima