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Guerra Russo-Japonesa (1904-1905)

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La Perouse

A questão territorial da península da Coreia e a intervenção do Japão sobre o território teve início após a assinatura do Tratado de Kanghwa, em 1876, também conhecido como Tratado de Amizade Japão-Coreia, celebrado entre o Governo Meiji (Japão) e o Governo Chosun (Coreia), mas que na realidade se tornou num primeiro passo para a integração do território coreano na economia do Império Japonês.


O contexto internacional reflecte uma posição de isolacionismo comercial em relação ao exterior, em especial às potências ocidentais: França e Estados Unidos da América. Numa situação de permanente instabilidade política interna, o Japão primeiro tentou influências a política interna para uma abertura de relações comerciais coreia-japonesas, mas após derrube do Príncipe Regente Gung (Yi Ha-eung) em 1897,  pela Rainha Mãe, a Imperatriz Myeongseong, a Coreia procurou uma maior relação política e comercial com a Rússia.


O Tratado de Kanghwa de Outubro de 1876, reflecte o resultado do incidente de Kanghwa de 1875, quando uma canhoneira japonesa (IJN Unyo) forçou a entrada nas águas costeiras da Coreia, junto à ilha de Kanghwa. O estratagema utilizado para levar os coreanos a abrir fogo sobre os japoneses, foi o envio de uma pequena embarcação para alegadamente recolher água potável. Os coreanos abriram fogo sobre a pequena embarcação que se aproximava da costa e em resposta o navio de guerra abriu fogo sobre a artilharia costeira. Recolhida a pequena embarcação o navio japonês retirou das águas da Coreia e regressou ao Japão.

A génese do conflito: A disputa da Coreia entre a Rússia e o Japão

O Paralelo 38

O Acordo de Yamagata-Lobanov, foi um Acordo assinado em são Petersburgo em 1896, entre o Império Japonês e o Império Russo, relacionado com a disputa da influência política e económica sobre a Península da Coreia.


A situação política na Coreia, após o assassinato da Imperatriz Myeongseong, levou ao Imperador Gung a se refugiar na embaixada da Rússia em Seul, o que aumentou a influencia política da Rússia sobre a Coreia. Esta situação levou à autorização da permanência de tropas russas no território coreano e a uma constituição de um governo pró-russo.


A razão do acordo ter sido assinado em São Petersburgo, está relacionado com a ida do antigo Primeiro Ministro Japonês  Yamagata Aritomo às cerimónias da coroação do Czar Nicolau II, e terá sido nesta ocasião que o Japão terá colocado a proposta de dividir a Península Coreia em duas zonas de influência pela linha do paralelo 38, onde cada uma das parte passaria a influenciar a governação da Coreia e a ter permanentemente tropas de segurança.


A proposta foi recusada pela Rússia, mas mais tarde após a formação da União Soviética, Joseph Stalin viria a ressuscitar o conceito de influência política sobre a Coreia e a defender a proposta da divisão da Coreia pelo paralelo 38 na Conferencia de Yalta, de 11 de Fevereiro de 1944, com os Estados Unidos e a Grã-Bretanha.

A Esquadra do Pacífico era em teoria um força com alta capacidade de combate, formada por 63 navios de guerra, entre os quais 7 couraçados e 11 cruzadores, estacionados entre Porto Artur e o Porto Vladivostoque.


Mas na realidade a Esquadra era composta por navios antigos, com fraca manutenção, o que a colocava em desvantagem perante a Marinha Imperial Japonesa, com menor número de grandes unidades mas com unidades mais modernas e parte de construção britânica.


A Marinha Japonesa tinha 80 navios, dos quais 26 grandes unidades, sendo que seis dos couraçados eram unidades como o couraçado MIKASA de 15.000t.


A dispersão das unidades russas viria a ser mais um problema que a Esquadra Russa do Pacífico teria de lidar  e que seria aproveitado pela Marinha Japonesa, que encetou um conjunto de ataques que impossibilitaram a reunião das unidades russas numa grande esquadra de combate.


Em Porto Artur mantinham-se estacionados três couraçados da Classe Petropavlovsk, quando se iniciou a guerra russo-japonesa em 1904, o Petropavlovsk, o Poltava e o Sevastopol, e aí se mantiveram estacionados até 13 de Abril 1904.


Em Vladivostoque estava estacionada uma força de cruzadores que durante os primeiros meses foi eficaz na guerra ao comércio contra os navios mercantes japoneses, mas que acabou por ser neutralizada pela Marinha Japonesa que a obrigou a se refugiar no porto.


A Esquadra Russa do Pacífico

Tsushima

Vladivostoque

Bezobrasov Raid

A 2ª Esquadão da Esquadra Russa do Pacífico

O 3º Esquadrão da Esquadra Russa do Pacífico

Almirante Nikolai Iwanowitsch Nebogatov

(1849-1922)

Comandante da Esquadra do Báltico


Almirante Zinovy Rozhestvensky

(1848-1909)

Comandante da Esquadra do Báltico

A forma como o Japão forçou uma situação para levar a Coreia a negociações diplomáticas e a abrir as suas fronteiras ao comércio externo, “diplomacia das canhoneiras”, em muito se assemelhou ao que os Estados Unidos da América tinha efectuado em 1853 sobre o Japão, quando o Comandante Matthew Perry forçou o acesso aos portos do Japão pela força das armas.


Para o início das negociações em Fevereiro de 1876 o Japão enviou uma frota liderada pelo embaixador especial Kuroda Kiyotaka, que foi à Coreia para exigir desculpas do Governo Coreano de Gung  e um tratado comercial entre as duas nações. O Japão conseguiu com o Tratado receber direitos extraterritoriais para os cidadãos japoneses na Coreia, e forçou a abertura de três portos à marinha japonesa. Mais tarde este Tratado levou à anexação da Coreia por parte do Japão.


É interessante relembrar que a questão do paralelo 38, linha divisória que ainda hoje (2018) prevalece e divide as duas Coreias (Coreia do Norte e Coreia do Sul), remonta a uma tentativa diplomática de divisão de influência política entre a Rússia e o Japão sobre aquele território em 1896. Esta proposta tinha sido colocada no campo diplomático pelo Governo Japonês ao Império Russo, mas a construção das duas esferas de influência divididas ao longo do paralelo 38 não chegou a ser alcançado.


e o Japão acabou por tomar o controlo de toda a Coreia, em 1910 após o Tratado Japão-Coreia. A ocupação do território coreanos manteve-se entre 1910 a 1945.


Em 1905, é assinado então o Tratado de Eulsa, ou Tratado de Tratado de Protecção da Coreia, em muito influenciado pelo resultado da Guerra Russo-Japonesa e pela vitória final do Japão sobre a Rússia. Não poderá ser deixado de referir que os Estados Unidos da América deram toda a liberdade de intervenção japonesa sobre a Coreia, quando assinaram o Acordo de Taft-Katsura, no qual se abstinha de qualquer interferência entre os assuntos do Japão sobre a Coreia.


A pressão japonesa para a assinatura do Tratado de Eulsa, a 15 de Novembro de 1905, foi acompanhada por uma ocupação do Palácio de Seul por tropas do Exército Imperial Japonês, simultaneamente com outras tomadas de posições estratégicas no território.


A 17 de Novembro de 1905, o diplomata Ito Hirobumi obrigaram o Imperador Gung, que se recusou e que delegou a assinatura nos seus ministros, que após muita pressão acabaram por assinar. O acordo deu ao Japão responsabilidade completa quanto aos assuntos estrangeiros da Coreia, e colocou todo o comércio externo coreano sob a supervisão japonesa.


O Japão acabou por tomar o controlo de toda a Coreia, em 1910 após o Tratado Japão-Coreia, ocupação do territorial que manteve até 1945.

O Almirante Nikolai Nebogatov comandou o esquadrão que seguiu do Báltico para o Pacífico através do Mediterrâneo e Índico.


Este esquadrão partiu do Báltico a 16 de Fevereiro de 1905 e juntou-se ao esquadrão principal que tinha seguido pelo Atlântico Sul, na baía de Cam Ranh (Vietnam)  a 9 de Maio de 1905.


O Almirante Nikolai Nebogatov após a reunião das duas forças passou a 2º Comandante da 2º Esquadra do Pacífico, e ficou sob o comando do Almirante Zinovy Rozhestvensky.  


Navios:


Couraçados Costeiros:


Almirante Ushakov (1893 - Classe Ushakov)

Almirante Seniavin (1896 - Classe Ushakov)

Almirante Aprasin (1899 - Classe Ushakov)



Ao  abrigo da Aliança Anglo-Japonesa, de 30 de Janeiro de 1902, houve uma cooperação entre os serviços secretos (intelligence) britânicos e japoneses contra os russos. As estações TSF e de cabo-submarino britânicas localizadas na Índia, na Malásia e na China interceptavam as comunicações russas e partilhavam a informação com os japoneses.



Fonte:

Chapman, John W. M. (2004). "Russia, Germany and the Anglo-Japanese Intelligence Collaboration, 1896–1906",  in Erickson, Mark; Erickson, Ljubica. Russia War, Peace and Diplomacy. London: Weidenfeld & Nicolson. pp. 41–55.


Cooperação entre os serviços secretos britânicos e japoneses.

Almirante Stepan Makarov

(1849-1904)

Comandante da Esquadra do Pacífico


A 2ª Esquadra do Pacífico, formada a partir de Esquadra do Báltico, partiu a 15 de Outubro de 1904 em direcção a Porto Artur, ma península de Liaodong, no sul da Manchúria.


O Almirante Zinovy ​​Rozhestvensky seguiu uma rota onde passou pelo Estreito da Dinamarca, o Canal da Mancha e ao Largo de Portugal e direcção ao Estreito de Gibraltar, para daí seguirem para o Canal do Suez, Oceano Índico para entrarem no Oceano Pacífico pelo Estreito de Malaca e finalmente rumo a Vladivostoque.


No entanto, o stress da missão fez confundir pequenos navios pesqueiros britânicos com navios inimigos que atacaram, causando um conflito diplomático imediato que levou a fechar o canal ao trânsito da esquadra russa. Esta situação levou a que o Almirante Zinovy ​​Rozhestvensky tivesse de levar a esquadra a contornar África pelo Atlântico Sul. Isto transformou uma viagem que poderia ter levado de aproximadamente dois meses, num pesadelo logístico e na inevitabilidade da queda de Porto Artur. Na verdade os britânicos estavam dispostos a dificultar os russos de diversas formas indirectas.


A esquadra do Almirante Zinovy ​​Rozhestvensky encontrava-se em Madagáscar quando foi informada da queda de Porto Artur e será em consequência deste facto que aí se demorará para aguardar a vinda de reforços, o 3º Esquadrão do Almirante Nikolai Nebogatov.


Divisão de Combate - Fevereiro 1904


1ª Subdivisão -  Vice-Almirante Stark


Petropavlovsk (Petropavlovsk class OBB) (navio-chefe)

Admiral Stark Poltava (Petropavlovsk class OBB)

Sevastopol (Petropavlovsk class OBB)


Tsarevich (Tsarevich class OBB)


2ªSubdivisão Contra-Almirante Príncipe Ukhtomsky


Peresvyet (Peresvyet classe OBB) (navio-chefe)

Pobyeda (Peresvyet classe OBB)


Retvizan (Retvizan classe OBB)


Divisão de Patrulhas de Longa Distância  -  Capitão Viren


Bayan (Bayan class OCR)

Askold (Askold classe OCR)

Diana (Pallada classe OCR)

Pallada (Pallada classe OCR)


Varyag (Varyag classe OCR)  


Divisão de Patrulhas de Curta-Distância


Boyarin (Boyarin classe OCR)

Novik (Novik classe OCR)


Canhoneiras-Torpedeiras



Vsadnik (Kazarski classe PG)

Gaidamak (Kazarski classe PG)


Lança-Minas


Amur (Amur classe ML)


Yenisei (Amur classe ML)



1ª Flotilha de Contratorpedeiros


Bditelni (Bezstrashni classe ODD)

Bezposhtchadni (Bezstrashni classe ODD)

Bezshumni (Bezstrashni classe ODD)

Bezstrashni (Bezstrashni classe ODD)

Boevoi (Boevoi classe ODD)

Boiki (Boiki classe ODD)


Burni (Boiki classe ODD)

Grozovoi (Vnimatelni classe ODD)


Leitenant Burakov (Leitenant Burakov classe ODD)

Rastoropni (Puilki classe ODD)


Razyashchi (Puilki classe ODD)



Siglas:     


Couraçados


OBB- Old Battleship (Anything Pre-Dreadnaught)

BB- New Battleship (Anything Post-Dreadnaught)

BC- Battle Cruiser


Cruzadores


CR- Cruiser/Armored Cruiser

OCR- Protected Cruiser


CS- Scout Cruiser (unprotected)

AMC- Armed Merchant Cruiser


Contratorpedeiros / Torpedeiros  


DD- Destroyer

ODD- Destroyer, 2nd line Destroyer

TB- Torpedo-boat

Navios Patrulha


PG- Gun Boat or Sloop

PY- Patrol Yacht


Navios Mineiros


ML- Minelayer


MS- Minesweeper


AMS- Auxiliary Minesweeper


Auxiliares


AD- Destroyer/TB Tender

AR- Repair Ship


AF- Stores Ship


AC- Collier

AO- Oilier

AE- Ammunition Ship

AK- Cargo Ship


AP- Transport Ship

AH- Hospital Ship

AT- Fleet Tug


AG- Misc. Auxiliary

YN- Net/Boom Tender

YNT- Net Tender


YP- Patrol Craft


T- Trawler



Vice-Almirante Oskar Viktorovich Stark

(1846-1928)


Contra-Almirante Príncipe Pavel Petrovich Ukhtomsky

(1848-1910)


O abastecimento de carvão para uma esquadra daquela dimensão e para uma viagem tão longa era efectivamente um problema. Como o carvão tinha sido declarado como contrabando de guerra a sua aquisição tornava-se ainda um maior problema. Em contrapartida o governo Japonês à anos que se preparava para a guerra e tinha vindo a acumular grandes quantidades de carvão galês (Cardif), o melhor do mercado e que fazia pouco fumo. A Rússia não tinha reservas para disponibilizar à Marinha.


Por outro lado não é de esquecer que o Japão era aliado da Grã-Bretanha e este era mais um factor que levava a não vender carvão à Rússia. Viria a ser a Alemanha que daria apoio à Rússia quando disponibilizou uma frota de abastecimento de carvão, de sessenta navios, que acompanharam a Esquadra desde o Báltico até Tsushima. tendo grande parte do abastecimento sido efectuado em alto-mar.


A questão logística – Abastecimento de carvão

Bibliografia


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Pleshakov, C. (2009), The Tsar's Last Armada: epic Journey to Battle of Tsushima

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Duus, Peter (1998). The Abacus and the Sword: The Japanese Penetration of Korea, 1895-1910. University of California Press.  

Gills, Barry (1996). Korea versus Korea: A Case of Contested Legitimacy. Routledge.

Kim, Djun Il (2005). The History of Korea. Greenwood Press.


Kowner, Rotem (2006), Historical Dictionary of the Russo-Japanese War, UK OXFORD, The Scarecrow Press, Inc.  


The Russo-Japanese War Research Society