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Espanha

Bibliografia


Fraga, Luís Alves de (2010), Do Intervencionismo ao Sidonismo, Os dois segmentos da política de guerra na 1.ª República - 1916-1918, Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra.


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CLIO, Revista de História (Ano 10, Número 109), "La neutralidad Española", pag, 16.


Carrellán, Juan Luis Carrellán Ruiz (2011), Salitre y militares: Las relaciones entre España y Chile (1900-1931), Huelva, Serviço de Publicaciones de la Universidad de Huelva.


Cardona, Gabriel (2010), Alfonso XIII, el rey de espadas, Barcelona, Editorial Planeta.


Gómez, Hipólito de la Torre (2002), El imperio del Rey: Alfonso XIII, Portugal y los ingleses(1907-1916), Mérida, Junta de Extremadura.


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Tusell, Javier (2007), Historia de España en el siglio XX: del 98 a la proclamación de la República, Madrid, Corfica SL.


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Nassaes, José Luis Alcofar (1971), Las fuerzas navales en la Guerra Civil española. Dopesa.


Villaamil, Fernando (1989),  Viaje de circunnavegación de la corbeta Nautilus. Madrid, Editorial Naval.


FO 371-2471/103.219, memorando do agente consular britânico Butler sobre a postura so exército, 29 de Julho de 1915; FO 371-2105/49.962, Hardinge e Grey sobre a germanófila do exército espanhol, 14 de Setembro de 1914; FO 371-2468/115.649, Hardinge e Grey sobre os planos de certos oficiais espanhóis para a anexação de Portugal, 19 de Agosto de 1915.


História do Exército do Ar de Espanha (http://pt.encydia.com/es/História_do_Exército_do_Ar_de_Espanha#Primeros_Pasos_del_Ej.C3.A9rcito_del_Aire)


A Espanha de Alfonso XIII

Desde a Primavera de 1913 que a Espanha se encontrava ocupada em consolidar o seu protectorado em Marrocos. Este protectorado foi reconhecido pelos outros Estados europeus através do "Acordo de Fez", de 1912, feito entre Espanha e a França. No entanto, a pacificação e manutenção do território de Marrocos trazia um enorme esforço económico e humano, que consumia a maioria das suas forças militares.

A isto acrescia uma profunda crise económica e uma depressão psicológica nacional derivada ainda da derrota sofrida com os Estados Unidos da América, em 1898 e da perda das suas últimas colónias.

Há que referir que em 1907, quando da Segunda Conferência para a Paz, em Haia, os diplomatas espanhóis iniciaram um política de hispano-americanismo, através da cordialidade e da doutrina da união dos povos, baseada na unidade do mundo hispânico, na sua estirpe, na sua religião e na língua, como promoção de uma integridade cultural. Neste trabalho sobressaíram os nomes de Rafael Altamira e Joaquín Costa (Carrellán, 2011:25-6).


Alfonso XIII

(17/05/1886 – 14/04/1931)


Eduardo Dato  

(27/10/1913 - 9/12/1915)    

(Liberal-Conservador)

Álvaro de Figueroa

(Conde de Romanones) 

(9/12/1915 - 19/04/1917)

(Liberal)  

Manuel García Prieto

(19/04/1917 - 11/07/1917)

  (Liberal-Democrático)

Eduardo Dato  

(11/07/1917 - 03/11/1917)    

(Liberal-Conservador)

Manuel García Prieto

(03/11/1917 - 22/03/1918)

  (Liberal-Democrático)

Antonio Maura

(22/03/1918 - 9/11/1918)

  (Maurista)  

Manuel García Prieto

(09/11/1918 - 05/12/1918)

  (Liberal-Democrático)


Do foro da política interna existia ainda na memória de todos os espanhóis a lembrança da "Semana Trágica de 1909", que tinha resultado da sublevação na cidade de Barcelona, principal motor da industria de Espanha, e onde as autoridades tinham efectuado uma repressão duríssima com vários milhares de pessoas detidas. Dessas detenções terão resultado cerca de 2.000 processos judiciais, com 175 penas de desterro, 59 cadeias perpétuas e 5 penas capitais, além do encerramento dos sindicatos e escolas laicas locais. Esta política veio ajudar a superar o pessimismo nacional e congregou todos os grupos e sectores da sociedade para reconquistar o prestigio internacional perdido.

Ao longo dos anos da Grande Guerra a estabilidade social em Espanha foi sempre problemática, muito fraccionada internamente entre províncias e externamente entre uma posição de neutralidade e uma posição intervencionista. Mesmo de entre os que apoiavam o intervencionismo existiam facções que apoiavam posições pró-entente e outras que apoiavam posições pró-impérios centrais.

As forças armadas espanholas durante o reinado de Alfonso XIII apresentavam grande admiração pelo exército alemão e por tudo aquilo que ele representava como modelo. Não é de esquecer que era muito frequente o envio de oficiais espanhóis para centros militares na Alemanha, a fim de receberem instrução militar. (Carrellán, 2011:32)

A instabilidade social foi crescendo e em 1917 verificou-se primeira greve geral revolucionária promovida por sindicatos anarquistas e socialistas. De 1917 para a frente há uma sucessão de governos e de políticas que vão levar à queda da Monarquia em 1931.


A Economia de Espanha enquanto País Neutro


A Grande Guerra gerou uma alteração radical no comércio mundial, em particular o marítimo, assim como nas relações internacionais.

A neutralidade beneficiou economicamente a Espanha, através das exportações para França e Inglaterra durante os anos de guerra. O aumento das exportações tornou Barcelona no porto principal de comércio, e de espionagem, de Espanha e até chegou a ser o porto comercial neutro da Europa mais importante.


No plano económico a Espanha obteve grande prosperidade entre as empresas que exportavam, chegando a acumular grandes somas de capital durante o período da Grande Guerra.  


Houve uma recuperação de empresas espanholas que antes da guerra se encontravam dominadas por capital estrangeiro e várias nacionalizações de empresas estrangeiras que laboravam no território nacional. As mesmas circunstâncias levaram à nacionalização de muitas propriedades. Assim, em 1918, quando terminou a guerra a economia espanhola tinha reduzido drasticamente a sua dependência de capitais estrangeiros.


Igualmente a guerra fomentou o aumento da produção em consequência das necessidades dos países que se encontravam imersos no conflito. As exportações aumentaram progressivamente chegando a serem 20% superiores às importações, criando um superavit na balança comercial, com um reflexo nas reservas de ouro no Banco de Espanha, que passaram de 567 milhões de pesetas em 1914, para 2.233 milhões de pesetas em 1918  (Carrellán, 2011:36).


As exportações espanholas durante o conflito foram sempre aumentando, uma vez que a França, a Inglaterra e a Alemanha não conseguiam abastecer-se nos seus mercados tradicionais. A Grande Guerra foi a oportunidade que a Espanha necessitava para desenvolver o seu comercio externo e para fortalecer aquilo que mais tarde se chamou a comunidade "ibero-americana", que neste caso inclui o Brasil, enquanto país da América Latina (Carrellán, 2011:175).


Esta prosperidade não representou uma melhoria das condições de vida das populações, que continuaram a sofrer as sucessivas subidas de preços devido à especulação e à baixa da capacidade de aquisição de bens essenciais.


Houve alguns contratempos com as exportações marítimas, quando os alemães afundaram 5 navios e os ingleses impediram a passagem para as águas das potências centrais. No entanto, as rotas comerciais com a América do Sul não foram muito afectadas e Espanha acabou por ser a porta de entrada no comércio europeu para os países latino-americanos, igualmente neutros neste conflito.


O Impacte Social da Grande Guerra em Espanha


Desde 1915, a neutralidade começava a fazer efeito na economia espanhola, convertendo o país num grande fornecedor dos países beligerantes. As exportações alcançaram níveis nunca vistos o que criou novas empresas e concentrou fortunas. Este impulso na economia não foi acompanhado por um crescimento dos salários, que permaneciam quase estático enquanto os preços disparavam. A especulação disparou  e os preços dos bens alimentares subiram vertiginosamente (Cardona, 2010:130-2).


A carestia da vida provocou um movimento de colora, manifestações de mulheres e choques entre a população e as forças policiais. A burguesia catalã pressionava o governo para que o porto de Barcelona se tornasse um porto franco, o que era completamente contrário às necessidades do Governo de Madrid.


Em 15 de Novembro de 1915, a oposição juntou-se e organizou uma manifestação com a intenção de derrubar o Governo. A esta manifestação juntou-se o Congresso com exigências de reformas económicas. Tudo junto levou à queda do governo de Eduardo Dato a 6 de Dezembro de 1915. a 9 de Dezembro Alfonso XIII chamou Álvaro de Figueroa, Conde de Romanones, a formar Governo.

Até ao final de 1915 a Espanha foi governada por Eduardo Dato, que conseguiu reunir consigo a maioria dos políticos conservadores.


Com um programa de governo bastante diminuto, teve como política externa o objectivo de mater a neutralidade espanhola ao longo do conflito. António Mauro, seu opositor directo, tinha uma posição intervencionista germanófila e ideias expansionistas para os territórios em Marrocos. António Mauro não era verdadeiramente uma oposição ao governo, mas antes um opositor de Eduardo Dato, com convicções também liberais monárquicas, apenas diferentes na forma de chegar aos mesmos objectivos, e provocou o desenvolvimento de regionalismos desde o exército até ao poder. Foram empoladas as revindicações regionalistas catalãs, sobretudo a questão de tornar o porto de Barcelona um porto franco, e noutras regiões, como em Castela  (Tesull, 2007:300-2) .

Ano de 1917


As posições pró-intervencionistas da oposição ao Conde de Romanomes foram-se intensificando e quando em 2 de Janeiro de 1917 a Alemanha declarou a guerra submarina total, houve uma forte pressão para a Espanha entrar ao lado dos Aliados. Entretanto os Estados Unidos da América também entraram no conflito do lado dos Aliados. A pressão sobre o Governo era muito intensa e quando os alemães afundaram o vapor "San Fulgencio", a pressão política levou o Conde de Romanomes a demitir-se a 17 de Abril de 1917.


A 19 de Abril de 1917, Alfonso XIII, nomeou Manuel García Prieto e em conjunto com o ministro da guerra e altas patentes militares decide terminar com os movimentos oposicionistas. A 27 de Abril os dirigentes oposicionistas são presos e a 29 de Abril é divulgado na imprensa que os oficiais que formavam a "União e Junta de Defesa da Arma de Infantaria", principal organização oposicionista, tinha sido desfeita. Entretanto outros chefes militares continuaram a conspirar contra o Governo. Estes chegaram a fazer um ultimado ao Governo de García Prieto para libertar os oficiais da "União e Junta", a 1 de Junho de 1917. A 9 de Junho o governo cedeu e os oficiais foram libertados entre manifestações de triunfalismo. Ainda nesse dia Manuel García Prieto apresentou a sua demissão.


A intenção dos oficiais das "Juntas" era colocar no governo Antonio Maura, mas este negou-se a liderar um governo criado pelas armas, e Alfonso XIII acabou por chamar novamente Eduardo Dato para formar novo Governo a 11/07/1917. O problema das "Juntas" não foi controlado e a propaganda francesa e as posições do Presidente Thomas Woodrow Wilson, dos Estados Unidos da América, em apoio da independência das nacionalidades, ainda acendeu mais os movimentos nacionalistas catalães.


O protesto social e sindical em Espanha tinham raízes que vinham desde 1910, e os desenvolvimentos desde o início da Grande Guerra era muito acentuado. Grande parte do operariado estava vinculado republicanismo, principalmente às versões mais populistas. Os sindicatos tinham pouca implantação, não chegando a mais de 5% de operários filiados, e as greves nunca chegavam a ter um carácter geral, ao contrário do que a propaganda operária transmitia. Mas desde o início do conflito mundial, que o sindicalismo foi-se desenvolvendo, crescendo de cerca de 40.000 filiados, em 1910, para cerca de 150.000 filiados em 1917. Também, aconteceu que as ideias socialistas começavam a chegar aos meios intelectuais, fazendo com que a união sindical (UGT) e o partido socialista (PSOE) se interligassem nas cúpulas das respectivas organizações.  Nos primeiros meses de 1917, vivia-se em Espanha um verdadeiro perigo revolucionário (Tusell, 2007:308-9).


Entretanto em Agosto às rebeliões militares e políticas junta-se a instabilidade social. às greves em curso na Catalunha juntavam-se trabalhadores de outras cidades, que incluíam greves nos transportes ferroviários. Progressivamente os sindicatos começavam a perder o controlo sobre os grevistas. O Governo teve de declarar o estado de sítio e reprimiu os manifestantes e grevistas brutalmente, terminando com as greves a 18 de Agosto de 1917.


A situação criada com as revoltas das Juntas militares, dos nacionalistas catalães e das greves operárias, levaram a que Alfonso XIII se suportasse no Exército, como força estabilizadora da paz social e suporte da autoridade do Governo. Para apaziguar a situação o Rei leva Eduardo Dato a apresentar a demissão, e em 3 de Novembro de 1917 dá posse a um novo Governo de García Prieto.


Cinco dias depois a 8 de Novembro de 1917 é publicada, em Espanha, a notícia que o movimento operário russo, "os bolcheviques", haviam tomado de assalto o Palácio de Inverno de Petrogrado e formado um Governo de operários e camponeses (Cardona, 2010:125-47).



Ano de 1918


Em 1918 a sociedade espanhola tinha mudado e o regime não tinha conseguido implementar as reformas necessárias para a acompanhar. Isto era tanto mais importante quanto a modernização da economia e do regime tende a trazer estabilidade social a longo prazo. A sociedade espanhola durante o reinado de Alfonso XIII, conseguiu desenvolver-se libertando-se daquilo que anteriormente chamavam a "Espanha Negra", retirando à Igreja muita da influência política que detinha. Quanto à economia o desajuste foi ainda maior, ficando este  bastante claro, quando as condições que lhe tinham sido proporcionadas enquanto país neutro terminaram.


A Espanha tinha iniciado, durante aqueles 4 anos, o processo de industrialização da sua economia. Com ele desenvolveram-se os movimentos operários e sindicais, associados a um aumento de protesto social e agitação intelectual que caracterizou o final da Grande Guerra e os anos seguintes. Radicalizaram-se os movimentos de esquerda e de direita e desenvolveram-se as identidades regionais.


A incapacidade de renovar o sistema político para uma via mais democrática, levou de forma crescente a cada vez existirem mais intervenções do exercito para apaziguar as manifestações sociais (Tusell, 2007:268).

A Neutralidade Espanhola


O Decreto Real de 7 de Agosto de 1914, de Alfonso XIII, declarou a Espanha neutral no conflito que se tinha iniciado havia uma semana. Este acto veio a ser muito importante no âmbito da diplomacia internacional, tanto para a Entente Cordiale como para os Impérios Centrais. Era então primeiro-ministro Eduardo Dato, que se manteve em funções até 9/12/1915, que comparativamente com Portugal acompanhou a quase total sucessão de governos republicanos até que Portugal sai da sua neutralidade no teatro de guerra europeu e passa para uma posição intervencionista, com a requisição dos navios alemães e austro-húngaros que se encontravam em portos Portugueses em 17 de Fevereiro de 1916.


A posição de país neutral não esteve ameaçada por parte dos países beligerante, nem nunca existiu uma verdadeira pressão para que a Espanha entrasse no conflito, o que levou ao político Francesc Cambó i Batlle, Catalão do Partido Conservador, a dizer: "Seremos neutros na guerra porque não podemos ser outra coisa".


No entanto, existiram cerca de 15.000 voluntários espanhóis que se alistaram nos exércitos da Entente Cordiale, na maioria catalãs, em muito influenciados pela rebelião irlandesa de 1916, e que acreditavam numa possibilidade de encontrar no final do conflito mundial uma solução para o "problema catalão".  


(FO 371-2471/103.219, memorando do agente consular britânico Butler sobre a postura so exército, 29 de Julho de 1915; FO 371-2105/49.962, Hardinge e Grey sobre a germanófila do exército espanhol, 14 de Setembro de 1914; FO 371-2468/115.649, Hardinge e Grey sobre os planos de certos oficiais espanhóis para a anexação de Portugal, 19 de Agosto de 1915).


Também se verificaram tomadas de posições pró-germânicas, como as que se verificaram nas comunidades espanholas no Chile, que chegaram a escrever a Alfonso XIII, a 9 de Abril de 1917, a reclamar sobre a política externa espanhola no que se referia à posição de neutralidade e à forma como Espanha se relacionava com a Grã-Bretanha e França, dois países que não serviam os interesses de Espanha (Carrellán, 2011:35) .    

Mas a neutralidade espanhola também beneficiou a ligação com as comunidades espanholas nos países da América do Sul e por consequência intensificaram as relações comerciais e institucionais com esses países, desenvolvendo os laços que vieram a criar a comunidade ibero-americana (Carrellán, 2011:37).

À medida que a guerra ia progredindo, muitas nações que inicialmente tinham permanecido neutrais começaram a tomar partido e a unir-se a um dos blocos beligerantes como Portugal, mas Espanha manteve-se neutra até ao fim do conflito.

Foi a partir de 1915 que a opinião pública espanhola deixou de ter uma posição completamente desinteressada sobre o conflito e começou a interessar-se sobre o que se passava na Europa. Para esta alteração contribuiu a alteração da posição de Portugal quando se declarou abertamente ao lado da Entente Cordiale.

A  Espanha, mais propriamente o exército espanhol, era germanófilo ou admirava abertamente a máquina militar alemã, mas tinham a consciência da sua incapacidade militar para participar no conflito europeu, o que se tornou na razão de fundo para não abandonarem a estrita neutralidade.


Esquadra no Tejo

O Exército Espanhol

Em 1914 o Exército espanhol contava com 140.000 homens em armas, dos quais 76.000 encontravam-se em Marrocos, mas o Exército estava mal equipado. e a Marinha muito descuidada.


Era composto por 16 Divisões de Infantaria, 1 Divisão de Cavalaria, 7 Brigadas de Cavalaria, 3 Brigadas de Caçadores de Montanha e 3 Regimentos de Artilharia e 1 de Engenharia.


A infantaria estava equipada com Mauser de 7,75mm, fabricada em Oviedo, conhecida como a Mauser espanhola, M1893. O número de metralhadoras era diminuto e as que existiam eram modelos Maxim Norenfelt, Hotchiss e Colt. a proporção de metralhadoras e de artilharia por Divisão de Infantaria era muito inferior a qualquer outro país europeu, incluindo Portugal. Era equipada com canhões Schneider, de vários calibres, fabrico Krupp.


A maior parte do equipamento pesado, metralhadoras e artilharia encontrava-se empregue na frente de Melilha, em Marrocos. A guerra em Marrocos, centrava-se contra as tribos berberes da região em volta da cidade de Melilha, e em grande parte o exército espanhol foi utilizado como força de ocupação do território, em missão de soberania. A guerra durou entre 1911 e 1927 e ficou conhecida em Espanha por "Guerra do Rift" ou "Guerra de Marrocos". O conflito transformou-se numa guerra de desgaste entre as forças espanholas e os guerrilheiros das montanhas. (internet, wikipedia)


Existia uma grande ligação entre o Exército espanhol e o Exército chileno, com produção de equipamento e armas para este último em fábricas espanholas. As vendas de pólvora e fulminantes ao Chile chegaram ao valor de 2.640.000 pesetas (Carrellán, 2011:48).


A colaboração estendia-se à troca de oficiais entre as escolas militares e o número de oficiais chilenos em Espanha era relevante.


A delegação militar britânica, em Espanha, em 1916, efectuou um minucioso estudo sobre as condições do exército espanhol durante todo o ano de 1916 e em Janeiro de 1917 concluiu que o estado do exército era lamentável. Faltavam meios de transporte, o equipamento era muito pobre, faltavam espingardas e munições, apesar de existirem algumas aquisições de material de guerra aos Estados Unidos. Também não tinham aviação, nem artilharia pesada. Por conseguinte o exército espanhol não estava em condições de constituir uma ameaça para ninguém, excepto, talvez, para os portugueses  (Salvaró, 2002:94).

A Marinha Espanhola


Desde 1908 que a Marinha apresentava um plano de reequipamento, Plano Ferrandiz, e com este encontravam-se em construção 3 couraçados e outras unidades menores. Parte da Armada contava com navios que tinham vindo da flotilha de Cuba depois da perda esta colónia.


Em 1914 a Marinha encontrava-se muito descuidada. Em 1915 foi ordenada a construção de 6 contratorpedeiros e 28 submarinos. Em 1915 a Espanha não tinha submarinos.


Couraçados:


"Pelayo": (9/09/1884)

"España", Classe España: (7/09/1913)

"Alfonso XIII", Classe España,:(15/08/1915)

"Jaime I", Classe España: (Em construção durante o conflito, só foi entregue 1921)


Cruzadores:


"Santa Isabel", Classe Velasco: (1885)

"Emperador Carlos V", Calsse Emperador Carlos V: (2/06/1895)

"Río de la Plata", Classe Río de la Plata: (1900)

"Extremadura", Classe Estremadura: (02/08/1902)

"Princesa de Asturias", Classe Cardenal Cisneros: (10/06/1903)

"Cataluña", Classe Cardenal cisneros: (1908)

"Reina Regente", Classe Reina Regente: (8/10/1910)

"Reina Victoria Eugenia", Classe Navarra: (em construção, só foi entregue em 1923)


Contratorpedeiros:


Classe Furor: "Terror" (1896), Audaz" (1897), "Osado" (1898) e o "Proserpina" (1898).

Classe Bustamante: "Bustamente" (1914), "Villaamil" (1916) e o "Cadarso" (1917).


Canhoneiras:


Classe Recaldes: "Recaldes" (1910), "Laya" (1910), "Bonifaz" (1911) e o "Lauria" (1912)

Classe Álvaro de Bazán: " Maria de Molina" (1904), "Marqués de la Victoria" (1907), "Álvaro de Bazán" (1907)

Classe Mac-Mahón: "Mac-Mahón" (1888)

Classe Somorrostro: "Arlanza" (1875)


Torpedeiros:


Classe T1: T1 ao T3 (1912), T4 e T5 (1913), T6 (1914), T7 ao T10 (1915), T11 ao T14 (1916), T15 ao T17 (1917) e T18 (1918)  

Classe Temerario: "Temerario" (1892) e "Nueva España" (1894)

Casse Habana; "Habana" (1886)


Patrulhas:


Classe Delfin: "Delfin" (1910), "Dorado" (1910) e "Gaviota" (1910)


Submarinos:


"A-0" (Isaac Peral): Tipo Holland, construído em Fore River & Co.USA, 31/01/1917

"A-1" (Narciso Monturiol): Tipo Laurenti, construídos em Spezia, Itália, 1917

"A-2" (Cosme García):Tipo Laurenti, construídos em Spezia, Itália, 1917

"A-3" (-------):  Tipo Laurenti, construídos em Spezia, Itália, 1917


Navio Escola:


"Nautilus" (1886)

A Aviação Espanhola


1913


A aviação militar espanhola nasceu em Outubro de 1913, da necessidade de apoiar as forças do exército que combatiam em Marrocos. Instalada no aeródromo de "Cuatro Vientos", em Madrid, foi comandada pelo Capitão Alfredo Kindelan. A força era formada por: 4 aviões Maurice Farman MF.7, 4 aviões Lohner B-1 Pfeil e 3 aviões Nieuport IIG.


A Esquadrilha foi transferida, ainda em Outubro, para Marrocos e ficou instalada em Ceuta.


Em 5 de Novembro de 1913, um dos Lohner B1 fez a primeira missão de bombardeamento da história da aviação espanhola e uma das primeiras coordenadas entre forças terrestres e aéreas da história da aviação militar mundial.


Em Dezembro de 1913, foi instalada uma segunda base aérea em Marrocos, na cidade de Tétuan, equipada com uma esquadrilha de 3 aviões Morane-Saulnier G.14, e uma terceira em Marrocos, na cidade de Melilha, equipada com uma esquadrilha de 3 aviões VIM Nieuport.


Durante a Guerra de Marrocos são usados aeróstatos de observação na zona de Tétuan.


1915


Em 15 de Dezembro foi efectuado o primeiro voo com um hidroavião militar, comandado pelo Capitão Roberto Withe Santiago, num Curtiss JN-2 modificado (História do Exército do Ar de Espanha).


1917


Em 1917 foi criada a "Aeronáutica Naval" dependendo do Ministério da Marinha. A base principal ficou estacionada em Murcia, Los Alcázares, e foi equipada com 12 hidroaviões adquiridos nos Estados Unidos da América.


León  y Castyllo (Espanha)  

Jules  Cambon (França)

A Política Externa Espanhola em Relação a Portugal


Antes do início da Grande Guerra, quando da visita de Afonso XIII à Grã-Bretanha em 1913, a Espanha demonstrou  à Inglaterra interesse em intervir em Portugal e nesta data a Inglaterra não se mostrou contrária à intervenção de Espanha em Portugal. Ao longo do conflito a Espanha voltou a reafirmar esta intenção e a resposta da Inglaterra em 1913, foi um ponto fraco que lhe fragilizou a política externa inglesa perante a Espanha.


As relações de Alfonso XIII com Portugal foram inicialmente amistosas e próximas, marcadas pelas suas visitas a Portugal, em 1903 e 1909, em retribuição pela presença do rei D. Carlos em Espanha, 1902 e 1906. A alteração da atitude perante Portugal aconteceu após a implantação da República, em 5 de Outubro de 1910, em Portugal.


As relações entre Portugal e Espanha mantiveram-se tensas e sob o espectro da desconfiança, não só pelo conhecimento que existia da vontade de Espanha anexar Portugal, ou de pelo menos restabelecer a monarquia, como por causa do apoio que dava às forças militarizadas monárquicos portuguesas que se encontrava refugiadas em Espanha, sob o comando do Capitão Paiva Couceiro. é de realçar que foram efectuadas duas incursões monárquicas sobre Portugal a partir de Espanha, em 1911 e 1912 respectivamente. A República portuguesa também desconfiava das boas relações que a casa real espanhola mantinha com as monarquias dos impérios centrais.  


Mas institucionalmente mantinha-se uma imagem de cordialidade entre os dois países, o que permitiu que o Presidente da república portuguesa Bernardino Machado, quando este passou por Espanha, em 1917, na sua viagem para França para visitar as tropas portuguesas aí estacionadas, tivesse sido recebido pelo Rei Alfonso XIII de Espanha.


Ano de 1915


Em Janeiro de 1915 existiam rumores que a embaixada alemã em Madrid tinha prometido Tanger, Gibraltar e Portugal em troca da estrita neutralidade de Espanha durante o conflito, rumores que foram descartados pelo Governo Espanhol, mas acompanhados de declarações em que afirmavam que a Alemanha nunca tinha causado qualquer prejuízo a Espanha e que esta poderia vir a favorecer os interesses nacionais (Salvaró, 2002:23-4).


Existia no Ministério da Guerra espanhol, figuras como o General Echagüa, que não só estavam convictos da vitória alemã, mas também pensavam que se a Entente sofresse uma pesada derrota a Espanha poderia, sobre um qualquer pretexto, anexar Portugal (Salvaró, 2002:14).


Ao longo de 1915 a imprensa espanhola partidária da Alemanha referia-se continuamente ao apoio que as potências da Entante Cordiale davam à revolucionária República Portuguesa. No entanto, o Ministério dos Assuntos Externos britânico e o embaixador britânico em Portugal, consideravam que Portugal não se devia envolver no conflito europeu, porque a neutralidade servia melhor os seus interesses, a participação activa de Portugal no conflito europeu daria à Alemanha uma oportunidade de ouro para fomentar o ódio entre dois países e porque a situação seria mal recebida pelo políticos e o rei de Espanha.


Em Julho de 1915, o Governo Britânico informou o Governo Português que não desejava ver Portugal envolvido no conflito europeu.

Os políticos portugueses reconheciam que a intervenção no conflito europeu poderia piorar a relação com o estado espanhol e expressaram ao Governo Britânico que temiam que se os aliados sofressem uma derrota, os espanhóis poderiam fomentar uma contra-revolução em Portugal, para derrubar a república ou mesmo levar a cabo uma invasão total.


Ano de 1916


Em 1916 Espanha, apesar de neutral, apresentava uma imagem germanófila que incomodava o seu vizinho francês, o que levava a pensar que Portugal tinha tomado uma boa decisão ao apostar abertamente na Entente Cordiale, o que lhe permitiria no futuro garantir os interesses nacionais na nova ordem internacional e assegurar um lugar na conferência de paz. Espanha começava-se a preocupar com a sua posição neutral e com o excessivo jogo com as potências centrais  (Salvaró, 2002:74).


Em 1916 a Espanha se não era considerada germanófila era pelo menos considerada como não confiável pelas chancelarias ocidentais. Isto não era só pela imagem que a impressa alemã dava, mas também pelas actividades que os alemães desenvolviam livremente pela Espanha. Existia uma flagrante cumplicidade entre os agentes alemães e as autoridades espanholas, como por exemplo a infiltração de agentes alemães em grupos anarquistas, que criavam problemas na produção industrial e na exportação de bens para os aliados e o tipo de ataques de submarinos que aconteciam nas zonas da costa espanhola.


Em Fevereiro de 1916, o British Freign Office recebeu um relatório secreto a avisar sobre os perigos que advinham da presença de cerca de 70.000 a 80.000 alemães em Espanha e que confirmava que as greves em Barcelona tinham sido montadas por agentes alemães para impedirem as exportações para França.


Em Maio de 1916, Vaughan, secretário da embaixada inglesas em Madrid,  escreveu que tinha sido verificado que os submarinos alemães estavam a ser abastecidos em águas espanholas, particularmente nas costas da Valencia, onde um conjunto de pequenos barcos de um armador chamado Juan March estava-os a usar para esses fins.

Também foi interceptado um carregamento de um milhão de balas na estação de Madrid, com destino a Marrocos que se pensa que seria para apoiar a revolta moura contra os franceses.


Em Junho de 1916 ocorreu um incidente diplomático quando o submarino U35 entrou no porto de Cartagena. Um embaraçado Romanones recebeu uma avalanche de protestos de Paris e Londres. Uma versão oficial dada pelo “EL Imparcial” indicava que tinha sido para entregar uma carta ao rei Afonso XIII a agradecer o tratamento dado aos oficiais alemães que se tinham rendido às autoridades espanholas na Guiné depois da perda da colónia dos Camarões.


Existiam grandes suspeitas que a verdadeira missão era para comunicar com os navios alemães que se encontravam surtos nos portos espanhóis, com a intenção de coordenar novas operações, em especial junto à costa de Bilbao.


Nos meses seguintes os franceses queixaram-se dos raids que partiam das zonas costeiras de Espanha e da grande quantidade de dinheiro e armas alemãs que chegaram aos rebeldes mouros em Marrocos.


Em Julho de 1916 Romanones estava determinado em mostrar aos aliados de que lado estava.  No início de Agosto fez um protesto perante a Alemanha pela forma como esta tratava os civis nos territórios ocupados e   em 27 de Agosto informou que o governo alemão tinha sido informado que Espanha não permitia mais visitas de submarinos e que estes deveriam deixar de utilizar as águas territoriais espanholas.


A 1 de Setembro Romanones (primeiro-ministro) pediu ao Rei que Espanha passasse a ter uma atitude de neutralidade mais benevolente para com os aliados.


Em Setembro os alemães deixam de ter uma política benevolente para com Espanha e tomam uma posição de força. A Partir de Setembro de 1916, os ataques de submarinos, as sabotagens e a actividade de espionagem sobe dramaticamente.


Esta situação dividiu politicamente e a opinião publica sobre se seria de manter a neutralidade a todo o custo ou se era de cortar relações diplomáticas.


A 12 de Dezembro de 1916 as potências centrais fizeram uma declaração em que pretendiam negociar um armistício e de seguida, em 18 de Dezembro, o Presidente dos Estados Unidos da América, Woodrow Wilson, também tomou uma iniciativa nesses sentido, as quais não conseguiram criar entendimento entre as partes, mas deu à Espanha o ponto de partida para desempenhar um papel activo no conflito enquanto neutro. Criou em Madrid um centro diplomático para reunir informações sobre soldados feridos, desaparecidos e prisioneiros de sobre ambos os lados do conflito, actuando como apoio aos territórios ocupados e fornecendo outros serviços humanitários. Passou a representar em Portugal os interesses alemães e austro-húngaros e na Alemanha os  interesses portugueses, uma vez que Portugal retirou o seu embaixador (Sidónio Pais) de Berlim após 9 de Março de 1916 (Salvaró, 2002:88).


Ano de 1917


Em Janeiro de 1917, com a declaração alemã de guerra submarina total, a Espanha ficou impossibilitada de continuar sem riscos as exportações marítimas, o que a obrigou a negociar com os aliados.


Em 26 de Fevereiro de 1917, o embaixador espanhol León  y Castyllo encontrou-se em Paris com o ministro dos negócios estrangeiros francês,  Jules  Cambon, em Quai d'Orsay, com a intenção de de comunicar que o seu pais estava com vontade de efectuar uma maior e mais directa assistência aos aliados. Indicou ainda que estava disposto a colocar todos os recursos naturais à disposição da Entente. Isto não era muito mais do que a Espanha já se encontrava a fazer, através de um conjunto de contratos e vendas pontuais que efectuava regularmente aos países aliados.


Em troca de uma garantia de exportação exclusiva para os aliados, a Espanha indicou à França que pretendia em troca Tanger e Gibraltar, acesso livre a Portugal e que romperia os laços diplomáticos com a Alemanha. Explicou que não pretendia anexar Portugal, mas sim vincular Portugal a si como estavam os outros estados peninsulares através de algum tipo de tratado (União Ibérica) (Salvaró,2002:91).


Em Abril de 1917 as exigências espanholas para entrar em guerra contra a Alemanha foram estudadas por um departamento liderado pelo Lord Curzon, numa respectiva naval, militar e diplomática. Os Britânicos, relativamente à possibilidade de vir a vincular Portugal à Espanha através de um qualquer tratado, não consideravam prejudicial e ideia para os seus interesses, já que o Governo Português era uma fonte permanente de preocupações. No entanto, não deixaram de afirmar que devido à Aliança com Portugal era um abuso de confiança prometer a Espanha o livre acesso a Portugal, assim como os aliados da Entente Cordiale se podiam esquecer  dos direitos dos pequenos países, razão pelo qual se lutava pela Sérvia (Salvaró, 2002:95-7).


As anteriores conversações secretas de 1913, neste capítulo, foram uma situação complicada para os ingleses em 1917, temendo que Alfonso XIII viesse a desvendar a situação, o que não foi utilizado pelos Espanhóis.


No final de 1917, a Alemanha tentou levar a Espanha a entrar no guerra ao lado das potências centrais, prometendo equipamento militar para reequipar o exército, aviões, submarinos e os territórios de Gibraltar, Tanger, Marrocos francês, Argélia, e Portugal com as suas colónias (Salvaró, 2002:195).


Ano de 1918


Em 1918, o Rei Alfonso XIII, dirigia pessoalmente uma delegação a partir do seu palácio em Madrid, para apoio dos presos civis e militares, o que elevou ao mais alto nível a diplomacia espanhola durante a Grande Guerra. Criou uma rede de contactos no estrangeiro, em todas as nações beligerantes e intercedeu a favor de milhares de prisioneiros de guerra, recebendo e respondendo a cartas de toda a Europa.


A conjunção da sua posição de país neutro e das acções pessoais de Alfonso XIII em favor dos prisioneiros de guerra , possibilitou à Espanha tomar conta dos interesses de alguns países beligerantes em países hostis. Alguns exemplos são os interesses alemães em Portugal e na Roménia, dos Austro-húngaros na Itália e em Portugal, da França na Alemanha, Turquia, Pérsia e Bélgica ocupada, da Inglaterra no território Austro-húngaro, etc.


Entretanto, Alfonso XIII ficou gravemente doente durante a pandemia de gripe que se alastrou por todo o Mundo. Como a Espanha era um país neutro não existia uma censura de guerra sobre as notícias vindas deste país nas imprensas nacionais, o que levou os diversos países a efectuarem uma cobertura exaustiva da doença e da recuperação de Alfonso XIII, dando a falsa impressão que Espanha era o país mais atingindo pela pandemia da gripe, por falta de notícias dos casos que aconteciam nos próprios Estados. Foi esta razão porque mundialmente se chamou à pandemia de gripe H1N1 o nome de "Gripe Espanhola" (link wikipedia).

Os Desafios Internacionais de Afonso XIII


As várias iniciativas de paz que aconteceram durante a Grande Guerra ofereceram à diplomacia espanhola a oportunidade de ter um papel importante de mediador ao longo do no conflito. Nenhum outro país teve um chefe de estado que encabeçasse tão fortemente este papel.


Na chefia da delegação de apoio aos prisioneiros de guerra, Alfonso XIII manteve muitos contactos com ambos os lados do conflito, juntando informação sobre civis e soldados desaparecidos, actuando em nome das populações em territórios ocupados, advogando a repatriação de feridos e doentes,  e efectuando um largo número de serviços altruísticos.


No Almanach Hachette, de 1918, p. 160, refere que Alfonso XIII desde o início da guerra se ocupou pessoalmente da sorte dos prisioneiros de guerra e dos civis que ficaram retidos na zona ocupada da Bélgica, e que graça à sua intervenção muitos das pessoas deportadas na Alemanha tiveram a possibilidade de serem repatriados.  

(Fonte: Grijalba, 1925:97-8)



Quando da morte do Imperador Austro-húngaro Francisco José I, em 21 de Novembro de 1916, Alfonso XIII que se deslocou às cerimónias oficiais fez um conjunto de contactos durante a sua estadia na Áustria que depois o levaram a encetar conversações em Paris, para juntar as partes afim de negociar um acordo de paz.



Marquês Villalobar

Incidentes com Submarinos Alemães em Águas Espanholas


O Submarino Alemão U-35 em Cartagena


Em plena guerra, o submarino alemão U-35, comandado por Lothar von Arnauld de la Perière, entrou em 21 de Junho de 1916 no porto de Cartagena, à superfície e em pleno dia.  

De acordo com a versão oficial de la Perère vinha entregar ao Rei Alfonso XIII uma mensagem manuscrita do Kaiser, na qual agradecia ao Rei o tratamento dado aos súbditos alemães deportados da colónia de Camarão. No entanto, parece que a verdadeira missão era a entrega de explosivos ao agente secreto Wilhelm Canaris, que operava naquela data no porto de Cartagena. No regresso à Alemanha transportou Wilhelm Canaris e dois outros agentes secretos. Este feito teve repercussões  e cobertura jornalística a nível mundial.



O Submarino Alemão UB-23 em La Coruña


Em 29 de Julho de 1917 o UB-23, comandado por Hans Ewald Niemer, deu entrada no porto de La Coruña, após ter sido severamente danificado por cargas de profundidade lançadas pelo "HMS PC-60", da marinha britânica, perto de Lizard, ao sul da península da Cornualha, no Reino Unido. Aqui ficou internado até ao fim da guerra. No início as autoridades alemãs protestaram pelo internamento do submarino, mas depois foi oferecido ao Governo espanhol, tal como se encontrava, pelo preço de 1.348.000 marcos, com a intenção de solucionar os problemas económicos da embaixada alemã em Madrid. No entanto o Governo espanhol recusou a oferta.  

O Submarino Alemão UB-52 em Cádiz

No jornal "Mercury", de 29 de Junho de 1917, deu a notícia que o submarino alemão U-52, comandado por Hans Walther, da flotilha Pola,  tinha dado entrada no porto de Cádiz, rebocado num estado muito danificado e que após ter atracado despachou para Madrid uns contentores com alguma dimensão e grande peso. Existe ainda neste artigo uma referencia à indignação como a imprensa francesas via o caso e uma indignação por se saber que o submarino estaria quase pronto para voltar a navegar e abandonar o porto de Cádiz.


O Submarino Alemão UB-49 em Cádiz  

Em 9 de  Setembro de 1917, o UB-49, comandado por Hans von Mellenthin, entra no porto de Cádiz, com a intenção de ser internado. O submarino apresentava avarias ligeiras. As relações entre o oficial do submarino e as autoridades do porto foram bastante cordiais e o comandante assinou uma carta escrita na presença do cônsul alemão em Cádiz, em que deu a sua palavra em que permaneceria no porto até ao fim da guerra.

Sem aviso, o submarino, na tarde de 5 de Outubro de 1917, fugiu do porto. Em consequência do acontecimento o comandante do porto de Cádiz foi destituído e o Governo de Espanha protestou junto do Kaiser pelo acontecido e exigiu o regresso do submarino UB-49 a Cádiz.  Em resultado deste protesto o Kaiser mandou internar um submarino da mesma classe no porto austríaco de Pola, o qual ficou sob a supervisão de oficiais espanhóis que para lá se deslocaram.